Entidades saem em defesa de reitor da USP e criticam Faculdade de Direito

Diretores de todas as unidades da USP, Conselho Estadual de Educação e juízes federais repudiam concessão do título de persona non grata

Carlos Lordelo , Estadão.edu

12 Outubro 2011 | 12h27

Depois de ser considerado persona non grata pela Congregação da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, o reitor da USP, João Grandino Rodas, recebeu manifestações de apoio de todo o comando da universidade, do Conselho Estadual de Educação e da Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul – Rodas é juiz federal aposentado.

Em carta assinada por diretores de faculdades, museus e institutos especializados da USP, a decisão da São Francisco é considerada uma afronta a “valores primordiais” da comunidade acadêmica. Segundo o documento, a manifestação de professores, funcionários e alunos da Faculdade de Direito foi “arbitrária”, pois pretende interditar o espaço da unidade “ao exercício pleno da autoridade legítima a ele (reitor) conferida e assegurada pela instituição”.

Intitulada “A Força da USP é sua Unidade”, a carta foi redigida por dirigentes de dez unidades em reunião na última quinta-feira, na Escola Politécnica. O diretor da Poli, José Roberto Cardoso, diz que o objetivo é “encerrar o assunto de uma vez”. “Não podemos deixar que esse assunto se prolifere e crie situações que possam tornar irreversível o convívio harmônico na USP.”

O comunicado faz referência à polêmica envolvendo o Clube das Arcadas, empreendimento privado do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Associação de Antigos Alunos da Faculdade de Direito e da Atlética. O clube foi lançado no Salão Nobre da São Francisco, o que fez o reitor escrever sucessivos comunicados afirmando que o complexo esportivo e cultural, a ser construído no Parque do Ibirapuera, nada tem a ver com a universidade. Em resposta, integrantes da faculdade afirmaram que o salão pertence à São Francisco, e não à USP.

O reitor também recebeu moção de apoio do Conselho Estadual de Educação, órgão normativo, deliberativo e consultivo do sistema de ensino de São Paulo. Segundo o documento, obtido pelo Estado, a manifestação da Faculdade de Direito “fere a ética universitária” e indica “um processo mais amplo de desqualificação do espaço público democrático no Brasil”. Rodas é um dos 24 membros titulares do CEE.

Em reunião na última quinta-feira, os conselheiros saíram em defesa do reitor e decidiram escrever a moção de apoio. Fazem parte do órgão ex-secretários estaduais e municipais de Educação. Dez conselheiros se manifestaram contra a decisão da São Francisco. Mauro Aguiar, diretor do Colégio Bandeirantes, classificou a atitude de “caipirismo pavoroso, restrição mental absurda e carência fabulosa”.

A Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Ajufesp) enviou ontem moção de apoio à reitoria.“Entendemos que declarar persona non grata um professor que dedicou mais de 40 anos de sua vida à pesquisa e ao ensino acadêmico é um ato que destoa do espírito sensato e democrático da Faculdade de Direito”, diz a entidade na nota. “A Ajufesp torce para que haja uma rápida saída para o impasse.” 

Para o diretor da Faculdade de Direito, Antonio Magalhães Gomes Filho, a manifestação da congregação foi “necessária” para “dar um chega pra lá” na reitoria. Ele diz que já esperava uma reação, mas afirma que a “briga não é com a USP”. “É com Rodas. E só vai terminar quando terminar o mandato dele.”

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