Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Especialista defende disciplina na formação do educador

Neurociência aplicada à educação ganhou força na década de 1990, principalmente nos Estados Unidos e no continente europeu

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2014 | 02h02

SÃO PAULO - Embora importante para entender o trajeto cerebral do aprendizado, a neurociência não é fórmula mágica. Muitas das descobertas servem para corroborar o que professores já sabem pela experiência. Outros achados servem como subsídios importantes para ajustar procedimentos em sala de aula - de acordo com cada momento, conteúdo ou tipo de aluno.

No exterior, a neurociência aplicada à educação ganhou força na década de 1990, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Já no Brasil, foi incorporada à vida escolar nos últimos dez anos. É mais comum nas escolas particulares, mas também há uso em algumas redes municipais. "A neurociência dá maior respaldo científico para discutir as práticas em sala de aula", explica a educadora Elvira de Souza Lima, especialista na área. "O erro é dar uma autonomia maior à neurociência do que ao conhecimento do professor e da pedagogia", pondera.

De acordo com Elvira, um dos desafios atuais da neurociência é entender também o cérebro do adulto para que ele melhore seus procedimentos pedagógicos. "A aprendizagem depende da conversa entre a memória do professor e a memória do aluno", afirma. Outra mudança é entender como as novas gerações reagem aos estímulos modernos, como os aparelhos tecnológicos.

"As crianças e os jovens de hoje não nascem com cérebros diferentes. Mas em vez de ganhar um chocalho, hoje elas ganham um iPad", exemplifica Leonor Bezerra Guerra, médica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que pesquisa as relações entre o cérebro e a aprendizagem. Os professores, segundo ela, precisam aprender como trabalhar com esses estímulos para melhorar a apreensão do conhecimento.

Leonor defende que as pesquisas em neurociência fiquem cada vez mais próximas da sala de aula do que do laboratório. Outra necessidade, para ela, é de que o assunto seja mais trabalhado na formação dos educadores. "Falta uma política nos cursos de licenciatura e pedagogia para que esse conteúdo de bases neurobiológicas seja uma disciplina obrigatória", diz.

Lúdico. Jogos de tabuleiro e dinâmicas de grupo também fazem parte da rotina das escolas que já aplicam a metodologia, além das aulas de laboratório. "Essa aula prática dá mais autonomia para o aluno", relata Raphael Cassab, do 8.º ano do fundamental do Colégio Porto Seguro. "Conseguimos usar a teoria, com materiais do nosso cotidiano. Fazemos sozinhos e buscamos o professor só para tirar dúvidas", afirma o adolescente, de 14 anos.

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