L. Adolfo/AE
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Escola barra aluna de cabelos azuis em MG

Diretor impediu estudante de 16 anos de assistir às aulas em Uberaba, no Triângulo Mineiro

Aline Reskalla, Especial para O Estado de S. Paulo,

16 Fevereiro 2012 | 20h34

BELO HORIZONTE - Uma estudante do 2.º ano do ensino médio de Uberaba, no Triângulo Mineiro, foi proibida pelo diretor da escola de assistir às aulas por ter pintado o cabelo de azul. O caso ocorreu no Colégio Cenecista Dr. José Ferreira.

 

Indignado, o pai da adolescente B.D., de 16 anos, o advogado Guilherme Diamantino, já matriculou a filha em outra instituição e pensa em acionar a Justiça pelo constrangimento imposto à estudante. Segundo ele, o diretor do colégio, professor Danival Roberto Alves, chamou a menina na última segunda-feira e disse que ela precisava "se adequar à disciplina da escola ou teria que se retirar".

 

"Fui à escola no mesmo dia e conversei com o diretor. Deixamos acertado duas coisas: uma, que eu falaria com minha filha e ela decidiria se queria ficar ou não. Se ela não quisesse, eu teria um tempo para procurar outra escola", disse o advogado ao Estado. Na terça-feira, a garota assistiu à aula normalmente. Ontem, porém, ela foi barrada pelo porteiro, que teria dito: "Ei, menina do cabelo azul, você vai ter que ir embora por ordens do diretor".

 

O pai diz que desde então o professor Danival não mais o atendeu. Além de criticar a escola por se preocupar apenas com a "aparência da pessoa", Diamantino lamentou a forma como sua filha foi expulsa da instituição. "Ele combinou uma coisa e fez diferente. É lastimável". Procurada, a direção do José Ferreira informou que não se pronunciaria.

 

Repercussão

 

A história ganhou as redes sociais, onde Diamantino fez um desabafo e vários estudantes declararam apoio à adolescente. A garota deu uma única entrevista, ao blog Mineira sem Freio, da estudante Jessica de Paula, e declarou: "Eu voltei para a portaria e o mesmo disciplinar o qual havia passado minha carteirinha veio me falar que eu não podia entrar, que eu estava ciente disso, que o professor Danival havia me avisado que se eu não estivesse de cabelo preto eu não entraria. Respondi: não foi nada disso. Que meu pai havia ido conversar com ele e que ele falou que eu poderia continuar frequentando a escola até pensar direito ou arrumar outra escola."

 

Continuou B.D.: "Todos os alunos viram isso. Viram eu entrando e tendo que sair da escola. Foi extremamente humilhante. Passei a manhã toda chorando. Afinal, sou adolescente. Escolhi a forma menos radical de me expor, que foi pintando o cabelo. E me humilharam na frente de todos", desabafou ao blog.

 

Diante da repercussão do caso, a estudante foi orientada pelo pai a não dar mais entrevistas.

 

Na opinião do conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Mário Lúcio Quintão Soares, a decisão de expulsar a garota por causa da cor de seus cabelos fere o direito básico à dignidade e à identidade da pessoa humana. "Isso me deixa perplexo. Em hipótese alguma o educador pode coibir o comportamento dela de pintar o cabelo de azul".

 

Segundo Soares, que é especialista em direito constitucional, o diretor da escola não está apto a exercer a função pedagógica. "A sociedade evoluiu. Estamos no Estado Democrático de Direito. Foi uma decisão conservadora, atrasada, anacrônica. Essa escola prestou um desserviço à educação", disse.

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