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Esalq abre sindicância contra mural com ofensas sexuais a alunas

O item polêmico estava exposto no Centro de Vivência, um pátio de reunião entre os estudantes, e foi retirado por eles próprios

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

18 Junho 2015 | 11h20

SÃO PAULO - Um cartaz que ligava o nome de alunas a "críticas" sexuais foi exposto em um espaço de estudantes na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), em Piracicaba, interior de São Paulo, e causou revolta de estudantes e professores. O conteúdo da "brincadeira", considerada racista e machista, já motivou a diretoria da unidade a abrir uma sindicância interna para apurar os autores das ofensas.

O item estava exposto no Centro de Vivência, um pátio de reunião entre os alunos, e foi retirado pelos próprios estudantes. O cartaz se dividia em três tópicos: "b** fedida", "teta preta" e "sociedade do anel", dividindo alunas mulheres por estas classificações, com seus codinomes na universidade. Quando um aluno ingressa na USP, assim como em outras instituições, ele é apelidado pelos veteranos e acaba tendo de usar o nome em festas e outros eventos sociais. 

A aluna da Esalq Élice Botelho, de 22 anos, usou o Facebook para criticar o painel. Até as 11h desta quinta-feira, 18, a postagem já contava com 711 curtidas e mais de 100 compartilhamentos. "Quando vi (o cartaz), percebi que o nível de machismo, lgbtfobia e racismo da Esalq não param de piorar", escreveu a estudante.

Ela ainda questiona o racismo do termo "teta preta". "De novo vejo alguma característica da mulher negra sendo utilizado como ofensa, por que o corpo da mulher negra é extremamente objetificado? Porque o bonito continua sendo a pele branca e macia, os mamilos rosados e o cabelo liso. E eu lhes digo que basta!"

A Esalq foi uma das unidades da USP que mais recebeu críticas e denúncias durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou casos de violação aos direitos humanos em universidades paulistas, no início deste ano.  Em fevereiro, a instituição chegou a assinar um acordo com o Ministério Público contra trotes na unidade. Dentre os episódios relatados está o de um aluno que disse ter sido envenenado por um produto agrícola e o de uma estudante que contou ter sido estuprada em uma república. 

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