WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Escola deve abandonar conteúdos isolados, diz gestora finlandesa

Marjo Kyllönen participou nesta terça-feira, 25, do Transformar, evento sobre inovação educacional promovido pela Fundação Lemann, o Inspirare/Porvir e o Instituto Península

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2015 | 22h26

SÃO PAULO - A escola do futuro deve abandonar o ensino de conteúdos isolados e o uso de métodos iguais para toda a classe. Raciocínio crítico, colaboração e criatividade são as competências que devem pautar as aulas do século 21. Este é o diagnostico de Marjo Kyllönen, gestora de Educação de Helsinque, na Finlândia, país que tem um dos melhores desempenhos educacionais do mundo. "Ainda há uma lacuna grande entre a vida real e a escola", afirma. 

Segundo Marjo, a escola mantém o modelo de quando foi criada, na era industrial, baseado em obediência e produção na hora certa. "Você iria a um médico que usa tecnologia de outro século? As crianças vão para escolas do século passado", critica a gestora, que participou nesta terça-feira, 25, do Transformar, evento sobre inovação educacional promovido pela Fundação Lemann, o Inspirare/Porvir e o Instituto Península. 

Outro desafio atual é entender a mudança no papel do professor. "Antes, ele era a referência, o Santo Graal do conhecimento. Hoje, a informação esta em todos os lugares", afirma Marjo. A Finlândia passa por um processo de renovação do currículo da educação básica. Um dos objetivos do novo modelo, previsto para 2016, e adotar processos de aprendizagem mais abrangentes. "É preciso termos uma abordagem holística no lugar de apenas repetir os conteúdos isolados." 

A finlandesa ainda destacou que uma base curricular comum não retira a autonomia, mas ajuda as escolas. "É fundamental que todos sigam uma trilha comum", aponta. O Brasil também discute a criação de um currículo único, que definirá o que deve ser aprendido em cada etapa da educação básica. O governo federal criou 29 comissões, com 116 especialistas, para debater o tema, além de coletar opiniões da sociedade. A previsão e de que o documento fique pronto ate o ano que vem. 

Transição. Jennifer Adams, diretora do maior distrito escolar de Ottawa, no Canadá, recomenda cautela na renovação da sala de aula. "Se adotamos a força, as pessoas ficam na defensiva", diz ela, que também participou do Transformar 2015. "É difícil, para os alunos e para o professor, adotar um modelo totalmente diferente de uma só vez. Por isso, é importante fazer uma transformação lenta", acrescenta. A rede canadense incluiu programas de desenvolvimento de habilidades socioemocionais em seu currículo. 

Diretor executivo do Fundo Nacional para a Ciência, Tecnologia e Artes do Reino Unido, Geoff Mulgan afirma que poucos sistemas educacionais se preocupam em incorporar as habilidades do futuro em seus currículos. "Há iniciativas isoladas, mas dificuldades de reproduzi-las em escala", afirma ele, também palestrante do Transformar. "Muitas vezes a educação é pensada como uma fábrica, enfiando conhecimento na cabeça das crianças, e esquecemos de formar cidadãos."

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