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Sucesso no EAD depende do perfil do aluno, diz especialista

Para professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), esse tipo de ensino democratiza o acesso à educação

Entrevista com

Maria da Graça Moreira da Silva

Luciana Alvarez, Especial para O Estado

19 Julho 2016 | 03h00

Há 25 anos trabalhando com desenvolvimento de projetos educacionais em EAD, Maria da Graça Moreira da Silva, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), defende que esse tipo de ensino democratiza o acesso à educação. Segundo ela, para ter sucesso, basta escolher bem o curso e querer aprender.

Todo mundo é capaz de aprender adequadamente com o EAD?

Temos vários formatos de EAD, o que faz a modalidade abranger um amplo perfil de pessoas. Nos cursos auto-instrucionais, o aluno segue de acordo com seu desejo e ritmo. Nesses, depende muito da adesão pessoal. Os semipresenciais beneficiam o aluno que gosta de ter mais contato com pessoas, sente necessidade de criar vínculos. Há certos cursos a distância que até simulam o encontro presencial: eles vão para polos, todos no mesmo dia e horário, e há uma tela em vez do professor na sua frente.

Existe algum tipo de curso que não possa ser feito a distância?

Cursos na área de Biologia que exigem diploma (como a graduação em Medicina ou Odontologia) não são oferecidos nessa modalidade. No entanto, hoje existe muito aprendizado virtual. Os simuladores, por exemplo, são usados até em escolas médicas para o aluno praticar. Tem programas que reproduzem o tecido humano no microscópio, mas que se vê na tela em vez de olhar no aparelho - a imagem é igual. Há também simuladores de experiências químicas que os alunos do ensino médio adoram, porque testam os limites sem riscos. 

Mas há conteúdo ou habilidade que só se aprende presencialmente?

A capacidade de leitura do outro ser humano, de entender o outro pelas suas expressões, só existe no contato presencial. Porém, mesmo a distância, você pode ter empatia. As tecnologias substituem a forma de estar presente, trazem a comodidade de evitar o deslocamento, de articular sua vida profissional e pessoal com o estudo.

Existe um perfil específico de quem costuma optar pelo EAD?

Muitas pessoas optam pelo EAD por não terem a possibilidade de frequentar um curso presencial. Pode ser alguém que tenha horários de trabalho incomuns, quem viaja com frequência, mães com filhos pequenos, pessoas com dificuldades de locomoção. O EAD também ajuda quem mora em regiões isoladas e não tem o curso que deseja por perto, ou mesmo quem mora em grandes cidades com muito trânsito. Eles não conseguem estudar de forma presencial. O ensino a distância democratiza o acesso.

O que todo aluno deveria saber antes de começar um curso desses?

Primeiro, precisa conhecer a instituição, principalmente se for um curso que exige certificação, como graduação ou pós. Depois, tem de saber o método, para entender se ele está adequado ao seu perfil. Então, o interessado deve determinar onde serão os locais de acesso, quais equipamentos são necessários e se ele tem tempo para estudar - alguns confundem flexibilidade com não ter tempo disponível. 

A nova geração tem mais facilidade em usar as tecnologias para o EAD?

O próprio celular possibilita a participação de muitas formas, por mensagens e conferências. Ter facilidade com tecnologia não é questão de idade, é mais de perfil. 

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