Werther Santana/ESTADÃO
Werther Santana/ESTADÃO

Escolas municipais e privadas de São Paulo fecharão até a Páscoa

Prefeitura determinou a paralisação das aulas presenciais a partir de quarta-feira; rede municipal terá recesso

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2021 | 11h39
Atualizado 12 de março de 2021 | 19h51

As escolas municipais e particulares terão de paralisar as atividades presenciais de quarta-feira até o dia 1º de abril, segundo anunciou a Prefeitura, por causa da piora da pandemia na cidade. A rede municipal adiantará o recesso de julho, seguindo medida semelhante anunciada pelo Estado. As escolas particulares podem dar férias ou continuar com ensino remoto. A volta está autorizada para 5 de abril, depois do feriado de Páscoa.

O secretário municipal de Educação, Fernando Padula, disse que as escolas da Prefeitura estarão abertas na segunda e na terça-feira para explicar sobre o fechamento e oferecer merenda. Mas ele pediu que quem puder já fique em casa desde segunda. "A expectativa é que em julho a situação esteja muito melhor e teremos aula presencial, por isso a opção de adiantar o recesso", explicou Padula. "A rede privada pode adotar outra saída, mas não pode ter aula presencial a partir do dia 17", completou o prefeito.

No segundo semestre de 2020, a gestão de Bruno Covas também foi responsável por impedir que as escolas públicas e privadas voltassem a dar aulas presenciais, mesmo tendo autorização do Estado. Só foram permitidas atividades extracurriculares.

Neste ano, Covas mudou o secretário de Educação e colocou no cargo Fernando Padula, com experiência de anos na administração da rede estadual e amigo do prefeito. Padula é um defensor das escolas abertas e durante as negociações demonstrou sua preocupação em um fechamento prolongado da rede. Para ele, era importante que fosse dada uma data de volta para aulas presenciais.

As escolas municipais hoje têm cerca de 1 milhão de alunos, em creches, escolas de educação infantil, fundamental e pouquíssimas de ensino médio. É a maior rede municipal do País. Este mês, o sindicato dos professores decretou greve, se dizendo contra a volta presencial. Mesmo assim, muitas escolas reabriram e funcionavam até esta sexta-feira.

De acordo com a Prefeitura, houve 500 surtos de síndrome gripal nas escolas municipais na última semana. Os surtos são caracterizados quando há dois ou mais casos de síndrome gripal na escola. Na semana do dia 14 a 20 de fevereiro, o número de surtos era de 173; entre os dias 21 e 27 de fevereiro, foram 181 surtos. 

Nesta quinta-feira, por causa da piora na pandemia, a rede estadual antecipou os recessos de abril e outubro para este mês, entre 15 e 28 de março. Neste período, as escolas estarão abertas exclusivamente para oferecer alimentação e distribuir materiais e chips (mediante agendamento prévio).

Mas em coletiva de imprensa o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, sugeriu que as redes públicas municipais seguissem a decisão do governo.“Nós recomendamos para todos os municípios e redes privadas, atividades sejam realizadas aquilo que seja realmente necessário. Se puder fazer à distância, faça à distância."

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), determinou que todo o Estado estará em "fase emergencial" entre a próxima segunda-feira, 15, e 30 de março. A nova classificação prevê restrições a 14 atividades, impactando cerca de 4 milhões de trabalhadores formais diariamente, de acordo com o governo. Entre elas, está a suspensão do funcionamento presencial de lojas de construção e de eletrônicos, a realização de celebrações religiosas coletivas e de partidas de futebol, a obrigatoriedade de home office para escritórios e o fechamento de órgãos públicos.

A decisão de Covas de suspender as aulas presenciais nas escolas desagradou o sindicato dos colégios particulares. "O que podemos fazer é nos indignar e falar para ele (Bruno Covas) arrumar um lugar para deixar essas crianças, pegar os filhos dos profissionais de saúde e levar para a casa dele porque eram essas crianças que queríamos atender", disse o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de São Paulo (Sieeesp), Benjamin Ribeiro. 

Ribeiro teme que, com a suspensão das atividades presenciais nas escolas, as famílias acabem buscando soluções arriscadas como as chamadas "mães crecheiras", mulheres que tomam conta de crianças, mas não têm formação para essa atividade. Ele também diz que escolas de educação infantil podem ter queda de matrículas com a decisão. "Na educação infantil, se a escola para as aulas perde alunos."

Já Luiz Antonio Barbagli, presidente do Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), entende que a Prefeitura "agiu de forma correta" ao fazer a suspensão das atividades presenciais nas escolas particulares diante de um cenário grave de contaminações pela covid-19. "O que o governo do Estado não fez ontem, ele (Bruno Covas) fez hoje. 

Barbagli se refere ao fato de que o governo João Doria (PSDB) determinou um recesso na rede estadual, mas manteve o aval para que as escolas particulares em todo o Estado continuassem funcionando. Barbagli teme aumento de contaminações e mortes de professores com a manutenção das aulas presenciais. / COLABOROU JÚLIA MARQUES

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