TV Escola/Divulgação
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Enxugamento em produtora da TV Escola causa 60 demissões

Mudança de gestão da EBC para Ministério da Educação motivou reestruturação; diretora alega queda na demanda de conteúdos

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

19 Junho 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), uma das contratadas pelo Ministério da Educação (MEC) para produzir a TV Escola - um canal institucional da pasta -, demitiu nesta semana cerca de 60 funcionários. A associação produzia uma média de três horas semanais de conteúdo inédito para o canal, mas, desde o início do ano, esse volume caiu 90%. O corte ocorre em meio a medidas de ajuste fiscal, que fizeram o governo federal contingenciar R$ 9,423 bilhões do orçamento da Educação.

A Acerp era gerida pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) mas, desde o início do ano, está sob a supervisão do MEC. A mudança de gestão levou a uma restruturação da associação, com queda no orçamento e na equipe. A entidade também mudou sua sede, que era no centro do Rio, para Botafogo, na zona sul, e para um imóvel menor.

Mônica Gardelli Franco, diretora-geral da Acerp, disse que cerca de 30 funcionários demitidos estão diretamente ligados a área de produção audiovisual e foram dispensados em razão da queda na demanda por conteúdos próprios. Outra parte dos funcionários foi dispensada, segundo Mônica, porque, com a nova sede, houve uma redução de trabalhos administrativos e de manutenção predial.

“A instituição está mais enxuta para atender mais rapidamente às demandas que lhe são expostas. O cenário do mercado audiovisual segue uma tendência de buscar um formato que seja mais ágil, econômico e eficaz. A Acerp acompanha esse movimento”, explicou a diretora. Ela disse que os funcionários podem ser chamados novamente quando houver demanda por novos conteúdos.

Ainda segundo Mônica, a Acerp deve receber cerca de R$ 30 milhões do governo federal. No ano passado, o repasse foi de R$ 40 milhões. “É imprudente falar da crise (como causa da queda). Há uma discussão sobre a base curricular que vai gerar um repertório novo de conteúdos. A gente corre o risco de continuar produzindo e esse material ficar obsoleto.”

O MEC informou que a Acerp tem autonomia para tomar decisões administrativas e que os entendimentos da organização com a TV Escola vão continuara ser feitos normalmente.


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