Google Street View/Reprodução
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Escola americana em SP suspende aulas após casos de covid e atribui surto a festa de alunos

Tradicional no Morumbi, a Graded enviou carta aos pais sobre pausa de atividades presenciais e vai exigir testes para retorno dos jovens

Renata Cafardo, O Estado de S. Paulo

16 de novembro de 2020 | 21h24

SÃO PAULO - A escola americana Graded School, de São Paulo, teve de suspender aulas presenciais de alunos do ensino médio e outras turmas mais novas por surtos de covid-19 entre alunos e professores. A contaminação, segundo carta enviada aos pais, teria sido causada por festas com centenas de adolescentes de vários colégios este mês. A escola também passou a exigir testes negativos de covid para que os estudantes voltem a frequentar as atividades. 

A Graded é uma das mais tradicionais escolas estrangeiras no País, fundada em 1920 no bairro do Morumbi, zona sul paulistana, para filhos de executivos americanos. Hoje ainda abriga alunos da classe alta da cidade, como filhos de diplomatas, grandes empresários, artistas, apresentadores de TV e muitos estrangeiros. 

“Os casos positivos para covid em nossa comunidade aumentaram e, subsequentemente, impediram nossa capacidade de permanecer totalmente operacional com relação ao ensino presencial”, diz a carta enviada aos pais da Graded na semana passada. Segundo o informe, seis alunos teriam testado positivo só em uma semana e dezessete professores também estão suspeitos de terem sido contaminados. Oito turmas do ensino médio e ainda do 8º ano e do 4º ano tiveram de ser suspensas.

Por causa do ocorrido, alunos dos quatro anos do que os americanos chamam de high school (equivalente ao ensino médio) só poderão voltar à escola ao apresentarem exame negativo do novo coronavírus, medida não tão comum nas escolas particulares. Elas, em geral, têm recomendado o teste, e cobram apenas os 14 dias de quarentena. Estudantes mais novos ainda não terão exame obrigatório, mas serão monitorados. 

Mais de 150 estudantes da escolas participaram de três festas no começo do mês, segundo o Conselho Diretivo da Graded e Equipe de Liderança Sênior, que assinam a carta. A escola tem cerca de mil alunos, do ensino infantil ao médio. O Estadão procurou a escola, mas não obteve resposta até as 21h20 desta segunda. 

Um dos eventos teria recebido 400 estudantes de várias escolas. Segundo o Estadão apurou, uma festa com mais de 200 jovens, de colégios como Bandeirantes e Dante, também estava sendo programada para o sábado passado. Convites eram vendidos por grupos de WhatsApp a R$ 180 para meninos e R$ 100 para meninas, com open bar.

As atividades presenciais na Graded haviam retornado na semana passada e já tiveram de ser suspensas. A Prefeitura autorizou a reabertura das escolas para atividades extracurriculares em 7 de outubro e as aulas apenas para ensino médio no dia 3. Mães que conversaram com o Estadão na condição de anonimato disseram que a notícia das festas revoltou a comunidade escolar que estava ansiosa pela volta. 

Na carta, a escola afirma que gastou R$ 3 milhões para se adaptar à reabertura, com  segurança e logística, o que inclui “câmeras térmicas, sinalização do campus, equipamentos de proteção individual, 14 tendas de aprendizagem ao ar livre, soluções duplas síncronas de áudio e vídeo, software, uma tenda de isolamento”, além de “equipes de limpeza adicionais, três estagiários de enfermagem em tempo integral e divisores de plexiglass”.

A carta faz um apelo para que as famílias reconsiderem “veementemente seus encontros sociais”. “As ações de uma pessoa impactam outras. Nosso corpo docente está pronto, disposto e ávido para ensinar seus filhos cara a cara, mas, compreensivelmente, eles desejam fazê-lo em um ambiente seguro. Por favor, ajude-nos neste sentido.

 

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