Escolas tradicionais dos EUA, sinônimo de status e ambição

"Entrar numa dessas universidades prova que você é um aluno superior, não uma pessoa superior", diz jornalista

Gustavo Chacra, correspondente

25 Maio 2009 | 22h39

Na semana passada acabou a temporada de formaturas nas principais universidades americanas. Alguns estudantes tiveram mais motivos para comemorar. Concluíram cursos em Harvard, Yale, Princeton, Columbia, Pennsylvania, Dartmouth, Brown e Cornell, as oito universidades da Ivy League, que têm um status especial. Faz parte da rotina de quem estuda nelas conviver com egos inflados nas classes e ter aulas com ganhadores de Prêmios Nobel - com direito a esnobá-los, de vez em quando.   Formatura na School of International and Public Affairs, em Columbia (foto: Diane Bondareff/AP)   "São jovens que sempre estiveram en tre os primeiros da classe e foram levados a acreditar que eram mais brilhantes que a média. Alguns ficam chocados quando descobrem na universidade que estão cercados por outros estudantes brilhantes e não estarão mais no topo", diz a brasileira Denise Oliveira. Ela pode falar de cátedra. Passou por três universidades da Ivy League: fez Direito em Harvard, Jornalismo em Cornell e mestrado em Jornalismo em Columbia.   Para ser aceito em Princeton, onde Albert Einstein lecionou, é preciso ter acertado quase tudo no SAT (espécie de Enem americano), recebido só notas A na escola e ficado entre os 5% melhores da classe na high school (equivalente ao nosso ensino médio). O candidato precisa ter destaque em atividades extracurriculares, sejam elas tocar piano ou praticar esportes. As competições, aliás, estão na origem da Ivy League, nome de uma liga esportiva que reunia as oito universidades. Harvard, a primeira, é de 1636. As outras surgiram ainda no século 17.   É nessas instituições que os americanos formam boa parte da sua elite intelectual. E os donos do poder. O presidente Barack Obama estudou Ciência Política em Columbia e Direito em Harvard. A primeira-dama, Michelle, é ex-aluna de Princeton e Harvard. A secretária de Estado, Hillary Clinton, conheceu em Yale o ex-presidente Bill Clinton. Os ex-presidentes George e George W. Bush fizeram Yale.   "Entrar numa dessas escolas prova que você é um aluno superior, não uma pessoa superior", diz a americana Christine Puleo, formada em Jornalismo em Dartmouth com pós-graduação em Columbia. Ela e Denise concordam num ponto. A Ivy League não é sinônimo de sucesso profissional. "Para estudantes de Direito, o ideal é estar em uma das top 10 americanas, e só 5 delas são Ivy League", diz Denise.   Sucesso à parte, a vida de um aluno da Ivy League pode ter momentos inesquecíveis. O irmão de Denise assistia à aula em Princeton um dia, em 1994, quando John Nash, gênio da matemática cuja vida inspirou o filme Uma Mente Brilhante, entrou na sala e contou ao professor que tinha ganho o Nobel de Economia.   Muitas vezes, nem prêmios alteram a rotina. Em Columbia, numa manhã de 2006, só nove alunos acordaram para ouvir Edmond Phelps, na primeira aula depois do anúncio de que ele recebera o Nobel de Economia. O mesmo aconteceu em Princeton no ano passado. Boa parte dos alunos esnobou a primeira aula pós-Nobel do economista-celebridade Paul Krugman.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.