Escola de 94 anos vai fechar

Colégio Bom Jesus alega diminuição de alunos

Guilherme Soares Dias, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2013 | 02h14

O Colégio Bom Jesus, no Pari, região central de São Paulo, vai fechar após 94 anos de funcionamento. Após terem sido avisados pela direção da escola, pais e alunos fizeram um protesto nessa terça-feira, 24, às 11h, contra o encerramento das atividades. Cerca de 50 pessoas empunharam faixas de luto na frente do colégio e fecharam o trânsito por uma hora.

A instituição é mantida pela Província Franciscana, da Igreja Católica, que alega dificuldades financeiras. A escola tem dois prédios, um de 1919, de um pavimento, e outro de 1975, de cinco andares, com 60 salas de aula cada - ali, apenas o primeiro andar está em funcionamento. O local abrigou a Universidade São Francisco, que mudou para a Lapa em 2011.

O destino do prédio ainda é incerto, mas os pais de alunos apontam o interesse de instalar um shopping popular nos moldes da Feira da Madrugada, que fica na região. O presidente da Associação de Moradores do Pari, Tamide Szul, organiza abaixo-assinado para tentar o tombamento do prédio de 1919. "A escola é referência para o bairro. Na minha família, dos meus bisavôs até eu, todos estudaram lá", conta. A advogada Maria de Lourdes Ramos, que tem três filhos na escola, diz que o fechamento é revoltante: "Queremos escola, não mais lojas".

A Província Franciscana justifica que a região se tornou "absolutamente comercial", fazendo com que o número de alunos caísse - de 2 mil, há 10 anos, para 400 -, o que teria tornado "inviável a manutenção". Para o vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de São Paulo, José Augusto de Lourenço, pesa a transformação da região central. "Está se tornando mais comercial e há falta de crianças. Isso afeta também escolas públicas", afirma.

Mudança. Para o presidente do sindicato da habitação (Secovi-SP), Cláudio Bernardes, a nova ocupação de espaços faz parte do desenvolvimento da cidade. Ele cita casos de escolas tradicionais, como Porto Seguro, que venderam seus prédios em regiões centrais e procuraram outros lugares.

Há casos ainda como o Colégio Santana, na zona norte, que teve parte do terreno vendida para dar lugar a torres residenciais. O Colégio Salete, também em Santana, fechou em 2011 e prédios foram erguidos no local. Já o São Bento, no centro, chegou a ter o fechamento anunciado em 2003, mas continuou funcionando após pressão de pais e alunos.

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