Entenda as mudanças da Unesp

Vestibular não terá provas específicas por carreira; universidade diz que objetivo é valorizar interdisciplinaridade

Ana Bizzotto e Bruna Tiussu, Especial para O Estado de S. Paulo

27 Maio 2009 | 20h14

Seguindo a tendência dos principais vestibulares do País, o da Unesp também mudará no fim do ano, para valorizar a interdisciplinaridade. As questões não serão mais divididas em disciplinas, as questões serão organizadas em três grandes grupos. O primeiro deles é o de Linguagens, códigos e suas tecnologias, que abrange conhecimentos de Língua Portuguesa, Inglês, Educação Física e Artes. O segundo é o de Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias, avaliando conhecimentos de Biologia, Química e Matemática; e o terceiro o de Ciências Humanas e suas tecnologias, agregando as disciplinas de história, geografia e filosofia.   A seleção, antes feita em única fase, agora terá duas. A primeira etapa, em novembro, terá uma prova com 90 questões de múltipla escolha de conhecimentos gerais - 30 de cada um dos três grandes grupos. A segunda fase, em dezembro, terá dois dias de prova. Os estudantes farão uma redação e 36 questões discursivas: 12 de Linguagens, códigos e suas tecnologias; 12 de Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias e 12 de Ciências Humanas e suas tecnologias. As datas das provas ainda não foram definidas.   Com essa nova divisão, todos os candidatos farão as mesmas provas. Caíram do exame as provas específicas para cada carreira, alteração que mereceu críticas do diretor do Sistema Anglo de Ensino, Nicolau Marmo. "Antes era um vestibular equilibrado, acabar com a prova específica vai deixá-lo pior. Além disso, vão cobrar artes sem terem definido o que entra aí e vão incluir educação física como matéria de vestibular. Vejo como um retrocesso."   Quem está se preparando para o vestibular da Unesp também foi pego de surpresa. Mariel Marques Rodrigues Alves, de 19 anos, pensava em prestar o exame para Engenharia Civil, mas desistiu depois do anúncio das mudanças. "Fiz a prova no ano passado, mas resolvi não fazer neste porque a prova mudou muito. Vai cair até educação física em questões dissertativas. Não concordo com isso."   De acordo com a diretora da Vunesp (fundação que faz o vestibular da Unesp), Tânia de Azevedo, as alterações vêm sendo discutidas desde 2004 e o que se pretende com elas é selecionar estudantes com formação mais ampla. Um dos principais motivos das modificações é o alto índice de reprovação nas disciplinas dos primeiros anos de cada curso. "Isso demonstra que muitos alunos chegam à universidade com a formação conceitual pouco consolidada. Hoje precisamos de alunos mais críticos, que saibam interpretar e contextualizar."   Outra mudança diz respeito à correção. Todas as provas serão avaliadas por duas bancas, para reduzir a subjetividade da avaliação. A divisão em duas fases também facilita o processo, já que haverá menos provas para corrigir.

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