<!-- eprograma -->Museu do Ipiranga vai muito além da Independência

Há visitantes do Museu Paulista - ou Museu do Ipiranga, como é popularmente conhecido - que pensam ser aquele o local onde dom Pedro I morou.Mas não: o edifício foi construído no fim do século 19, em 1895, como monumento em comemoração à declaração da Independência. É o mais antigo museu de São Paulo e não se resume às coisas do 7 de Setembro e do Império. Vai muito além.Exemplo disso é a exposição Cidade-Comércio, projeto da museóloga e professora Heloisa Barbuy. O comércio realizado na cidade de São Paulo no fim do século 19 e início do século 20 e as mudanças acarretadas por essas atividades mercantis são o tema da mostra.Vida urbanaO ponto de partida é uma grande pintura de Benedito Calixto: Inundação da Várzea do Carmo em 1892, do acervo do Museu Paulista. Nos detalhes da obra, o antigo Mercado Municipal, quiosques que funcionavam como pontos de venda de bebidas e refrescos, exemplos de vida urbana e comércio daquela época.Ao redor da tela, a mostra se completa com objetos. Uma caixa registradora, fotografias e cartazes, entre outras peças dispostas como se estivessem em vitrines que simbolizam o que era vendido em lojas como Joalheria e Relojoaria Bamberg, Casa Alemã, Casa Levy, Casa Garraux e Pendule Suisse.A sala da mostra, baseada na tese de doutorado de Heloisa Barbuy, intitulada A Cidade-Exposição: Comércio e Cosmopolitismo em São Paulo, 1860-1914 (orientada por Benedito Lima de Toledo), terá caráter permanente no museu.Novos rumosA partir deste ano a instituição quer tomar novos rumos. "Acho que um museu, só porque tem um acervo histórico, não pode se fechar sobre si mesmo. Tem de estar aberto às mudanças da sociedade contemporânea", diz a historiadora Eni de Mesquita Samara, nova diretora do Museu Paulista. Sua posse ocorreu no dia 22 de dezembro.A primeira exposição que ela inaugurou foi no dia 23 de janeiro, Olho Cíclico - Visualidade no Século 19, projeto com curadoria das historiadoras da instituição Solange Ferraz de Lima e Vânia Carneiro de Carvalho. A mostra faz parte dos projetos da gestão anterior, mas sinaliza uma vontade de inserir arte contemporânea no museu.ReformadoO Museu Paulista é uma unidade da Universidade de São Paulo (USP) desde 1963. "Está lindo, reformado, mas o visitante ainda precisa de melhores condições", diz Eni. Há um despreparo em relação à recepção do público - estimado em 350 mil pessoas por ano.Como conta a diretora, não se sabe o perfil do visitante e ainda não há visitas monitoradas. "Acho que nos últimos quatro anos não tivemos esse serviço". A criação de áudio-guias é um dos novos caminhos da direção, assim como a criação de folders e guias. Não há, também, acesso para deficientes, e apenas banheiros externos para os visitantes.Auditório e caféComo o prédio foi construído no século 19, qualquer intervenção em sua estrutura deve ser muito bem pensada. Para a diretora, a melhor solução será construir um anexo com banheiros, um auditório e café, como planeja fazer no Museu Republicano Convenção de Itu, pertencente à USP também e do qual ela é diretora.Em abril, todos os acordos estarão fechados para se iniciar a construção, empreitada orçada em R$ 400 mil, vindos da iniciativa privada. Para o museu de São Paulo, parcerias também terão de ser feitas porque a dotação oferecida pela USP é de apenas R$ 250 mil por ano. "Estou dirigindo um museu que tem de promover duas coisas: de um lado, a equipe tem de produzir pesquisa de ponta porque é um museu universitário. E, do outro, melhorar o atendimento ao público. Não adianta fazer inúmeros projetos, se o local não tem como receber seus visitantes. E essa é a tarefa primeira dessa gestão."Museu Paulista / Museu do Ipiranga Parque da Independência s/n.º, fone 11-6165-8051 - Mostra Cidade - Comércio - terça a domingo, das 9h00 às 16h45, R$ 2 (grátis no 3.º domingo de cada mês)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.