Escolas de negócios tentam adaptar-se ao mercado

Renomadas escolas de negócios do Brasil, mesmo as prestigiadas por ter formado gerações de alunos altamente disputados, estão reformulando conteúdo, grade curricular e até mesmo metodologia de ensino. Buscam atender às exigências do mercado de trabalho na formação de presidentes, diretores e profissionais de alta gerência para empresas.Consultores de recrutamento são cada vez mais enfáticos ao descrever o perfil do gestor cobiçado: executivos e líderes com alto desempenho na gestão de riscos e de pessoas, comunicativos, dispostos a conhecer outras culturas e com vocação de liderança. Também devem deixar a condução da carreira à mercê do mercado.Habilidades pessoaisGanham espaço nas salas de aula disciplinas pertinentes a temas antes tidos como qualidades inerentes ao perfil psicológico de um gestor. Tais questões hoje ganham abordagem pragmática. Quem ingressar no segundo semestre em um Curso de Especialização para Graduados da Escola de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (Eaesp-FGV), por exemplo, terá 96 horas de aula de um conjunto de disciplinas do grupo habilidades pessoais.Entram no pacote disciplinas com esse caráter Comunicação e Expressão, Negociação e Resolução de Conflitos, Relações Interpessoais e Equipes de Alta Performance e Orientação de Carreira. É a primeira vez ao longo dos 30 anos de existência do programa que a escola paulista promove tantas modificações.?As habilidades pessoais são muito requeridas pelas empresas, que não querem um gestor somente técnico?, explica Fernando Gomez Carmona, coordenador do Ceag.Métodos e processosJames Wright, coordenador do MBA Executivo Internacional da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo diz que o atual momento da economia mundial também requer mudanças significativas no ensino para formar executivos com competências globais.?Estamos reforçando e aprofundando nossos programas de estudos em finanças, métodos quantitativos e processos de decisão?, esclarece. ?O mercado exige muito rigor em tais áreas e fortes resultados.?Negócios internacionaisPara Wright, é imprescindível que o gestor do futuro tenha vivência prática de instituições estrangeiras e negócios internacionais, ainda mais no que se refere a países que prometem crescer de forma expressiva na economia mundial nas próximas décadas.?Uma inovação grande que estamos fazendo é investir mais no intercâmbios de nossos professores com estrangeiros?, diz. ?Nosso desafio é atuar em pesquisa da ponta.?Tempo menorCarmona, da Eaesp, assegura que o diagnóstico que levou a escola a promover as mudanças foi obtido em pesquisas com alunos, professores e empresas. O Ceag, que sempre se destacou por ter 540 horas-aula, enquanto muitos cursos de especialização têm obrigatoriamente 360, passa a partir do próximo semestre a ter 464 horas, excluindo as instrumentais. ?O tempo diminuiu mas o conteúdo, não.?O coordenador do curso da Eaesp salienta ainda que as transformações têm sido sendo discutidas desde 2001 com profundidade. ?Não decidimos reduzir a carga horária arbitrariamente. Estruturamos o curso da maneira que consideramos ser importante para o nosso aluno, e isso resultou de um longo processo de maturação.?As mudanças incluem ainda maior flexibilidade na escolha de matérias eletivas, ênfase em disciplinas obrigatórias que hoje ganham evidência no meio corporativo. ?Incluimos ainda espaço para jogos de empresas, acompanhamento acadêmico personalizado de projetos.?

Agencia Estado,

21 de maio de 2004 | 13h21

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