Escolas adaptam seus currículos

Na medida em que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passa por ajustes logísticos e pedagógicos, as escolas pegam carona nas transformações e tentam adequar o currículo do ensino médio. 

Victor Vieira, de O Estado de S. Paulo,

24 Setembro 2013 | 08h13

De acordo com a especialista em Educação Andrea Ramal, o tipo de cobrança da prova já faz com que mais professores se esforcem para aproximar o conteúdo da realidade do aluno. 

 

O uso de problemas práticos para aplicar conteúdos é cada vez mais comum. Projetos de investigação interdisciplinares representam outra tendência de ruptura com o modelo mais formal e disciplinar. “E ainda são necessárias mudanças na licenciatura, já que os professores não estão preparados para atuar com a matriz do Enem”, aponta. 

 

Andrea defende que o Enem não seja o único acesso às universidades. “Seria possível considerar o histórico do aluno se nós tivéssemos uma qualidade padronizada no ensino médio”, avalia. 

Mobilidade. Professor da Universidade Federal da Bahia, Cipriano Luckesi acredita que a chance de mobilidade dos alunos propiciada pelo sistema único de vagas também é um ponto positivo.

“Há risco de que o Sul e o Sudeste tomem vagas de outras regiões. Mas, no médio prazo, isso faz com que o nível das escolas melhore nesses lugares”, prevê.

 

Para ele, não há problemas no uso simultâneo do exame como avaliação do ensino médio e como vestibular porque as escolas passarão a adotar gradualmente a nova matriz. “A diferença está no modo de fazer a leitura dos dados para cada fim”, explica. 

 

Sobrecarga. Já o professor Rodrigo Travitzki, doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), critica o papel duplo do Enem.

 

“Na seleção para o ensino superior são necessários muitos itens difíceis”, pondera. “Já a avaliação deve ter itens médios e considerar todos, até mesmo quem não entrará na faculdade.” Indicadores de qualidade, de acordo com ele, são melhores se desenhados para uma única função.

 

Para os especialistas, outras demandas para os próximos exames são a realização de mais uma prova por ano, o que aliviaria a edição anual, e o aperfeiçoamento do banco de questões - desde a formulação até o sigilo das perguntas.

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