Escolas particulares investem em ensino integral e oferecem de robótica a empreendedorismo

Escolas particulares investem em ensino integral e oferecem de robótica a empreendedorismo

Número de matrículas na rede particular de SP para o ensino fundamental integral cresceu 77% de 2010 para 2013

Bárbara Ferreira Santos e Guilherme Soares Dias, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2014 | 03h00

 

As matrículas em educação integral nas escolas particulares de São Paulo cresceram 77% em apenas três anos no ensino fundamental. Segundo dados do Censo Escolar da Educação Básica, do Ministério da Educação, o número de alunos matriculados no Estado nessa etapa de ensino saltou de 29.256 em 2010 para 51.869 em 2013 (último levantamento publicado pelo governo federal). 

Com mais tempo de aula e professores com dedicação exclusiva, as escolas de ensino integral incluem matérias que vão além do currículo escolar comum e aproveitam o contraturno para focar em habilidades do século 21 - como empreendedorismo e robótica. Também investem em uma educação personalizada, criando disciplinas de acordo com as demandas dos alunos. 

Para a educadora e doutora em Educação pela PUC-Rio Andrea Ramal, no entanto, não basta a escola oferecer mais aulas, é preciso ter um planejamento estratégico da grade de estudos. “O aluno precisa ter espaço para descansar, horário de estudo e de fazer tarefas, além de lazer. Todos esses tempos devem ser cuidadosamente planejados”, considera. Segundo ela, é importante ainda adaptar o espaço físico para atender a todas as demandas. “Não é só colocar mais horas de ensino, precisa ter salas de leitura, locais de esporte e lazer”, aponta. 

Com tantas cobranças extras, muitos pais indagam: tem idade mínima para colocar o aluno em uma escola de tempo integral? Para Andrea, essa escolha é positiva em qualquer idade. “Desde a educação infantil até o ensino médio, permite enriquecer e diversificar o currículo”, explica. “Na escola tradicional, há uma prisão muito grande das disciplinas básicas”, afirma. 

A especialista ressalta, no entanto, que o aumento do horário escolar deve vir acompanhado da diversidade de conteúdo. “É preciso ter um currículo atraente, mais inclusivo e atrativo, garantindo renovação do modelo atual.”

Agricultura. No Colégio Termomecanica, uma escola em tempo integral gratuita mantida pela Fundação Salvador Arena, em São Bernardo do Campo (SP), os alunos começam desde cedo a ter um currículo diverso. Nessa escola, do 1.º ao 3.º ano do ensino fundamental, as crianças já têm, por exemplo, aulas de agricultura. 

Nas aulas as crianças aprendem sobre o plantio e a adubagem de plantas e consomem os alimentos que elas próprias plantam, além de acompanharem a extração de leite e a criação de bovinos. “O objetivo não é formar técnicos agrícolas. É conscientizar o aluno de que ele faz parte de um meio e que as atitudes dele vão influenciar esse meio”, explica o professor da disciplina, Gilberto Santos Filho. 

Felipe Siqueira dos Santos, de 8 anos, do 3.º ano, por exemplo, ensinou os pais como fazer adubo na horta de casa. “O adubo fortalece a planta, porque tem nutrientes e material orgânico”, explica ele, animado. A colega de Santos, Ana Beatriz Barros Silva, de 9 anos, aprendeu nas aulas a como mexer com a terra. “A gente já plantou alface, almeirão e alcachofra. Alguns desses alimentos foram selecionados para o nosso almoço”, conta. 

Já no ensino fundamental 2 (do 6.º ao 9.º ano), os alunos têm aulas de robótica e aprendem a fazer programação. Na disciplina, eles criam os próprios robôs em equipes e podem participar da competição anual de robótica da escola. Cassia Lyra, de 13 anos, do 8.º ano, gostou tanto das aulas que começou a fazer oficinas extras de robótica. Com conhecimento avançado, ela não pode competir - mas se tornou tutora de alunos até mais velhos. 

Por mais de uma hora, quatro vezes por semana, ela ainda treina para competições nacionais e internacionais. “Meu sonho é fazer Mecatrônica. Antes achava isso encantador, mas estudava em escola pública e não podia fazer ”, conta. 

No Colégio Faap, em Higienópolis, na região central de São Paulo, as aulas de robótica são oferecidas em parceria com a faculdade homônima - que pertence à mesma fundação. Lá, os 200 alunos do ensino integral recebem ainda preparação para a universidade e para o mercado de trabalho. “Recebíamos muitos alunos na faculdade com carência de habilidade intelectual e postura. Então, passamos a oferecer o ensino médio para prepará-los para essa etapa”, explica o diretor Henrique Vailati.

O contraturno das aulas na escola é usado para trabalhar habilidades como empreendedorismo e inovação, além de aulas extras de inglês e português. Com a preparação, muitos acabam indo estudar no exterior. “Essas são habilidades pedidas pelas universidades estrangeiras”, reforça Vailati.

Para Gabriel Ribeiro, de 19 anos, que cursa o 3.º ano no colégio, as aulas do período integral já propiciam ambiente universitário. O pai de Gabriel, o advogado Nelson Ribeiro, de 62 anos, afirma que a escolha do período integral é fundamental para distribuir o tempo. “É um preparo para a vida adulta”, diz.

Crescimento. O aumento do ensino integral na rede particular é bem maior que o registrado na pública. Na rede estadual paulista, as matrículas cresceram apenas 19,7%, de 2010 a 2013, passando de 84.951 para 101.724 no fundamental. Nas redes municipais, cresceu 45,6%: de 127.535 para 185.755 do 1.º ao 8.º ano.

Só o Estado é responsável por mais da metade (56%) das matrículas na rede particular do fundamental no País. São Paulo tem mais matrículas que as Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul - juntas, elas têm 29.682. Na Região Sudeste, São Paulo é responsável por 82,4% das matrículas do fundamental na educação integral das instituições privadas.

Serviço:

Colégio Termomecanica

Estrada dos Alvarengas, 4.001, São Bernardo do Campo (SP)

Grátis

Colégio Faap

Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo

R$ 3,7 mil mensais

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