Entidades criticam qualidade da merenda e pleiteiam mudanças

Instituições reivindicam repasse de recursos em vez de produtos;mudanças evitariam falta de alimentos

Adriana Ferraz e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2016 | 19h00

SÃO PAULO - A rede terceirizada reivindica um novo modelo de merenda. Com reclamações relacionadas à qualidade dos alimentos e à forma de entrega, as instituições defendem que a Prefeitura repasse verba para a alimentação das crianças em vez de entregar os produtos. O modelo ainda evitaria a ausência de itens como o óleo de soja, que hoje está em falta.

A merenda escolar oferecida às crianças das creches terceirizadas e indiretas também é diferente, se comparada à da rede própria. Tanto unidades que funcionam em prédios alugados como em prédios públicos recebem produtos da Prefeitura. Caminhões entregam frutas e verduras semanalmente e os demais itens, como arroz e feijão, duas vezes ao mês. Já as creches diretas têm cozinhas comandadas por empresas. 

O pedido das entidades se baseia em três pontos: o direito de escolher os produtos que serão preparados em suas cozinhas, a ampliação do controle de qualidade e a possibilidade de aquecer o comércio local. Um projeto com esse objetivo aguarda votação na Câmara Municipal. 

Em uma das creches visitadas pela reportagem na região central, funcionários se queixam de alimentos que chegam já com a validade vencida. “Se nós checamos na hora do recebimento e já percebemos que está estragado, eles trocam. Se só notamos no dia seguinte, por exemplo, temos de comprar do nosso próprio bolso”, explicou uma funcionária. 

A qualidade do feijão também é questionada pelas instituições. Elas afirmam que a marca oferecida pela Prefeitura é de baixa qualidade. “Temos de deixar de molho ao menos um dia porque ele é muito difícil de cozinhar”, disse Adriano Oliveira, gerente diretor da Sociedade de Ensino Profissional e de Assistência Social (Sepas), que mantém creche na zona leste.

A Secretaria Municipal da Educação diz que não há desabastecimento de óleo, mas “falta pontual”, e que as entidades têm recursos para complementação da alimentação. Sobre a qualidade, a pasta afirma que a alimentação oferecida é balanceada, variada e nutritiva. Mas não comenta o pedido de mudança no formato.

Ampliação de vagas exige parcerias, diz prefeito

O prefeito Fernando Haddad (PT) disse ao Estado que não existe possibilidade de o governo acompanhar a demanda por creches só com equipamentos próprios. “Admitimos como creche pública a conveniada (terceirizada), que não cobra mensalidade. Fizemos isso porque não há como o Estado bancar creches públicas no ritmo necessário”, afirmou. Segundo Haddad, o quadro pode mudar no futuro. “Só foi possível abrir 90 mil vagas (na educação infantil) em três anos (de 2013 a 2015) com os convênios. Significa que sempre vai ser assim? Talvez não. Em algum momento, talvez, o País tenha condição de incorporar esse serviço.”

A Prefeitura nega que a opção pelo modelo seja econômica e afirma já ter construído 84 equipamentos educacionais desde 2013. Sobre a diferença entre as carreiras de professores nas redes direta e terceirizada, a Secretaria Municipal da Educação afirma que não interfere em convenções trabalhistas privadas e que os valores são definidos pelas instituições.

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