Escola inglesa propõe imersão no estilo de vida sustentável

Gurus como James Lovelock dão aulas na instituição

Carolina Stanisci, Especial para o Estadão.edu

27 Abril 2010 | 10h39

Às 7 horas, todo mundo já está de pé para meditar. Depois vem o café da manhã com produtos naturais. O resto do dia é dividido entre palestras de ambientalistas e tarefas domésticas. À noite, a cerveja orgânica anima bate-papos acalorados em que se discute até quem tem o notebook mais sustentável.

 

 

Quem passou por lá reconhece na descrição a rotina curiosa do Schumacher College, instituto criado pelo indiano Satish Kumar nos arredores da pequena Totnes, no sul da Inglaterra. O lugar ganhou fama com uma proposta holística de unir cursos com temática ambiental à participação na limpeza da casa, trabalhos no jardim e na cozinha, para valorizar a noção de sustentabilidade no cotidiano.

 

 

Segundo a diretora de marketing do instituto, Anna Lodge, incentivar o colaboracionismo tem um impacto na vida fora dali. "Muitas pessoas aprendem mais em atividades coletivas de limpeza do que nas aulas", garante Anna.

 

 

Gente do mundo todo, de idades e formações variadas, busca a escola, que tem cursos de até quatro semanas e um mestrado em Ciências Holísticas.

 

 

A publicitária Daniela Aiach, de 38 anos, fez em 2007 o curso A Terra e o Sagrado. No primeiro dia, soube que iria limpar os banheiros. Teve aulas com astros ambientalistas como a indiana Vandana Shiva e o inglês James Lovelock, autor de A Vingança de Gaia. "Você não vai ter apostilas e livros. Há gurus que dão outra visão da vida. É diferente de ir a Harvard fazer um curso de um mês."

 

 

Cético sobre a tema ambiental, o estudante de História Gabriel Cordeiro, de 20 anos, voltou da Inglaterra mudado, depois de ter feito no Schumacher o curso A Terra Pode Sobreviver ao Capitalismo? "No Brasil, quem propaga ideias ambientais tem um discurso que não é valorizado. São discriminados pela aparência de bicho-grilo. Lá, vi gente séria defendendo o ambiente", diz. "Apesar do nome do curso, eles nunca mencionaram a palavra socialismo. Mas valorizaram muito o consumo de produtos locais, na contramão da globalização."

 

 

A troca de experiências entre pessoas de idades e experiências distintas, valorizada pelo instituto, também chamou a atenção de Homero Luis Santos, de 70 anos, aposentado que trabalha como consultor. Ele foi duas vezes ao Schumacher, em 2001 e 2008. "Como a maioria das pessoas, passei a vida toda querendo subir na carreira. No Schumacher descobri outras coisas interessantes."

 

Mais conteúdo sobre:
pontoedu radicais verdes

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.