Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Escolas e alunos se mobilizam para identificar jovens em sofrimento

Colégios criam equipes de apoio formadas por estudantes; objetivo é identificar sinais de isolamento e situações de conflito

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2019 | 17h00

SÃO PAULO - Com pulseirinha amarela, Julia Gracio, de 15 anos, circula pelos corredores do colégio. O acessório é um sinal de que ela está ali, de olhos bem abertos e ouvidos atentos para identificar sinais de sofrimento entre os colegas.

Desde o ano passado, parte dos alunos do ensino médio no Colégio Bandeirantes, na cidade de São Paulo, é voluntária em uma equipe de apoio. Eles têm o objetivo de notar situações de conflito ou isolamento e ser um ponto de escuta na escola. “Por estar mais perto dos alunos, a chance de a gente perceber algo de errado é maior”, diz a aluna do 2º ano.

Assim como iniciativas em outras escolas, o projeto do Bandeirantes busca melhorar a convivência na escola e prevenir casos de violência – contra o outro ou autoprovocadas. Houve dois suicídios de estudantes do colégio no ano passado.

“Existem casos de depressão, ansiedade e até uso de substâncias ilícitas que foram trazidos por esse grupo (de ajuda). Conseguimos fazer uma intervenção mais próxima com a família”, conta Estela Zanini, diretora de convivência do Bandeirantes. Segundo ela, casos de automutilação não são frequentes, mas já ocorreram.

Os alunos da equipe passam por treinamento com especialistas e são acompanhados por profissionais da escola, mas sabem que nem sempre podem ir longe. “Aprendemos que, por mais que a gente queira ajudar, não somos psicólogos”, diz Julia.

O apoio entre estudantes também é uma aposta do Stance Dual. Uma equipe formada por alunos de 12 a 14 anos, escolhidos pelos próprios colegas, é acionada presencialmente ou por e-mail sobre angústias e conflitos na escola.

“A ideia não é sair resolvendo a vida de todo mundo, mas acolher”, diz a orientadora educacional Ana Cláudia Correa. A maioria dos assuntos não chega ao conhecimento dos adultos – mas há uma só condição. “Eles têm a obrigação de nos comunicar caso saibam de qualquer caso de mutilação, ameaça de vida ou abuso.”

No Colégio Rio Branco, o tema também mobiliza a equipe. Professores ficam atentos a possíveis tentativas de esconder ferimentos, como mangas compridas em dias quentes, e um banco de pesquisas sobre depressão e ansiedade também é colocado à disposição dos educadores.

Se são detectados casos de autolesão, a escola conversa com o aluno e pode dar até um prazo curto para que ele mesmo fale com os pais, caso prefira. “Mas se a gente perceber que se trata de uma situação de risco, logo notificamos a família”, diz Juliana Gois, orientadora de apoio à aprendizagem.

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