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Escola de Hackers: tecnologia a serviço da educação

Projeto ensina alunos das escolas municipais da cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, a linguagem de Programação

Vinicius Coimbra, Especial para o Estado

09 Dezembro 2015 | 03h00

PASSO FUNDO - Os olhos de Paola Chaves ficam vidrados na tela do computador. A estudante de 12 anos usa o mouse e corre os dedos pelo teclado com a habilidade de quem há tempos domina a máquina. “Esse é o jogo que fizemos na aula passada.” O game se chama Cante Comigo e foi desenvolvido com o Scratch, plataforma que ajuda novatos na criação de conteúdo interativo, trabalhos artísticos e músicas.

Aluna do 7.º ano do colégio Eloy Pinheiro Machado, Paola participa da Escola de Hackers, que leva a linguagem de programação a alunos do ensino municipal de Passo Fundo, a 350 quilômetros de Porto Alegre. O projeto nasceu em 2014, fruto de uma parceria da prefeitura com a Universidade de Passo Fundo e outras duas instituições de ensino superior, as Faculdades Imed e o Instituto Federal Sul-rio-grandense. Em quase dois anos, mais de 400 crianças participaram das aulas. 

Há um encontro semanal no laboratório de informática das 20 escolas que participam da iniciativa. Cada aula tem uma hora e meia de duração e é realizada geralmente na parte da manhã. Os estudantes são orientados por alunos de cursos de graduação de uma das três instituições parceiras. Não há custos para a escola, que fica responsável apenas pela manutenção do laboratório de informática.

Além do ensino de programação, a Escola de Hackers tem como objetivo renovar a abordagem das disciplinas tradicionais do currículo escolar. “A base desse projeto é a Matemática, que é o que os alunos têm mais dificuldades aqui”, explica a coordenadora do laboratório de informática da escola, Marilene de Faria Madalena. “O raciocínio lógico deles melhorou depois que começaram a programar.” Marilene defende o uso de novas tecnologias em sala de aula. “Não podemos lutar contra o computador, contra a internet, precisamos fazer essas ferramentas ajudarem no dia a dia dos alunos.” 

Coordenador da Escola de Hackers, Adriano Teixeira afirma que o trabalho realizado em Passo Fundo busca acrescentar novas formas metodológicas de ensino nas escolas. “É algo pioneiro no País. Constatamos que são poucas as atividades desenvolvidas pelos professores que de fato desafiam, impactam o estudante”, diz o coordenador. “Mas, para nós, mais importante que o aluno usar uma ferramenta específica, digitar um texto, é que ele aprenda a programação, porque, hoje, nossa vida depende totalmente de computadores.”

Em 2015, mais duas frentes do projeto foram lançadas: o Berçário de Hackers, para crianças das séries iniciais, e a Escola de Hackers Avançada, que tem como foco o ensino de robótica para alunos do ensino médio. Teixeira ainda faz questão de desfazer uma confusão comum sobre o nome do projeto, que acaba de receber dois prêmios estaduais. “O hacker é alguém que usa sua competência para melhorar o mundo. A pessoa que invade sites e comete crimes na internet é o cracker.”

VINICIUS COIMBRA É VENCEDOR DO 10º PRÊMIO SANTANDER JOVEM JORNALISTA

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