HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Escola na zona norte é a 4ª ocupada por alunos em São Paulo

Estudantes fazem protesto contra a reorganização da rede, que prevê o fechamento de 94 instituições e a reestruturação de 754

Isabela Palhares e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

12 Novembro 2015 | 16h27

SÃO PAULO - A Escola Estadual Castro Alves, na Vila Mazzei, zona norte de São Paulo, foi ocupada na tarde desta quinta-feira, 12, por estudantes descontentes com a reorganização da rede de ensino e o fechamento de 94 instituições, promovida pelo governo do Alckmin (PSDB). O colégio já é o quarto ocupado por alunos no Estado.

A escola começou a receber professores de colégios da região e estudantes no pátio central desde as 12 horas. O ato é apoiado por docentes filiados ao principal sindicato da categoria no Estado, a Apeoesp. Eles prometem passar a noite na escola e querem diálogo com o governo estadual. 

A unidade é uma das 94 a serem fechadas pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) no processo que prevê que os colégios tenham ciclo único (ensino fundamental do 1° ao 5° ano, do 6° ao 9° e ensino médio). A Secretaria Estadual de Educação ainda não confirmou se as aulas do período da tarde estavam suspensas por causa da ocupação.

Por volta das 16h, alunos do ensino médio conversavam no pátio e já diziam estar preparados para a chegada da polícia. "Não queremos que a escola feche. Vão nos mandar para outras que já estão cheias", disse o estudante do 1° ano do ensino médio Pedro Henrique de Freitas, de 14 anos. "Nossas salas aqui estão cheias", contou Laura Caroline Rocha, de 12 anos e aluna do 6° ano do ensino fundamental. "Não é o governador Alckmin que vai assistir às aulas em escola lotada", reclamou. "Se fecharem aqui, vão fazer o que com o prédio? Vai virar ponto de droga".

Cinco professores da escola, que pediram para não ser identificados, acompanham a ocupação do prédio. "Não queremos que a escola seja fechada. Mas o movimento é dos alunos. Nós só estamos aqui para garantir que eles não se machuquem", disse uma das docentes. Por volta das 16h os estudantes jogavam bola no pátio e brincavam de pega-pega.

Os estudantes disseram que vão trazer água e alimentos para passar a noite no prédio. Até as 16h20, a Polícia Militar não havia chegado ao local.

Outras ocupações. Na segunda-feira, os estudantes ocuparam a Escola Estadual Diadema, no centro da cidade do ABC paulista. No dia seguinte, a Escola Estadual Fernão Dias Paes, em Pinheiros, na zona oeste da capital, também foi invadida pelos estudantes.

Nesta quinta, o Tribunal de Justiça de São Paulo autorizou liminar que permite a reintegração de posse da Fernão Dias Paes. Cerca de 30 estudantes permanecem no local.

No início da manhã desta quinta-feira, a Escola Estadual Salvador Allende Gossens, em José Bonifácio, na zona leste da capital paulista, também foi ocupada. A instituição é uma das 94 que vão fechar com a reorganização escolar.

 

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