GABRIELA BILO / ESTADAO
GABRIELA BILO / ESTADAO

Escolas bilíngues são opção para quem quer fluência em segundo idioma

Segundo os últimos números da Organização das Escolas Bilíngues, existem hoje 11 instituições de ensino vinculadas à organização, número que vai duplicar em breve, pois outras 12 escolas já iniciaram o processo de ingresso na entidade

Fabio Mazzitelli, ESPECIAL PARA O ESTADO

24 Setembro 2016 | 17h00

A proposta de ensino bilíngue vem expandindo-se no universo das escolas privadas de São Paulo e, a reboque de novos adeptos, amplia a rede de pais de estudantes preocupados em avaliar o custo-benefício desse tipo de investimento.

De acordo com os últimos números da Organização das Escolas Bilíngues (Oebi), existem hoje 11 instituições de ensino vinculadas à organização, número que vai duplicar em breve, pois outras 12 escolas já iniciaram o processo de ingresso na Oebi.

Uma escola bilíngue é caracterizada por seguir as diretrizes curriculares do Ministério da Educação (MEC), diferentemente das escolas internacionais, e ao mesmo tempo ministrar uma pesada carga horária de suas aulas em outro idioma, seja inglês (a maioria) ou outra língua. 

Na educação infantil, em geral, o bilinguismo é marcado pela imersão escolar no segundo idioma e, após a alfabetização em português, o ensino fundamental tem de 25% a 33%, no mínimo, das horas-aula na segunda língua. “Não são classes de inglês, mas aulas em inglês”, afirma Fernanda Nyari, presidente da OEBi e dirigente da Kampus School. “Tem aumentado a quantidade de escolas que dizem ser, mas que não são necessariamente bilíngues. Por isso sempre visitamos as escolas antes de oficializar o ingresso na nossa organização.”

A Kampus foi fundada em 1999, na mesma década que a maioria das mais tradicionais escolas bilíngues de São Paulo. Nesse grupo, é relativamente comum encontrar instituições que começaram oferecendo apenas educação infantil e, com o passar dos anos, ampliaram para o ensino fundamental e, em experiências mais recentes, abriram até turmas do médio.

A See-Saw, fundada em 1994, é uma delas. Iniciou o ensino médio no ano passado, com apenas oito alunos, chegou a 32 estudantes nessa etapa em 2016 e planeja alcançar 60 em 2017, primeiro ano em que vai oferecer o terceiro ano do ensino médio. 

“Em geral, o pai investia numa escola bilíngue e, quando chegava ao ensino médio, buscava o tradicional, pensando no ingresso nas universidades. Hoje há uma procura no sentido inverso”, diz César Pazinatto, diretor-geral da See-Saw. “Nosso desafio é mostrar que o ensino bilíngue é igualmente competente na preparação para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e os vestibulares. Antes de ter o ensino médio, nossos alunos sempre saíram daqui para entrar nas escolas mais tradicionais de São Paulo.”

A Green Book, aberta em 1994, é outra escola bilíngue que passou a oferecer ensino médio recentemente - em 2016. “No início, o público da escola tinha muitos expatriados, famílias de fora. Hoje quase a totalidade é formada por brasileiros. São famílias que querem o ensino bilíngue”, diz Denize Andreoli, uma das diretoras pedagógicas da escola. 

Benefícios. Além de diretora pedagógica, Denize é mãe de um aluno da educação infantil da escola e atesta com a própria experiência a principal vantagem do bilinguismo. “Meu filho fala e ouve inglês de maneira natural. Às vezes, diz que não sabe a palavra em português, mas não confunde”, afirma a pedagoga. “O contato cedo com dois idiomas permite um desenvolvimento cognitivo melhor da criança.”

A busca por esse experiência com um segundo idioma desde a educação infantil caminha, geralmente, ao lado de dúvidas dos pais das crianças sobre como será o desenvolvimento na língua materna e, consequentemente, se há algum prejuízo no aprendizado do português. “Nas escolas bilíngues, geralmente existe um balanceamento entre o tempo de exposição nas duas línguas. Ou seja, seguimos o currículo brasileiro”, ressalta Bruna Elias, coordenadora pedagógica do Colégio Brasil-Canadá. 

Fluência. O Colégio BIS (Brazilian International School) aposta também em participações de alunos em competições acadêmicas internacionais, que ajudam a consolidar a fluência no inglês. “Nossos alunos se destacaram (na competição), o que nos deu visibilidade e provocou um aumento na procura por matrículas”, afirma Alessandra Pellegrino, diretora executiva do BIS. 

A filha mais velha da contadora Carla Cristina Corti Martins, de 48 anos, participou de uma dessas olimpíadas. Mariana, de 12 anos, e Luiza, de 11, começaram a estudar no Colégio BIS na educação infantil, há nove anos, e hoje demonstram uma fluência no inglês que enche a mãe de orgulho.

“A fluência em inglês não é de família. Eu e meu marido não somos fluentes na língua. Tive que convencê-lo a matriculá-las (no colégio)”, lembra Carla, que cogita deixar as filhas na escola bilíngue se forem abertas turmas de ensino médio nos próximos anos, o que está em planejamento no BIS. 

“Sei o quanto é importante aprender cedo a língua inglesa, até hoje faço aulas (de inglês). Ouvi de uma pedagoga que, se mantiver o bilinguismo até os 10 anos, dificilmente elas vão esquecer. Como foram alfabetizadas em português e têm aulas de História e Geografia daqui, terão a chance de morar e estudar fora ou fazer faculdade aqui, como elas escolherem.”

Sobre o ensino bilíngue na educação infantil, a diretora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Neide Noffs, frisa a importância de se ter o cuidado de não cobrar resultados da criança. Nessa fase da vida, o ideal é aprender brincando, de forma natural. 

“A convivência (com uma segunda língua) não atrapalha, desde que a criança seja preservada na infância”, diz a educadora. “O aprendizado, se for cobrado, pode atrapalhar. Nessa etapa, a motricidade está em fase de desenvolvimento e o jeito de aprender deve ser por meio de uma linguagem espontânea. Se você começar a treinar (a criança), não vale a pena.” 

Para Neide Noffs, os pais têm de compartilhar, na medida do possível, da experiência bilíngue do filho, e não projetar a expectativa de um aprendizado que eles não alcançaram no passado.

 

Inglês ganha espaço também como língua adicional no currículo

Paralelamente à expansão da oferta de escolas bilíngues, algumas escolas particulares de São Paulo estão passando a valorizar o ensino do inglês como língua adicional em seus currículos. É o caso da Escola Móbile, que está lançando para 2017 a Móbile Integral, projeto que prevê a ampliação da carga horária para alunos da educação infantil e do ensino fundamental e, junto com ela, o aumento das horas-aula de inglês e a ampliação do ensino do idioma. 

O plano da escola é oferecer cinco horas e meia de aulas de inglês por semana, além de uma hora e meia semanal de ensino do idioma por meio de jogos de letramento digital e também o ensino transversal da língua estrangeira em disciplinas de artes e ciências. 

Segundo Maria Helena Bresser, diretora e fundadora da Móbile, é fundamental o ensino do inglês na proposta de ensino integral, até para facilitar o aprendizado de linguagens de programação e da introdução à robótica, itens previstos na nova proposta. “Os robozinhos só falam inglês”, diz Maria Helena. “As crianças também estarão aprendendo o idioma nessas aulas. Desenvolverão vocabulário e estrutura para usar o inglês em situações reais. O professor vai ser o arquiteto disso.”

Mais novo braço da escola inaugurada em 1975, a Móbile Integral será implantada de maneira gradativa. Em 2017, o projeto vai atender crianças dos dois últimos estágios da educação infantil (de 4 a 5 anos) e dos dois primeiros anos do ensino fundamental (de 6 a 7 anos). A implementação completa, contemplando todo o ensino fundamental, vai ocorrer até 2020. 

“O projeto tem como pressuposto dar condições para que, ao fim do ciclo, o adolescente faça escolhas. Na apresentação do projeto para os pais, o retorno tem sido positivo. Ele vem ao encontro do que eles buscavam”, afirma Tatiana Almendra, diretora da Móbile Integral. “A aquisição de línguas adicionais é um dos diferenciais desse trabalho.” 

Serviço

Kinder Kampus e Kampus School

Mensalidade: R$ 2.290 a R$ 2.621 (educação infantil) e R$ 3.021 a

R$ 3.265 (ensino fundamental) 

Matrículas: abertas

Etapas: dos 15 meses de idade ao 9º ano do fundamental

Site: www.kampus.com.br

Green Book School

Mensalidade: R$ 2 mil a R$ 3,5 mil

Matrículas: abertas

Etapas: a partir de 1 ano de idade até o ensino médio

Site: www.kampus.com.br​

Colégio BIS (Brazilian International School)

Mensalidade: R$ 2.274 a R$ 3.728

Matrículas: abertas

Etapas: a partir de 1 ano de idade até o fim do ensino fundamental

Site: www.colegiobis.com.br

See-Saw Panamby

Mensalidade: R$ 2.607 a R$ 4.053

Matrículas: abertas

Etapas: a partir de 15 meses de idade até o fim do fundamental

Site: www.see-saw.com.br

PlayPen Escola Cidade Jardim

Mensalidade: a partir de R$ 3.799

Matrículas: abertas

Etapas: a partir de 15 meses de idade até o fim do fundamental

Site: escolacidadejardim.com.br

Builders Educação Bilíngue

Mensalidade: R$ 2.550 a R$ 4.341

Matrículas: abertas

Etapas: a partir de 1 ano até o 5º ano do ensino fundamental 

Site: www.builders.com.br

My School

Mensalidade: R$ 1.690 a R$ 4.140

Matrículas: abertas

Etapas: a partir de 4 meses até o 5º ano do ensino  fundamental

Site: www.myschool.com.br

Colégio Brasil-Canadá

Mensalidade: R$ 2.299 a R$ 2.559 Matrículas: abertas

Etapas: a partir de 18 meses até o 9º ano do ensino fundamental

Site: colegiobrasilcanada.com.br

Móbile Integral

Mensalidade: R$ 2,8 mil a R$ 3,4 mil

Matrículas: abertas

Etapas: em 2017, do penúltimo estágio da educação infantil ao 2º ano do ensino fundamental (4 a 7 anos)

Site: www.escolamobile.com.br/mobile-integral

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