RAFAEL ARBEX/ESTADÃO
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Escolas ocupadas põem alunos em prédio emprestado

Direção da Diadema vai usar salas de colégio particular para fechar ano; em outro caso, estudantes foram enviados para Etec a 4 km

Felipe Resk, Isabela Palhares e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

17 Dezembro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Alunos matriculados em escolas que estão ocupadas, mas que não participam das invasões, terão aulas em prédios emprestados, para que consigam concluir o ano letivo. A medida tem o aval da Secretaria de Estado da Educação (SEE), que autorizou as diretorias de ensino a decidir, caso a caso, a melhor forma de retomar a rotina. Até agora, dois colégios aderiram à proposta.

A reposição para alunos do ensino fundamental 1 (do 1.º ao 5.º ano) da escola Diadema, no ABC paulista, começou nesta quarta-feira, 16, no colégio particular Alexandre Dumas, a 900 metros da unidade do Estado. Pais dos alunos foram convidados a opinar sobre a melhor saída e decidiram seguir para o prédio emprestado. 

Ocupada há 37 dias, a Diadema foi a primeira escola tomada pelos estudantes contrários à reorganização da rede no Estado. Não há previsão de quando o prédio será entregue. Até esta quarta, segundo a Secretaria da Educação, 55 colégios seguiam invadidos por alunos. No auge dos protestos, foram contabilizadas 196 invasões. A mudança da rede foi suspensa pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e deve ser rediscutida em 2016.

“Já não dava mais para ficar sem nenhuma definição, os pais pressionaram a direção para que acabasse logo o ano e as crianças não fossem prejudicadas”, disse Eliana, mãe de uma aluna do 5.º ano, que não quis informar o sobrenome. 

De acordo com funcionários da escola particular, os alunos da rede estadual foram alocados em cinco salas e podem ter aulas até o dia 23. Nesta quarta, primeiro dia de reposição, muitos faltaram porque alguns pais não teriam sido avisados da mudança, segundo os funcionários. 

Para os estudantes do fundamental 2 e médio ainda não há definição sobre a reposição, segundo a secretaria, porque o prédio emprestado não comportaria o reforço. Esses alunos ainda dependem da desocupação da unidade.

Os jovens que mantêm a ocupação da Diadema se preparam para deixar o prédio nos próximos dias. Na tarde desta quarta, eles pintavam muros com material que encontraram guardado. “Tivemos nossa primeira vitória, que foi a suspensão da reorganização. Vamos recuar um pouco agora e voltar com força total no ano que vem, mais embasados, com estudos e propostas melhores do que a do governo”, disse o aluno Cauê Silva Albuquerque, de 17 anos.

Na Escola Técnica Parque da Juventude, em Santana, na zona norte, única do gênero ainda tomada pelos estudantes, as aulas foram transferidas para outra escola técnica – a Etec Santa Ifigênia, que fica a cerca de quatro quilômetros do edifício ocupado. 

Os alunos têm sido avisados informalmente da transferência, uma vez que seus dados cadastrais estão no interior da escola ocupada. 

No colégio temporário haverá horário estendido – das 7h30 às 18 horas – e as aulas serão realizadas até a próxima semana, incluindo um sábado. Foi sugerido aos alunos que levassem lanches frios para passar o dia, pois a unidade dispõe de apenas um micro-ondas.

Responsabilidade. O governador Geraldo Alckmin afirmou nesta quarta que os alunos podem ser responsabilizados por eventuais casos de vandalismo nas escolas ocupadas.

Desde que suspendeu a reorganização da rede, Alckmin afirma repetidamente que os estudantes não têm mais motivos para continuar com as ocupações. A expectativa do governo é de que eles deixem todas as unidades até o fim de semana. “Quem não acabar está dando um péssimo exemplo, colocando em risco o patrimônio público e pode ser responsabilizado por tudo que desaparecer na escola. Não tem nenhuma razão mais: é uma coisa sem causa.”

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