Ernesto Rodrigues/AE-18/2/2011
Ernesto Rodrigues/AE-18/2/2011

Escola em obras faz rodízio com aula de 1h40

Pais preferem esperar as crianças na frente do colégio a voltar para casa; secretaria promete reposição

Mariana Mandelli, O Estado de S. Paulo

21 Fevereiro 2011 | 19h32

Uma hora e 40 minutos por dia. Esse é o tempo que os alunos ficam na escola estadual Reverendo Erodices Pontes de Queiroz, no Jardim Herplin, em Parelheiros, extremo sul de São Paulo. O motivo: obras na escola.

 

Pais e alunos ouvidos pelo Estado afirmam que, desde o início da semana passada, quando as aulas começaram, a unidade escolar funciona em pequenos turnos: a primeira turma entra às 7 horas e sai às 8h40; a segunda inicia as aulas às 9 horas e deixa a escola às 10h40, e assim sucessivamente, até o fim da tarde.

 

A reportagem esteve na escola na sexta-feira, 18, e observou a movimentação dos alunos. A cada duas horas, aproximadamente, alunos se alternam em horários de entrada e saída. Alguns familiares acham que não vale a pena voltar para casa e esperam as crianças na frente do colégio.

 

“Tenho três netos estudando aqui. Um entra às 11 horas e sai às 12h40; outro, entra às 13 horas e sai às 14h40 ;e o último começa a estudar às 15 horas”, conta a dona de casa Sandra Pessoa, de 53 anos. “Nunca vi isso, dividir o tempo de aula em pequenos turnos. Nosso bairro precisa de outra escola, só essa não comporta todo mundo.”

 

A empregada doméstica Cinara Mônica de Lima, de 39 anos, passa pelo mesmo problema. Ela tem três filhas em horários diferentes na escola. “Em reunião na semana passada, disseram para nós que era para ter paciência e colaborar com a situação”, conta. “Não tem o que fazer, só temos essa escola na região.”

 

Segundo a auxiliar de enfermagem Elenice de Oliveira, de 38 anos, a mudança nos horários alterou toda a sua rotina. “Virou uma correria para chegar aqui no horário. Eu venho de outro bairro”, conta. Seu filho Douglas, de 7 anos, entra às 11 horas. “Com esse horário, ele não aprende nada”, afirma.

 

Alunos das primeiras séries do ensino fundamental ouvidos pela reportagem afirmam que estão assistindo apenas a aulas de português e matemática. “Tenho duas aulas por dia, só dessas matérias”, disse Silas Barros de Souza, de 12 anos, matriculado na 6.ª série. Ele entra às 15 horas e sai às 16h40.

 

Construção. Na frente do colégio, há uma placa do governo do Estado anunciando as obras. Segundo a placa, o investimento na escola estadual será de R$ 2.398.919,28.

 

A Secretaria Estadual de Educação afirmou que não há atraso nas obras. Disse ainda que a administração superior da pasta não foi previamente informada pela escola de que esse tipo de arranjo - dividir o horário em turnos de uma hora e 40 minutos - seria necessário.

 

A secretaria também afirma que será apurado o que ocorreu, mas reconhece que a divisão do horário é, por ora, a opção menos problemática. Segundo o governo, as obras estão ocorrendo justamente nas salas. O prazo para a normalização dos períodos escolares dos alunos é 8 de março.

 

A pasta afirma que todas as aulas serão repostas - o calendário vai depender da organização da própria escola, que deve discutir as melhores opções com as famílias. A reposição pode se dar no contraturno e avançar no período de férias.

 

Segundo a secretaria, a unidade passa por ampliação e reforma de sua estrutura para melhorias das condições dos prédios.

 

Decepção

 

EZELLIDY BARROS

MÃE DE ALUNO

“Em uma reunião no ano passado, disseram que talvez a escola funcionasse assim (com turnos de uma hora e 40 minutos). Todo dia ele chega da escola e diz: ‘Não aprendi nada’.”

 

PATRÍCIA RIBEIRO

MÃE DE DUAS ALUNAS

“As crianças estão resfriadas por causa da poeira das obras. Algumas estão com alergia, outras com bronquite.”

 

EDILEUZA LIMA

MÃE DE ALUNO

“Ele fica em casa comigo o resto do tempo. Faz lição de casa de português e de matemática.”

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