Erro no cartão-resposta provoca gritaria e gestante passa mal no Recife; prejudicados vão recorrer ao MPF

Estudantes reclamam de orientação discrepante de fiscais nos locais de prova

Monica Bernardes , Especial para o Estadão.edu

06 Novembro 2010 | 18h42

Em Pernambuco, um grupo de estudantes e pais de candidatos procurou o Ministério Público Federal para queixar-se da inversão da ordem das questões no cartão-resposta do Enem. A reportagem tentou falar com o procurador da República Alfredo Carlos Gonzaga Falcão, responsável pelo plantão da Procuradoria no Estado, mas ele não foi encontrado para explicar qual será o procedimento adotado pelo órgão. A pró-reitora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Maria José de Sena, responsável pelo Enem em Pernambuco, afirmou que aguardava uma informação oficial do Ministério da Educação para se pronunciar sobre o caso.

De acordo com relatos de dezenas de estudantes, a desinformação sobre as discrepâncias entre o cartão-resposta e os cadernos de prova era geral entre os fiscais e coordenadores do exame. "Na sala em que prestei prova, os fiscais não sabiam de nada. Foi um rapaz que fazia o exame que chamou a atenção para o problema e a partir daí todo mundo ficou nervoso. Houve gritaria e alguns fiscais chegaram a ameaçar tirar os candidatos da sala. Fiquei muito nervosa e sei que isto atrapalhou meu desempenho", afirmou Valéria Silva, 19, que fez a prova na Universidade Católica de Pernambuco.

Já o estudante Henrique Borba, 23, que fez a prova no Centro de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco, afirmou que os fiscais chegaram a avisar os candidatos sobre o problema, mas pediram que eles aguardassem, por mais de duas horas, antes de iniciarem a marcação do gabarito. "Logo no início das provas, os fiscais alertaram que havia um problema, mas não disseram exatamente o que era. Depois de duas horas, disseram que deveríamos preencher os gabaritos normalmente. Mas a esta altura muita gente já estava nervosa. Eu mesmo acredito que este problema vai refletir na nota de muita gente", desabafou.

Muito nervosa, Natalia Alves, 24, grávida de 4 meses, chegou a passar mal durante a prova. "Quando a notícia sobre o problema chegou na sala onde eu estava eu já havia preenchido metade do gabarito.Fiquei muito nervosa porque a continuidade do meu curso depende da obtenção de uma boa nota que me dê condições de pleitear uma bolsa. Me esforcei bastante, cheguei cedo e depois de tudo acho que vou ser prejudicada por causa de um erro da organização. Isso é muito injusto", reclamou a candidata que classificou as provas como "longas e confusas".

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