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David Nusbaum, aluno do 3.º ano do ensino médio do Colégio Poliedro JF DIORIO/ ESTADÃO

Escolas e cursinhos já pensam no Enem digital

Instituições usam recursos tecnológicos aliados ao conteúdo tradicional para preparar alunos para a mudança do modelo em papel

Brida Rodrigues, especial para o Estado

24 de setembro de 2019 | 05h00
Atualizado 25 de setembro de 2019 | 12h54

A aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2019 custará R$ 500 milhões, segundo o Ministério da Educação (MEC). Além da impressão, há a logística de distribuição e recolhimento das provas pelo País. Essa realidade começa a mudar em 2020, com a aplicação do exame digital para 50 mil alunos. A cada ano, o número de estudantes aumentará, até a aplicação do modelo digital para todos em 2026.

Mudanças exigem tempo de adaptação, e os colégios de São Paulo já estão pensando na preparação dos alunos para essa nova prova, usando recursos tecnológicos aliados ao conteúdo tradicional. Tecnologias como lousas digitais interativas, salas de informática de última geração e laboratórios equipados se tornaram comuns em escolas privadas.

“Há décadas, o Objetivo é adepto do uso do digital em seu ensino e, portanto, a mudança do Enem estará inserindo o aluno em uma prática que ele já vivencia”, diz Vera Antunes, coordenadora pedagógica do colégio.

O Objetivo possui sala de robótica, rádio e TV, e os estudantes têm acesso a conteúdos e tarefas diárias online.

O Colégio Rio Branco também usa sistemas online tanto para estudo quanto em exames.

“Uma boa formação pressupõe o preparo para diferentes desafios. Além do uso de plataformas digitais para o trabalho dos alunos do fundamental e do médio, a prática com provas digitais também favorece os estudantes”, diz Ana Carolina Carmo Han, coordenadora de Projetos e do Pré-universitário da instituição.

No 3.º ano do médio, a escola trabalha com a plataforma Ari de Sá (SAS), que dá suporte digital ao aluno por meio de navegação personalizada, com base em seus resultados em simulados. Além disso, a escola trabalha com inteligência de dados com a plataforma Eduqo, para a geração de informações que possam ser usadas posteriormente.

“O Enem digital segue uma tendência mundial. O SAT (Estados Unidos) e o Gaokao (China), grandes exames de admissão no ensino superior, já usam esse formato, além do impresso”, afirma Ademar Celedônio, diretor de Ensino e Inovações Educacionais do SAS, que oferece a cerca de 780 escolas a ferramenta Tarefa On-line, com questões de todas as disciplinas. “O formato digital é mais facilmente absorvido pelos jovens do século 21, por causa da forte inserção de telas nessa geração”, diz.

Desafios

Para a coordenadora do Rio Branco, diante dos desafios da Base Nacional Comum Curricular e da reforma do ensino médio, saber o que será do Enem a partir dessas novas diretrizes é o que tem mais relevância.

“O Enem digital não significa necessariamente a ruptura com outras formas de avaliação, e implicações pedagógicas precisam ser consideradas com critério. Esse é um tipo de avaliação, com um suporte de mídia digital. Atualmente, tem se percebido novas e diferentes formas de avaliar candidatos ao ensino superior, indo além de provas de múltipla escolha.”

Giba Alvarez, diretor do Cursinho da Poli e presidente da Fundação PoliSaber, lembra que a tecnologia é o meio, e não o fim. E completa: “Além disso, deve-se respeitar as especificidades. As metodologias para online são diferentes das presenciais. Gravar uma aula e pôr na rede não resolve porque desrespeita o estudante. Se mudar o formato da aula, necessariamente terá de mudar a metodologia”. 

Ele defende processos híbridos, com uso de tecnologia para atingir os objetivos estabelecidos no planejamento de aula, complementando explicações presenciais.

“Os recursos tecnológicos chegaram para ficar. O importante é usá-los da melhor forma possível”, diz. “Essas tecnologias ajudam, e muito, como complemento das atividades presenciais. Diminuem custos e possibilitam o atendimento de várias pessoas ao mesmo tempo.”

O Colégio Palmares também trabalha com os dois juntos.

“O Palmares trata essa mudança de forma gradativa, inserindo a tecnologia no dia a dia com pequenas avaliações digitais, sem deixar de lado o modo tradicional do papel”, afirma Edson D’Addio, diretor do Colégio Palmares, lembrando que a escola não capacita o aluno para fazer um exame específico, e sim para todas as formas possíveis de avaliação.

“Hoje treinamos com simulados impressos, grifando os textos e realizando cálculos, marcações e anotações na própria prova, o que será inviável no novo modelo”, acredita David Nusbaum, aluno do 3.º ano do ensino médio do Colégio Poliedro. “O Enem já é uma prova cansativa, com muitos textos longos, o que exige uma grande capacidade de concentração e foco do candidato. Executar essas tarefas em uma tela de computador torna a prova mais cansativa ainda”, afirma o jovem.

O coordenador do Poliedro Campinas, Vitor Ricci, lembra que essa cultura digital ainda tem de ser criada, mesmo que os jovens tenham um contato frequente com a tecnologia em casa ou na escola - no Poliedro, por exemplo, desde o fundamental o aluno já tem contato com o tablet.

“Considerando que os alunos estão treinados desde o fundamental até o pré-vestibular para fazer uma prova no papel, que é um jeito totalmente diferente do que no computador, tudo isso precisa ser muito bem pensado. Temos de entender como vai funcionar. Só assim vamos trazer essa realidade para os alunos.”

Segundo Ricci, a perspectiva do exame digital causou certo receio nos alunos, ainda mais por ele abrir várias oportunidades pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que leva em conta as notas do Enem para o ingresso em universidades de todo o País.

“Porque é algo novo e também por eles não saberem se tudo vai correr bem durante prova, se não terão nenhum tipo de problema com o computador, com a rede”, conta. “Tudo isso causa insegurança em uma situação na qual eles já estão nervosos com os vestibulares, com o resultado de uma prova que tem um peso muito grande para eles ao longo do ano.”

Interatividade

Conexão estável e disponibilidade de computadores em larga escala para a realização do Enem digital são outros desafios a serem enfrentados, de acordo com os entrevistados. Em contrapartida, a tecnologia promove práticas sustentáveis e abre novas possibilidades nas questões.

“A longo prazo, o Enem digital é uma excelente proposta, pois representará uma economia nas impressões da prova e maior interatividade durante o exame, a partir do uso de recursos audiovisuais”, acredita Vinícius Ramos Tessari, estudante do curso Etapa.

Segundo Marcelo Dias, coordenador do Etapa, o novo modelo do exame terá resultados significativos se as escolas se modernizarem em termos de tecnologia e formação de professores.

“Há a possibilidade de customização do exame de acordo com a área de formação do estudante e ainda é possível tornar a prova mais moderna a partir do uso de recursos como vídeos, infográficos animados, gamificação e inteligência artificial, por exemplo. Essas ferramentas poderão enriquecer os enunciados da prova”, afirma.

ENTENDA O QUE ESTÁ PREVISTO

O piloto do Enem digital tem sua primeira aplicação prevista para 2020. Apenas 50 mil pessoas, residentes do Distrito Federal e de 14 capitais - entre elas, São Paulo e Rio de Janeiro -, vão fazer o exame na nova modalidade já no próximo ano.

Inscrição

Os participantes terão a opção de escolher entre o formato digital e a prova tradicional. Por ordem de inscrição, as 50 mil pessoas que optarem pela prova online serão selecionadas. As demais farão o exame em papel.

Exame

Segundo o MEC, os participantes realizarão os cadernos de disciplinas da prova e a redação online em uma plataforma criada pelo Inep. A prova digital será aplicada só em postos autorizados pelo MEC. O candidato terá de ir até uma escola ou universidade conveniada ao Inep para realizar o Enem no novo formato. Portanto, não será possível fazer as provas com um computador particular. As datas do exame online também serão diferentes: o Enem digital ocorrerá em 11 e 18 de outubro de 2020, enquanto as provas em papel serão realizadas nos dias 1º e 8 de novembro.

Resultado

Com a eliminação dos cartões-resposta e folhas de Redação, toda a prova do candidato estará computadorizada, acelerando a correção.

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Confira a lista de temas que mais caíram na Fuvest e no Enem

Levantamento do conteúdo dos últimos dez anos foi feito pelo SAS Plataforma de Educação

Brida Rodrigues, especial para o Estado

24 de setembro de 2019 | 05h00

SÃO PAULO - O que mais cai na Fuvest e no Enem? A dúvida pode ter resposta no levantamento feito pelo SAS. A plataforma de educação reuniu os assuntos mais cobrados de 2009 a 2018 - leia mais abaixo.

Português

O Enem foca muito mais em questões de interpretação de texto do que Literatura ou Gramática. Ademar Celedônio, diretor de Ensino e Inovações Educacionais do SAS, acredita que na prova também possa ser pedida a análise de obras literárias clássicas, como as de Machado de Assis ou dos escritores da geração de 1922. Em todas as edições do Enem, o autor mais citado é Carlos Drummond de Andrade, o que inclui o escritor entre as apostas certeiras.

“É necessário atentar-se ao estudo dos gêneros textuais, como artigo, editorial, notícia e resenha, pois questões sobre esses formatos tendem a ser mais técnicas”, diz Celedônio. “Textos que falem das mídias sociais e da influência da mídia na sociedade não serão surpresa, já que o debate sobre tecnologias digitais e novos meios de comunicação no dia a dia está em voga não é de hoje.”

Na Fuvest, questões que exigem interpretação de textos são as mais recorrentes, com textos jornalísticos e das obras literárias indicadas para o vestibular.

“Por a Fuvest trabalhar com a lista de leitura obrigatória, há grande quantidade de questões que abordam os movimentos literários dos quais fazem parte essas obras”, diz Caê Lavor, gerente executivo de Avaliações e Conteúdo Digital do SAS. “Esses dois temas preenchem quase 70% das questões de Língua Portuguesa que a Fuvest já trouxe em seu vestibular.”

Matemática

De acordo com Celedônio, no Enem é muito mais provável o aluno se deparar com geometria ou aritmética básica do que matriz. Com base nos últimos anos, porcentagem, cálculo de juros, análise de gráficos e tabelas podem dominar a prova. Funções, análise combinatória e probabilidade estão entre os poucos assuntos do ensino médio que caem no exame.

Se o Enem traz situações-problema para incluir os conteúdos, a Fuvest usa questões mais diretas, testando o conhecimento do aluno sobre os conteúdos. “Trigonometria e Geometria são os assuntos mais abordados e trazem conceitos que o aluno vê desde o ensino fundamental, culminando com certo aprofundamento no ensino médio”, explica Lavor. “Funções é um conteúdo que também aparece bastante na Fuvest, na mesma frequência que no Enem.”

Fuvest

Confira temas mais abordados na seleção da USP entre 2009 e 2018, segundo levantamento feito pelo SAS Plataforma de Educação

Biologia

  • Ecologia
  • Fisiologia animal e humana
  • Reino vegetal
  • Citologia
  • Genética

Química

  • Química Geral
  • Físico-Química
  • Química Orgânica
  • Atomística
  • Bioquímica

Física

  • Mecânica
  • Eletricidade
  • Termologia
  • Óptica
  • Ondulatória

Geografia

  • População
  • Geopolítica
  • Questões ambientais
  • Relevo
  • Agropecuária

História

  • Mundo contemporâneo
  • Sistema Colônia
  • Mundo moderno
  • República Oligárquica
  • Antiguidade clássica

Português

  • Interpretação textual
  • Movimentos literários
  • Léxico
  • Teoria literária
  • Morfologia

Matemática

  • Trigonometria
  • Geometria plana
  • Geometria espacial
  • Funções
  • Geometria analítica

ENEM

Outra compilação realizada pelo SAS Plataforma de Educação, com dados de 2009 a 2018, mostra o que mais caiu nas provas

Biologia

  • Humanidade e ambiente
  • Citologia 
  • Fisiologia
  • Biotecnologia
  • Fundamentos da ecologia

Química

  • Físico-Química 
  • Química geral
  • Química orgânica
  • Meio ambiente
  • Energia

Física

  • Mecânica 
  • Eletricidade e energia
  • Ondulatória
  • Termologia
  • Óptica

Geografia

  • Geografia agrária
  • Meio ambiente
  • Questões econômicas e globalização
  • Geografia urbana
  • Geografia física

História

  • Idade Contemporânea
  • Brasil Colônia 
  • Brasil Império
  • História política
  • Patrimônio histórico-cultural e memória

Português

  • Leitura e interpretação de textos
  • Estrutura textual e análise de discurso
  • Leitura e artes
  • Gênero textual
  • Literatura

Matemática

  • Geometria 
  • Aritmética
  • Escala, razão e proporção
  • Funções
  • Gráficos e tabela

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Entenda as diferenças entre as redações do Enem e da Fuvest

Textos escritos no Enem e na Fuvest têm abordagem e formato bem distintos; estar bem informado ajuda nos dois exames

Brida Rodrigues, especial para o Estado

24 de setembro de 2019 | 05h00

SÃO PAULO - Redação causa insegurança em muitos vestibulandos, preocupados em cumprir as exigências para uma boa nota. Para quem vai prestar Enem e Fuvest, a preparação precisa ser específica, pois cada prova tem suas particularidades.

Segundo o professor de Redação, Felipe Leal, do Anglo Vestibulares, as principais diferenças entre os dois textos giram em torno dos assuntos cobrados e dos tipos de conclusão. “Os temas da Fuvest costumam ser mais gerais e filosóficos. De modo geral, têm relação com discussões da Sociologia e da Filosofia contemporâneas. Já os temas do Enem se referem a problemas presentes na realidade brasileira, especialmente no que se refere a direitos garantidos pela Constituição”, explica o professor.

Para uma boa dissertação, é necessário estar bem informado sobre assuntos da atualidade. “Tenho buscado ler muito os jornais, principalmente os editoriais”, conta Thiago Tertuliano, aluno do Objetivo que tenta uma vaga em Medicina. “Também sempre estou em contato com as notícias e busco estar a par dos acontecimentos que podem ser cobrados pelos vestibulares na Redação.”

No Enem, temas relacionados às questões culturais, memória e cidadania têm chances de aparecer, bem como assuntos de ecologia, sustentabilidade e energias renováveis. “A base é sempre a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o uso racional dos recursos ambientais para se pensar em um futuro mais respeitoso e digno”, afirma Gabriela de Araújo Carvalho, coordenadora de Redação do Curso Poliedro.

Ela recomenda ainda o estudo de acentuação, pontuação e concordância, além de atenção à norma culta. “É preciso evitar as marcas de oralidade, as expressões informais usadas no cotidiano.” 

No Enem, proposta de intervenção aumenta nota 

Treino semanal

Toda semana faça um texto dissertativo. “É essencial praticar as redações de temas de anos anteriores. Assim, o aluno conhecerá o perfil da prova”, diz Gabriela de Araújo Carvalho, coordenadora de Redação do Poliedro. “É fundamental treinar o tempo, assim como se habituar ao limite de 30 linhas.”

Visão geral da prova 

Na prova, separe 15 minutos para ler a proposta da redação e 45 minutos para escrever o texto no fim. “Assim, é possível refletir mais sobre o tema, além de eventualmente aproveitar algum conteúdo das questões que possa estar relacionado ao tema”, explica Felipe Leal, professor de Redação do Anglo.

Ideias de solução

As propostas de intervenção representam 1/5 da nota de Redação no Enem, ou 200 dos mil pontos totais. “Procure identificar problemas relacionados ao tema, demonstre suas causas ao longo do texto e, na conclusão, apresente propostas que se relacionem com esses problemas e causas”, ensina Leal.

Repertório amplo

“Utilizar citações da música e literatura nacional pode ajudar o estudante a fazer uma analogia ao tema e elaborar uma boa argumentação”, explica Gabriela. O professor do Anglo indica ainda que o uso do conhecimento obtido em outras disciplinas ao longo do texto de Redação: “Citações de História e Geografia são muito bem-vindas”.

Fuvest valoriza estilo próprio e referências

Abordagem analítica

“Diferentemente do Enem, a Fuvest não apresenta um problema a ser resolvido, mas em geral uma situação a ser observada”, explica Gabriela de Araújo Carvalho, coordenadora de Redação do Poliedro. Pense em possíveis causas e consequências para desenvolver no texto.

Estilo original

Evite fórmulas ou modelos de redação. “O tipo de texto e o perfil de correção da Fuvest valorizam a originalidade tanto na abordagem quanto no estilo”, ressalta Felipe Leal, professor de Redação do Anglo.

Citações de autores

Use citações porque elas têm força argumentativa e demonstram um amplo repertório cultural. Autores como Zygmunt Bauman e Byung-Chu Han ajudam a compreender os temas tradicionalmente formulados pela Fuvest, diz Leal.

Exemplos atuais

Transforme o caráter abstrato ou filosófico dos temas em algo mais palpável. “Para se posicionar e comentar de forma mais clara, é interessante começar elencando exemplos concretos da atualidade e da história”, afirma o professor do Anglo.

Bom encadeamento

Mantenha um fio condutor interessante. “Saiba o que pretende defender e como conduzirá o leitor pelo seu raciocínio”, recomenda Gabriela, do Poliedro. “O texto precisa ser sintetizado de forma atraente, contribuindo para sua coerência”, conclui Leal.

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USP abre novas portas para o ingresso, mas Fuvest ainda exige resistência

Uma das formas de entrar na disputada universidade, exame cobra conteúdo e equilíbrio físico e mental

Brida Rodrigues, especial para o Estado

24 de setembro de 2019 | 12h00

Por 40 anos para entrar na Universidade de São Paulo (USP) havia apenas o exame da Fuvest. Em 2016, a universidade passou a aceitar o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que considera as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Na edição passada, a Fuvest fez mudanças significativas, que vão da inscrição por cotas a menos um dia de prova. Agora, a universidade tem outra novidade: as vagas destinadas a estudantes classificados em olimpíadas acadêmicas nacionais e internacionais.

Apesar do aumento nas portas abertas para a USP, o exame da Fuvest ainda exige resistência física e mental, além de muito conhecimento teórico.

“As mudanças não mudam o estilo da prova e das questões, quando comparamos com as provas anteriores. Portanto, o modo de preparação se mantém”, explica Giba Alvarez, diretor do Cursinho da Poli e presidente da Fundação PoliSaber. “A Fuvest exige um bom conhecimento das disciplinas. É fundamental que o aluno estude, faça simulados para saber o estilo das questões, faça redação desde já e resolva integralmente as provas dos últimos cinco anos pelo menos.”

Desde a edição passada do exame, algumas novidades estão valendo no vestibular da USP: a inscrição por modalidades (para estudantes de escolas públicas e cotas raciais), a tecnologia de reconhecimento facial dos alunos nos dias de prova, a extinção da reescolha e o fim da prova de conhecimentos gerais na segunda fase.

“A prova não ficou mais ou menos difícil, apenas justa e equilibrada. As dificuldades para o aluno não mudaram. Ele continuará precisando ter domínio e muito conhecimento sobre a prova”, afirma Vera Antunes, coordenadora pedagógica do Colégio Objetivo.

Segundo Marcio Guedes, coordenador do Curso Poliedro de São José Campos, o vestibular da Fuvest não sofreu uma alteração negativa, tampouco tão radical.

“No fundo, a cobrança, as exigências, o preparo, o conteúdo, a habilidade de resolver a prova, que exige 3 minutos por questão, e a boa elaboração da prova dissertativa, que é bem mais complexa, ainda permanecem os mesmos”, diz Guedes.

Menos um dia

A aluna Maria Fernanda Storion, que há dois anos se prepara no cursinho pré-vestibular do Anglo para disputar uma vaga em Medicina na USP, conta que seu estudo ficou mais focado em certas disciplinas com o fim da prova de conhecimentos gerais na segunda fase.

“Vou responder a questões de Biologia, Química e Geografia”, comemora. “Também posso priorizar mais Português, que é metade da segunda fase, em vez de matérias em que tenho dificuldade e não são tão ligadas ao meu curso, como Matemática e História.”

Fernando Kruglensky Lerner, aluno do 3.º ano do ensino médio do Colégio Palmares, acredita que a redução no número de dias ajuda os estudantes a enfrentarem a maratona de provas do fim do ano.

“Muitos prestam vários vestibulares. Assim, o aluno consegue fazer as provas mais tranquilo, mental e fisicamente.”

O preparo da mente, aliás, é essencial, segundo o diretor do Cursinho da Poli.

“É muito comum o candidato não ir bem porque ficou nervoso durante o exame. Controlar a ansiedade é o segredo do sucesso”, garante Alvarez. “Pode-se aprender isso usando técnicas de respiração, reservando espaços semanais para lazer e, principalmente, relaxando nos dias antes da prova. Um bom sono e alimentação adequada também ajudam no controle da ansiedade.”

Para Gerson Fernandes Gonçalves, coordenador de Geografia do fundamental e do médio do Palmares, agora a Fuvest demanda menos esforço físico e pode ter uma avaliação mais justa, concentrada em disciplinas específicas e língua portuguesa.

“A retirada de Conhecimentos Gerais da segunda fase não compromete a avaliação do candidato, pois o peso da primeira fase aumentou de 25% para 33,3%, passando as provas a terem pesos iguais.”

Dicas práticas

A recomendação de Rodrigo Dionisi Capellié, professor de Geografia do Cursinho FEA-USP, é ter atenção às diferenças entre as duas etapas.

“Na primeira fase, é importante sempre ler o comando da questão e entender direitinho o que está sendo pedido. Às vezes, é para assinalar a verdadeira, em outras, a incorreta”, ensina. “Por ser uma prova muito extensa, que exige um nível de concentração muito elevado, a dica que damos é a eliminação das alternativas incorretas.”

Segundo o professor, mesmo quem não tem pleno domínio da questão sabe que certas situações são impossíveis. “Brincamos e dizemos que é o chute científico.” 

Já na segunda fase, de acordo com Capellié, é importante identificar o subtema da questão para não errar. “Identifique o que é cada coisa para responder adequadamente e não misturar os assuntos.”

Ingresso por cotas

Ao todo, são 11.147 vagas abertas na USP, sendo 2.830 por meio do Sisu (com as notas do Enem) e 8.317 para seleção da Fuvest. Desde a edição passada, foi adotada a inscrição por modalidades, para estudantes de escolas públicas e cotas raciais. Do total de vagas pela Fuvest, 5.424 estão disponíveis aos candidatos em geral (modalidade ampla concorrência), 1.857 vagas são reservadas a alunos de escola pública e 1.036 são destinadas a estudantes do ensino público que se declaram pretos, pardos ou indígenas.

Candidato nesta última modalidade, Ageu Andrade sonha com uma vaga em Administração.

“Eu vim de escola pública, com várias defasagens. Estar em pé de igualdade com pessoas que tiveram acesso a uma educação de ótima qualidade é uma grande oportunidade”, afirma o aluno do Cursinho FEA-USP. “Terei acesso a diferentes pontos de vista sobre o mundo e o mercado de trabalho, podendo ajudar no avanço econômico brasileiro e financeiro da minha família.”

Medalha pode valer vaga na faculdade

Rafaela Siqueira Ciaccio participa da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) de 2019 e já está na segunda fase. Além da possibilidade de uma medalha, ela comemora a chance de ganhar pontos na Fuvest. No vestibular de 2019, a Universidade de São Paulo (USP) adotou mais uma forma de ingresso: as vagas destinadas para estudantes classificados em olimpíadas acadêmicas nacionais e internacionais.

“Esta nova oportunidade me deixou muito feliz, pois permite que meu ingresso no ensino superior possa vir de uma prova focada na disciplina em que tenho maior interesse e habilidade: Matemática”, comenta a aluna do 3.º ano do ensino médio do Colégio Rio Branco, que deseja cursar Engenharia de Produção.

Nesta seleção deste ano, a USP abriu inscrições para 113 vagas em 60 cursos da universidade, para alunos que se sobressaíram em competições de Ciências do ensino médio. As graduações em geral pertencem às áreas de Exatas e Engenharia. No entanto, também há cursos de Humanas (entre eles, Gestão de Políticas Públicas e Design) e de Biológicas (como Farmácia, Ciências Biológicas e Ciências Biomédicas). A seleção por meio dessa modalidade será realizada de acordo com um sistema de pontuação que se baseia no desempenho do aluno na competição, valendo de 1 a 6 pontos, conforme a classificação.

O professor Rodrigo Dionisi Capellié, do Cursinho FEA-USP, vem estimulando seus alunos a participarem dos campeonatos. Na primeira participação neste ano, ele conta que os estudantes conquistaram medalhas de bronze nas Olimpíadas de Geografia. A ideia é de que os alunos possam, cada vez mais, representar o Brasil nas competições internacionais. 

“A fala de um aluno dessa olimpíada me chamou a atenção. Apesar de ele não ter ganho a medalha, disse que aprendeu mais sobre Geografia com sua participação e também aprendeu a fazer pesquisa na internet”, diz o professor. “Esse estímulo às olimpíadas é fundamental, tanto para a sociedade quanto para o aluno. Isso é importante, pois estimula o saber científico, as formas de pensar, e a usar a internet para pesquisas, e não só para o entretenimento.”

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