MARINA BERNARDO
MARINA BERNARDO

Entenda as provas de proficiência em inglês

Para estudar fora, alunos têm de comprovar conhecimento da língua estrangeira. Cada instituição exige um tipo de exame e nota mínima

Ana Carolina Neira, Especial para o Estado

28 Abril 2016 | 11h06

Estudar em uma universidade fora do Brasil requer planejamento, pois as exigências das instituições de ensino incluem desde o histórico de notas do aluno traduzido até o temido exame de proficiência em língua estrangeira. Muitos estudantes ficam perdidos quando esbarram nessa última necessidade, sem saber qual a melhor maneira de comprovar a fluência no inglês, o idioma mais requisitado em universidades do mundo todo.

Uma pesquisa realizada pelo Conselho Britânico aponta que 53% dos cursos internacionais em instituições cujo país não tem a língua inglesa como a oficial são oferecidos em inglês, atraindo estudantes de várias nacionalidades.

O primeiro passo é descobrir o exame exigido pelas instituições de ensino desejadas e qual a nota mínima para aprovação. Essas informações costumam estar disponíveis nos próprios sites das faculdades. Entre os testes mais reconhecidos e requisitados estão The Test of English as a Foreign Language (Toefl), International English Language Testing System (Ielts) e Cambridge English: First (FCE). Todos avaliam a capacidade do candidato para falar, escutar, ler e escrever em inglês, dividindo o exame em quatro etapas, uma para cada habilidade.

A diretora regional do escritório de Cambridge English no Brasil, Piri Szabo, afirma que o mais importante na hora de escolher o exame é saber a finalidade desse certificado. “Conhecer seu objetivo é o ponto de partida. Se é um professor em busca de qualificação, se é um jovem que quer estudar fora. Há um exame para cada propósito e nível de conhecimento no idioma. Tem de pesquisar para descobrir o mais indicado para seu perfil.”

Os países membros da União Europeia, muito procurados por brasileiros que querem estudar fora, seguem uma tabela comum de níveis de domínio do idioma. De acordo com a escala, o estudante que atinge uma nota equivalente ao nível A1, por exemplo, possui conhecimentos básicos de inglês. Uma nota com equivalência C2 assegura um nível nativo. A maioria das universidades exigem o nível B2, ou intermediário avançado, para aceitar um estrangeiro.

Melhora no currículo. A professora de inglês Liliana Câmara, de 24 anos, decidiu prestar neste ano o FCE, de Cambridge, após pesquisar a prova mais indicada para sua certificação. “Meus professores sempre falaram sobre a importância desse certificado no mercado de trabalho e como isso poderia melhorar meu currículo.”

Apesar de trabalhar com idiomas, Liliana procurou um curso preparatório no ano passado e retomou as aulas recentemente. “Foram seis meses de aulas, mas precisei parar. Além disso, ainda não me sentia preparada para fazer a prova naquela época, então vou tentar agora.”

Estudando cerca de uma hora todos os dias, ela acredita que a dinâmica das aulas preparatórias fazem toda a diferença. “No curso a gente tem contato com outras pessoas com o mesmo objetivo, compartilhamos ideias e conhecimentos. Acho que a interação ajuda todo mundo a desenvolver melhor as habilidades no idioma.”

Quem vai prestar um exame de proficiência em língua inglesa deve ter um bom nível do idioma. O gerente acadêmico da Cultura Inglesa, Vinícius Nobre, explica que os cursos disponíveis para preparar os candidatos possuem objetivos bastante específicos. “Preparamos os alunos para a estrutura da prova. Quem nos procura deve saber que é um curso que não vai necessariamente mudar seu nível do idioma, pois para isso há os cursos de inglês regulares.”

A Cultura Inglesa aposta em explorar todas as quatro habilidades exigidas durante as provas. “Nossa estratégia é acostumar o aluno com o tipo de exame fazendo simulados, explicando quais os critérios de correção, conhecendo bem o que será cobrado”, explica. “Fazendo o curso é possível aumentar as chances de aprovação graças ao preparo, mas o nível de inglês continuará o mesmo. Nosso foco é o teste.”

A assistente de estilo Raquel de Carvalho Novais, de 24 anos, fez o caminho certo: graduada em moda, ela escolheu dois cursos de pós-graduação que gostaria de fazer em Londres, no Reino Unido. O próximo passo foi descobrir as exigências das universidades, incluindo o Ielts. “Fui pesquisando na internet. Nunca tinha ouvido falar desse exame, mas vi que várias escolas exigiam uma nota mínima, por isso decidi fazer um curso preparatório.”

Munida do inglês que havia aprendido na escola, Raquel matriculou-se na Cultura Inglesa para um curso de preparação com duração de um semestre. Após a prova, realizada no fim de fevereiro, agora é esperar o resultado. “Preciso de uma nota sete para ser aceita. Acho que sem esse curso eu não conseguiria fazer o exame, porque é um formato muito específico, não basta saber inglês.”

A jovem garante que, caso não seja aprovada dessa vez, continuará tentando. “Percebi que se eu quiser trabalhar com moda lá fora, preciso de uma formação ainda melhor do que tive aqui no Brasil. Mas, para isso, tenho de provar que meu inglês é excelente, então a solução é tentar.”

O inimigo número um de qualquer candidato que faz provas extensas é o tempo, que precisa ser controlado com cuidado. Divididos em quatro partes, os exames de proficiência costumam ter, em média, entre duas horas e 40 minutos e quatro horas de duração. Como acontece nos vestibulares, é comum que algumas pessoas tenham dificuldade para administrar o relógio.

Foi o que aconteceu com a estudante de Relações Públicas Alana Claro, de 20 anos. Ela prestou o Toefl pela primeira vez em 2012 com a intenção de fazer faculdade nos Estados Unidos. “As perguntas não são muito difíceis, o problema é o tempo disponível para uma prova cheia de detalhes e que exige cuidado com as respostas.”

Data de validade. O exame não expira, mas muitas instituições exigem que ele tenha sido realizado nos últimos dois anos. Por isso, Alana teve de refazer o teste em 2014. Os planos de cursar uma universidade americana não deram certo, mas graças ao bom resultado conquistado na segunda avaliação, a jovem foi aprovada para fazer um curso de verão na Universidade de Essex, na Inglaterra.

“A nota mínima era 90, e eu tinha conseguido 108 pontos de 120 possíveis. Antes da prova, estudei com um livro específico e me preocupei mais com as áreas em que eu achava que estava mais defasada, como a escrita.”

Além da corrida contra o relógio, que deixa muitos candidatos ansiosos e acaba influenciando no desempenho, prestar atenção no que a prova pede é essencial. De acordo com o diretor de Educação do CNA, Marcelo Barros, a linguagem usada na prova acaba sendo um dos empecilhos para alguns alunos. “Recomendo que prestem atenção no grau de formalidade. Se a prova pede um diálogo com um colega de classe ou com um presidente de empresa, é preciso pensar em como falar com cada um deles. Muitas pessoas são reprovadas porque não usam a linguagem adequada.”

O CNA, além de ter cursos preparatórios, adota o exame FCE como prova final de todos os seus cursos de inglês regulares para adultos. “Acostumamos o aluno a esse tipo de teste durante todo o curso com simulados. Desse jeito não há surpresas no exame final’, conta o diretor de Educação do curso.

TIPOS DE EXAMES

FCE

Oferecido pela Cambridge English. É um teste de nível intermediário superior

Preço: A partir de R$ 640 - preço muda segundo o centro autorizado e o exame 

Informação: www.cambridgeenglish.org/br/exams/proficiency/

TOEFL

O teste avalia a capacidade do candidato para compreender e usar o inglês no nível universitário

Preço: US$ 215 

Informação: www.ets.org/pt/toefl/ibt/about/content

IELTS

É o teste de língua inglesa mais popular do mundo para ensino superior e migração global. A versão Academic é indicada para comprovar fluência no ambiente acadêmico de ensino superior. A opção General Training mede a proficiência em uma situação mais prática, com aplicações cotidianas

Preço: Cerca de R$ 700 

Informação: takeielts.britishcouncil.org/pt

Curso online gratuito para o exame: takeielts.britishcouncil.org/pt/preparação/grátis-curso-online-do-ielts

 

CURSOS PREPARATÓRIOS PARA AS PROVAS

CNA

Duração: Um semestre (50 horas)

Valor: Seis parcelas de R$ 340 

Site: cna.com.br

Cultura Inglesa Ielts

Duração: 16 aulas de 100 minutos cada ou 32 aulas de 100 minutos cada - a escola também tem curso preparatório para o Toefl (condições sob consulta)

Valor: De R$ 1.700 a R$ 3.400 - o preço varia de acordo com a quantidade de aulas escolhidas 

Site: www.culturainglesasp.com.br/wps/portal/Internet_New/Nossoscursoscertificados

 

DICAS

Tenha um objetivo

Isso é essencial na hora de escolher para que prova prestará. Universidades e embaixadas podem auxiliar, além dos sites dos próprios exames.

Faça provas anteriores

Procure testes passados e tente realizá-los em condições de tempo semelhantes à realidade. Na internet, são encontrados alguns desses exames. Além dos exercícios escritos, há também vídeos com o modelo da prova oral.

Escolha bem um curso

Busque cursos e professores com conhecimento profundo não apenas do idioma, mas da estrutura da prova que você deseja prestar.

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