Escola aberta à comunidade vira lei nos EUA

O educador americano Gary Wilson quer ensinar os brasileiros que qualquer escola e qualquer aluno pode melhorar. O caminho é levar a comunidade para perto deles.Ele se tornou notório em seu país ao reorganizar e transformar seis escolas do Estado de Washington condenadas ao fracasso, localizadas em locais pobres e violentos.Sua experiência acabou sendo incorporada a uma lei recente dos Estados Unidos, intitulada Nenhuma Criança para Trás, que incentiva governos locais a focar seus investimentos na leitura e na matemática para tentar igualar as habilidades dos alunos em todo o país.Ele falou ao Estado antes de viajar a São Paulo para uma palestra sobre seu trabalho no Fórum Internacional Parcerias em Educação.Estado - Como está sendo sua experiência na recuperação de escolas consideradas fracassadas?Gary Wilson - Minha experiência tem demonstrado que a escola pode melhorar quando ela acredita que pode melhorar. Esse sistema começa fazendo um projeto honesto com as razões pelas quais a melhora não está ocorrendo.Tenho escutado motivos como ´as crianças são pobres demais para aprender´, ´não há tempo suficiente para lidar com elas´, ´a disciplina está fora de controle´, ´os pais não estão envolvidos´, ´não há dinheiro suficiente´ e muitos outros. Quando estudamos a fundo essas escolas, percebemos que alguns desses motivos são verdadeiros, mas muitos não são.Elaboramos então um plano com as estratégias para que a escola melhore. Mas esse plano deve ser desenvolvido incluindo toda a comunidade, ou seja, todos os funcionários, líderes comunitários, líderes das empresas, da igreja e do governo, entre outros. Quando eles estão envolvidos, a escola passa a ser importante para toda a comunidade.Estado - O senhor conhece as escolas brasileiras? Acredita que seus métodos podem ajudá-las?Wilson - Estive em São Paulo e Florianópolis conhecendo algumas escolas há alguns anos. Não conheço todo o sistema brasileiro, todos os problemas, mas acho que intervenções corretas da comunidade funcionam da mesma maneira em qualquer lugar. Acho que posso também dialogar com os brasileiros e usar as suas experiências aqui nos Estados Unidos.Estado - No Brasil, há projetos de abertura de escolas aos fins de semana para tentar diminuir a violência e aumentar o envolvimento dos alunos.Wilson - Eu definitivamente concordo com isso. Já tive experiências em escolas cuja condição dos prédios era desastrosa, as pessoas saíam de lá às 15 horas e ela era invadida. Nós então a abrimos e a transformamos numa escola da comunidade. Tudo aquilo acabou porque as pessoas começaram a confiar na escola, iam lá à noite, faziam jantares familiares e vários tipos de eventos.Estado - No Brasil poucos são os alunos de escolas públicas que conseguem vagas nas melhores universidades. Para tentar resolver esse problema, o governo lançou recentemente um programa de cotas. O senhor concorda com essa solução?Wilson - Temos algo semelhante nos Estados Unidos. Quanto mais rico você é, melhor você se sai na escola. Quanto mais pobre, pior o desempenho. O governo aqui tem dito que isso tem de acabar. Toda criança, em toda a escola, tem de ter sucesso e isso quer dizer que os melhores educadores têm de trabalhar nas escolas pobres. As minorias aqui têm uma diferença de aprendizagem grande, crianças brancas se dão melhor do que as negras ou outras minorias. Concordo plenamente com o sistema de cotas nas universidade nesses casos.

Agencia Estado,

25 de maio de 2004 | 12h38

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