Roberto Stuckert Filho/PR/Divulgação
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Entidades cobram avaliação do Ciência sem Fronteiras

Reivindicação foi feita após congelamento do programa, anunciado na terça pelo governo, por causa das restrições orçamentárias

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2015 | 08h00

SÃO PAULO - Após a confirmação do congelamento do Ciência sem Fronteiras (CsF) como medida de ajuste fiscal, entidades e especialistas cobraram uma avaliação dos resultados do programa antes de investir na próxima fase. A interrupção prejudica a internacionalização do ensino superior brasileiro, segundo eles, mas é  uma chance de redimensionar o tamanho e os objetivos do pacote de intercâmbios. 

Nesta terça-feira, 22, o governo federal admitiu a um comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) que suspendeu a concessão de novas bolsas do CsF por causa das restrições orçamentárias, como mostrou o Estado. A ideia, de acordo com representantes do Ministério da Educação (MEC) e da Secretaria de Direitos Humanos, é  priorizar o ensino básico nesse período de verbas escassas. Os cerca de 35 mil bolsistas que já estão no exterior, porem, terão as bolsas mantidas, informou o MEC.

"O ritmo desse processo de internacionalização vai ficar mais lento", diz Fernanda Sobral, conselheira da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), "Mas nesse momento de crise, e importante avaliar o que foi feito para se planejar o futuro, quando houve recursos", acrescenta ela, professora da Universidade de Brasilia (UnB). Outra preocupação, segundo Fernanda, é que a pesquisa cientifica não perca dinheiro para o programa. 

Tamara Naiz, presidente da Associação Nacional de Pos-Graduandos (ANPG), afirma que o congelamento "frustra milhares" de jovens estudantes. "Muitos já estavam se preparando para estudar fora do Pais", afirma. De acordo com ela, o ajuste fiscal deve preservar os setores de Ciência e Educação. "Ao cortar áreas estrategias, o impacto no desenvolvimento do Brasil sera enorme", prevê Tama, que também defende reavaliação de resultados. 

Especialista em internacionalização do ensino superior, Leandro Tessler acredita que a suspensão atrapalha a visibilidade acadêmica que o País vem conquistando no exterior. "Mas, independentemente de mandar mais alunos para fora, o governo deve manter programas de ensino de idiomas, como o Inglês sem Fronteiras", sugere ele, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Outra necessidade, diz Tessler, e reconhecer a importância do ensino superior para alavancar a educação básica. "Um não e contraponto do outro."

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