Escolas privadas não têm índices altos de pedidos de demissão de professores

Diagnóstico é de entidades que representam a rede privada e professores; Como o 'Estado' revelou, média de demissões é de 3 mil por ano na rede estadual de São Paulo

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2013 | 20h16

As escolas particulares de São Paulo, e do Brasil em geral, não têm registrado altos índices de pedidos de demissão. O diagnóstico é de entidades que representam a rede privada e também professores.

No domingo, dia 1, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que a cada dia, oito professores concursados desistem de dar aula nas escolas estaduais paulistas e se demitem. A média de pedidos de exoneração foi de 3 mil por ano, entre 2008 e 2012. Salários baixos, pouca perspectiva e más condições de trabalho estão entre os motivos para o abandono.

Segundo a presidente da Federação Nacional de Escolas Particulares (Fenep), Amábile Pacios, são isolados os casos de professores que se demitem. Seja para migrar para a rede pública ou mesmo para largar a docência. “A rede particular não sofre com esse problema porque as escolas têm, em geral, planos de carreira e as condições de trabalho são melhores”, diz ela. “Apesar de também haver dificuldades em várias regões, as regras nessas unidades costumam ser mais claras, os professores se sentem mais protegidos.”

A Fenep representa cerca de 75% das escolas em 19 Estados do País, em torno de 3,6 mil instituições. Como nunca houve uma preocupação sobre a perda de profissionais, a entidade jamais realizou estudo sobre demissões na rede particular, segundo Amábile. A professora afirma que as médias salariais costumam ser um pouco maiores nas privadas, mas esse não é, em geral, o motivo para que docentes prefiram às particulares às públicas. “A avaliação é de que a culpa é mais de condições do que de salários.”

Também não há registro de fuga de professores na rede particular de São Paulo. Segundo indica o professor José Augusto de Mattos Lourenço, do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieesp), a média salarial é bem parecida na rede pública particular. “A questão é mais de gestão”, diz ele sobre os professores que preferem instituições privadas. “A rede municipal de São Paulo, por exemplo, às vezes paga bem mais do que na particular.”

Os altos índices de exonerações também são registrados nas escolas ligadas à Prefeitura de São Paulo, de acordo com dados obtidos pelo Estado. As escolas paulistanas têm média de 782 exonerações por ano desde 2008 - duas demissões por dia. Entretanto, proporcionalmente ao tamanho das redes, o índice no Estado é duas vezes maior. A capital ainda conseguiu ao longo dos anos ampliar em 12% o número de efetivos, enquanto a rede estadual tem 10 mil concursados a menos do que em 2008. O Piso salarial na cidade é de R$ 2,6 mil, contra R$ 2,25 mil no Estado.

As escolas privadas não estão deslocadas, entretanto, da realidade que atinge a carreira docente. Há dificuldades de encontrar professores nas áreas de matemática, física e química, como ocorre em todo País. “As escolas têm enfrentado esse déficit. Porque a profissão não é atrativa, a carga horária é muito grande e as dificuldades também são enormes”, diz o secretário-geral do Sindicato dos Professores (Sinpro-SP), Walter Alves. Presidente da Fenep, Amábile Pacios comenta que a situação é grave. “Preocupa-nos a questão de diminuição de formação de professores. Cada vez menos brasileiros estão querendo ser professor.”

A reportagem do domingo mostrou que o o número de ingressantes em cursos de licenciatura e Pedagogia está caindo. De 2006 a 2011, o número de alunos que entraram nesses cursos caiu 7,5%. Em 2011, último ano em que os dados estão disponíveis, foi registrado o menor volume de pessoas que ingressaram nesses cursos desde 2004. Foram 662 mil matriculados em cursos presenciais e na modalidade a distância em todo País.

Segundo a secretaria estadual de Educação de São Paulo, 260 mil professores participaram no último concurso para ingressar na rede. Entretanto, dados obtidos pela reportagem mostram que, apesar 34 mil nomeações realizadas desde 2011, a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) só conseguiu ampliar em 1,5 mil o número de docentes concursados na rede estadual.

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