Escolas brasileiras de MBA ainda adotam modelo tradicional de seleção

As universidades brasileiras ainda apostam no modelo tradicional de seleção para MBA. Após análise de currículo, as instituições fazem entrevistas – parte mais subjetiva do processo – e selecionam os estudantes que têm o perfil mais adequado para os cursos oferecidos. Na apresentação da candidatura, o principal desafio do concorrente é pesquisar sobre os cursos, as instituições pretendidas e enviar um bom resumo profissional na ficha de inscrição.

Guilherme Soares Dias e Victor Vieira, Estadão.edu

25 Fevereiro 2014 | 12h04

Na Fundação Getúlio Vargas (FGV), os candidatos a MBA precisam ter, no mínimo, dois anos de experiência profissional. "Não fazemos uso de práticas menos tradicionais. Há inscrição e entrevista com o gestor de carreira", afirma o diretor executivo da FGV Management, Mário Pinto. Essa conversa, segundo ele, é um momento de compartilhar desejos e ambições "Não é uma prova em que o candidato precisa treinar. Ele só precisa ser ele mesmo", indica.

Já o coordenador dos Programas de MBA Executivo do Insper, Silvio Laban, lembra que a seleção para os cursos de MBA da instituição passam pelo preenchimento de formulário de admissão, com informações sobre titulações acadêmicas e relevância do programa para o candidato. "A segunda fase tem entrevista, prova de raciocínio lógico e inglês. Avaliamos o conjunto todo da candidatura."

De acordo com ele, a entrevista serve para entender o momento de carreira do candidato. "Funciona como consultoria educacional. Há apresentação do candidato e do programa, que não é direcionado para recém-formados", diz. Laban reforça que entre os pré-requisitos dos candidatos estão experiência gerencial, leitura em inglês e boa pontuação no teste de raciocínio lógico. "O concorrente precisa estar alinhado com nossa proposta educacional: colocamos o aluno no centro do processo de aprendizado. Avaliamos o momento de carreira e se o candidato consegue ter dedicação extraclasse", conta.

Para o diretor-geral da Fundação Instituto de Administração (FIA), Leandro Morilhas, a entrevista serve para gerir expectativas. "Vemos o que o estudante espera do curso e o que ele pode agregar ao programa", diz. Dessa forma, o processo da FIA segue um modelo mais tradicional e objetivo. "Temos preferido utilizar método mais convencional. No processo direto é que se percebe as reais intenções do candidato. Procuramos pessoas com clareza de objetivo e de carreira, que possam agregar e não somente buscar", ressalta Morilhas.

Tendências. Mesmo com a aposta das universidades brasileiras nos moldes tradicionais de seleção, Paulo César de Oliveira, consultor da Philadelphia Consulting, escola que prepara candidatos de MBA no exterior, acredita que essas entidades devem começar a inserir etapas virtuais no processo de escolha. "Essa tendência do exterior deve chegar aqui em até dois anos. Quando o programa fica mais competitivo, é preciso deixar a seleção mais dinâmica. Esses novos métodos trazem espontaneidade", afirma Oliveira.

Já para a consultora em carreiras Cláudia Miranda Gonçalves, os processos multimídia e com diferentes dinâmicas de grupo não combinam tanto com as instituições brasileiras, que fazem recrutamentos mais resumidos. "Nossas escolas são muito focadas em conteúdo. Nas universidades do exterior, por outro lado, a formação é mais completa: há clubes de estudos, atividades voluntárias, extracurriculares, palestras, etc", explica. "Para escolher o candidato, é preciso ser abrangente, entender a pessoa como um todo."

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