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Entrevista: ‘Toda escola pode fazer bem’

Para Meire Viana, psicóloga escolar, um bom projeto educacional e apoio psicológico são os principais pontos para levar em conta na escolha do colégio

Entrevista com

Meire Viana

LUIZA POLLO, ESPECIAL PARA O ESTADO

24 Setembro 2016 | 17h00

Além de transmitir conhecimento, a escola divide com a família a responsabilidade pela formação de cidadãos. Por isso, na hora de escolher a instituição onde o filho vai passar grande parte (senão a maior parte) do dia, recai sobre os pais a cobrança de encontrar a escola perfeita. Atividades extras e a pressão para formar o mais cedo possível um cidadão pronto para o mercado de trabalho podem frustrar os alunos e prejudicar o processo educacional. É o que afirma Meire Viana, psicóloga escolar e integrante da Comissão Nacional de Psicologia na Educação (Psinaed) do Conselho Federal de Psicologia (CFP). Ela defende que não há uma escola perfeita. Para Meire, um bom projeto educacional e apoio psicológico são os principais pontos para levar em conta na escolha.

Como os pais se sentem na hora de escolher uma escola para os filhos?

Boa parte das famílias tem a expectativa de que a escola cumpra um papel complementar na educação. Nas últimas décadas, os pais passam muito tempo trabalhando e ficam menos com os filhos. Por isso, precisam confiar na instituição para cumprir uma formação humana, não só de aprendizagem. Eles precisam pensar se a escola combina com o modelo educacional que escolheram, com o projeto de filho que idealizaram.

Você percebe que os pais sentem ansiedade nesse momento?

Nos anos 60 ou 70, escolhendo uma escola ou outra, o aluno saía lendo, escrevendo. Hoje, não se busca só isso - há também o papel de constituir o sujeito como cidadão. A educação está muito mais voltada para a educação humana do que antigamente. Por outro lado, temos educadores com dificuldade de cumprir esse papel em sua plenitude, e essa diferença tem provocado uma ansiedade.

Essa preocupação é justificável ou às vezes é um pouco exagerada?

Entendo que existe a busca dos pais para tentar encontrar um caminho mais assertivo para a família. Não é fácil saber, quando você põe a criança na escola aos 6 anos de idade, se ao longo dos nove anos de ensino ela vai conseguir alcançar o que foi projetado. É desafiador. Talvez seja preciso se acalmar um pouco para ponderar o marketing que as escolas fazem para seduzir esses pais ansiosos.

O que os pais podem fazer para tomar uma decisão com mais calma?

É fundamental pensar quais são suas metas no processo educativo, o que entendem como pontos importantes e almejam para a formação dos filhos. Dentro do possível, os pais podem incluí-los nesse processo, para que eles os ajudem a entender o que desejam em cada fase. Assim, os filhos vão desempenhar melhor e terão menos chance de se frustrar. Praticamente todas as escolas podem fazer bem para crianças ou adolescentes, desde que contem com apoio psicológico e um bom projeto educacional.

O que caracteriza esse bom projeto?

A melhor escola é aquela que se propõe a acompanhar o desenvolvimento de crianças e adolescentes, sem acelerar o processo. A proposta deve ser de desenvolver as atividades dentro de um ritmo adequado à idade, facilitando o relacionamento interpessoal e respeitando o movimento e os gostos dos alunos. Independentemente do conteúdo ou da carga horária, uma boa escola é aquela que permite o pleno desenvolvimento do estudante sem pressa. Muitas vezes a expectativa de que a criança tem de ter sucesso acaba prejudicando. Ela precisa curtir aquele momento que não vai voltar mais. A escola precisa estar atenta: o que está oferecendo aos 8, 9, 10 anos? É isso que o aluno quer? Ouvir a criança e o adolescente é um excelente caminho, além de levá-los para conhecer o espaço, que vai ser de vivência diária.” 

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