<!-- eprograma --><i>A Viagem de Chihiro</i> diverte e faz refletir

Quando a luz se apagar, esqueça da Disney e seus ratinhos saltitantes, cachorros patetas e papagaios dançarinos. Quem vai assistir a um longa-metragem de animação do diretor Hayao Miyazaki deve se preparar para ver uma história cheia de questões morais e personagens bem mais complexos do que aqueles que povoam os parques da Flórida. Mas fique tranqüilo: é diversão inteligente garantida para todas as idades.O aclamado diretor japonês chega ao Brasil esta semana com A Viagem de Chihiro, que ganhou o Oscar deste ano de Melhor Longa-Metragem de Animação e venceu o Festival de Cinema de Berlim 2002. Depois de sucessos como "Meu Vizinho Totoro" (1988) e "Princesa Mononoke" (1997), Miyazaki queria mergulhar no universo infantil feminino e descobrir o que as meninas sonham e querem da vida.Daí surgiu a idéia de criar a personagem Chihiro uma garotinha de 10 anos preguiçosa e medrosa que não se conforma de ter tão pouco tempo para brincar. Chihiro está de mudança com os pais para outra cidade, só que seu pai se perde no meio do caminho e eles vão parar em uma espécie de parque abandonado, cheio de pequenas lojas e restaurantes misteriosos. Banhos para divindadesEm um deles, os pais de Chihiro se empanturram com a comida, mas a garota prefere dar uma volta e desvendar os segredos daquele lugar. Quando fantasmas começam a aparecer repentinamente, a garota corre de volta e descobre que os pais viraram porcos. Ela então é forçada a ficar e trabalhar no local na verdade uma casa de banhos para deuses e divindades.A partir de então, o diretor vai apresentando as mudanças em Chihiro. Ela descobre o valor das palavras, perde o medo e aprende a trabalhar em sociedade. Ela vê que, se não mostrar seu valor, pode ser devorada pela chefe da casa Yubaba. A casa de banhos é uma analogia que se encaixa bem ao estilo oriental, com chefes que gritam, trabalhos intermináveis e obstáculos intransponíveis.A partir deste ponto, Chihiro começa sua luta para livrar os pais do encanto e voltar para casa. E ela descobre um mundo completamente surrealista, com sapos falantes, insetos-soldados, dragões gigantes e um tecelão de oito braços.Belezas singularesMiyazaki leva o telespectador a uma verdadeira viagem com cenas cheias de belezas singulares, como a fuga de Chihiro pelo campo de flores e sua viagem de trem por um caminho inundado pelo mar.Junto com as belas paisagens, o diretor vai inserindo suas idéias em personagens um tanto assustadores, como o "Deus Fedido" que carrega em si um odor insuportável ao nariz humano - uma alusão aos rios poluídos - e um "Deus Sem Rosto" que expele ouro para os trabalhadores da casa. "Muitas pessoas sentem que dinheiro pode fazê-los feliz. Será mesmo?"O resultado de tudo isso é uma animação que tem o mérito de divertir e ao mesmo tempo ensinar - sem moralismos.SucessoA Viagem de Chihiro, novo trabalho do Studio Ghibli, custou US$ 19 milhões, cerca de um quinto de uma produção da Disney, e se transformou no primeiro longa não-americano da história a faturar US$ 200 milhões, antes de ter sido lançado nos Estados Unidos e na Europa."O sucesso pode ser atribuído a várias coisas", diz o presidente do estúdio, Toshio Suzuki. "O uso de efeitos especiais é severamente controlado. Além disso, a história é uma mistura de modernidade, filosofia e fantasia muito rara no cinema."Leia mais em

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