Alex Silva/ Estadão
Alex Silva/ Estadão

Escolas de São Paulo entram de vez para a era digital

Recursos tecnológicos já são realidade em todos os perfis de instituição educacional; metodologias ativas viram necessidade

Luciana Alvarez, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2020 | 05h00

As escolas tiveram poucos dias para se preparar para uma mudança radical: a impossibilidade das aulas presenciais. Com pressa, em meio a incertezas, elas se reinventaram. Nas situações em que havia acesso a internet e equipamentos, a tecnologia foi o principal meio para conectar as duas pontas do processo de ensino-aprendizagem: os alunos e os professores. Muitas soluções que seriam tapa-buraco, contudo, acabaram se mostrando eficientes e devem entrar de vez para as escolas.

A rede de escolas Maple Bear organizou “comunidades de aprendizagens”, um espaço virtual que agrega ferramentas, conteúdos e atividades educativas lúdicas. “Muitas das ferramentas a gente já tinha, mas criamos uma sala virtual para cada turma, onde estão todas as informações para alunos e para os pais, que devem saber das atividades propostas”, explica Cintia Sant’Anna, diretora acadêmica da rede no Brasil. Essas comunidades vão se manter, mesmo com as aulas presenciais.

O desafio para Cintia foi grande porque a maior parte dos alunos está na educação infantil ou nos primeiros anos do fundamental, etapas em que as crianças têm pouca autonomia para entrar no computador e cumprir tarefas. “No infantil, as crianças aprendem na brincadeira. Então, foi por brincadeiras que buscamos as engajar. A tecnologia não é um fim, mas um recurso que está promovendo interação”, diz Cintia. 

Depois de experimentarem as tecnologias para aprender de forma lúdica, Maria Amélia Freire acredita que seus três filhos entraram em um caminho sem volta: vão sempre desejar usar esses equipamentos, mas para fazer um bom uso. “A escola logo se organizou: eu tinha uma plataforma e dois sites que as crianças conseguem entrar sozinhas, um de leitura e histórias, outro de jogos matemáticos”, conta a mãe das gêmeas Maria Carolina e Maria Eduarda, de 6 anos, e de Pedro Henrique, de 4. 

Segundo ela, o uso das tecnologias permitiu que, apesar da distância, o processo de ensino-aprendizagem fosse personalizado para o perfil da cada um. “Uma das minhas filhas logo se entendeu com o novo formato; a outra, não. Mas a escola percebeu, a professora fez aulas só com ela. Depois de um mês tudo engrenou. Foi um processo individualizado”, relata. 

Mesmo com alunos do ensino médio, unir diversão e aprendizado foi uma estratégia bem-sucedida, avalia Simoni Vidal, coordenadora da área de Exatas da Escola Estadual Yervant Kissajikian. “Desde 2018 a escola já usava a plataforma Mangahigh (de jogos matemáticos), mas de forma pontual. Quando chegou a pandemia, teve uma copa Mangahigh, entre todas as escolas que usam, e meus alunos ficaram muito motivados”, afirma. 

Simoni acredita que, depois de tantos meses de uso intenso, a plataforma vai entrar para a cultura escolar. Mas ela lembra que qualquer jogo precisa ter uma intencionalidade pedagógica. “Até os estudantes percebem a importância de um direcionamento. Eles podem jogar livremente se quiserem, mas pedem que os professores indiquem atividades específicas, que tenham relação com o que estão aprendendo”, diz. 

Soluções

O distanciamento provocou desconforto com aulas apenas expositivas, seja pela maior distração no ambiente virtual, seja por problemas de conexão. Os professores precisaram lançar mão das chamadas metodologias ativas, nas quais o estudante precisa participar. “Os alunos precisam resolver um problema real, precisam desenvolver habilidades para o século 21”, diz Gabriel Alves, CEO da Rede Decisão

Na tentativa de ajudar seus professores, no início da pandemia Alves experimentou os serviços de uma plataforma de projetos em quatro unidades. Deu tão certo que, no ano que vem, pretende ofertar a Cloe para as 12 unidades da rede. “Há ferramentas que trazem uma sofisticação para a aprendizagem. Agora, a gente está no momento de desconstruir a prova. Algum instrumento de verificação de aprendizagem precisa existir, mas queremos algo mais holístico, e não repetir a forma de 50 anos atrás.”

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