Escola de informática abre unidade na segunda maior favela de SP

Depois de dois meses de preparação e investimento de R$ 30 mil, os empresários José Carlos Pires e Ana Paula da Motta Franco inauguraram uma franquia da BIT Company, rede de escolas de informática, dentro da Favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.A favela tem cerca de 45 mil habitantes e é a segunda maior de São Paulo. A expectativa dos sócios é encerrar 2003 com pelo menos 500 alunos matriculados. Já o retorno sobre o capital investido, prevê Ana, virá em 24 meses.A idéia de abrir uma escola de informática na favela surgiu quando eles perceberam haver muitos moradores de Paraisópolis entre alunos. "As pessoas saíam da favela para pagar cursos de informática fora de Paraisópolis", relembra Ana. "E enxergamos uma oportunidade."No início, receioA sociedade combinou a experiência que Ana tem no ramo com o conhecimento que Pires tem da região. Ana é dona da unidade BIT Mooca há quatro anos e Pires abriu uma loja de calçados na avenida principal da favela, há quase dois anos."No início tive receio, mas nunca tive nenhum problema na favela, e hoje me sinto mais seguro aqui dentro do que lá fora", garante ele.Os preços cobrados na unidade de Paraisópolis serão mais baixos do que os valores de outras unidades. Um curso de dez meses para adultos, por exemplo, sairá por 16 parcelas de R$ 40. Fora de Paraisópolis, o valor sobe para 16 parcelas de R$ 86. Nos dois casos, o pacote inclui um ano de treinamento gratuito de digitação.Só faltam oportunidadesPara Pires, mais empresários deveriam investir nas comunidades pobres. "É uma atividade importante para o progresso do País", afirma. "Moradores de favela têm interesse e inteligência. Só lhes faltam oportunidades."No primeiro dia de trabalho, os cinco funcionários da nova escola - todos jovens da comunidade com idades entre 17 e 20 anos - ouviam, atentos, as orientações de Ana sobre seus deveres na empresa.Jonas e Cesar, de 19 e 17 anos, foram contratados como instrutores depois de aprenderem informática na Meninos do Morumbi, organização não-governamental que presta serviços assistenciais na região.Maria de Fátima e Maria das Graças serão encarregadas pelo departamento de telemarketing e Simone, que sonha ser dentista, será responsável pela secretaria.No fim do dia, a escola já comemorava os primeiros resultados. "Temos dois alunos matriculados e outros quatro encaminhados", contou Pires.

Agencia Estado,

07 de agosto de 2003 | 10h46

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