Entenda a TRI, usada para calcular a pontuação no Enem

Aluno que acerta menos questões pode ter mais pontos, segundo modelo matemátic

Estadão.edu

26 Outubro 2011 | 17h06

 Em maio de 2009, o suplemento Estadão.edu publicou reportagem sobre a Teoria da Resposta ao Item (TRI), conjunto de modelos matemáticos usado para calcular a  pontuação dos candidatos no Enem.

Atualizamos as datas e republicamos trechos da matéria abaixo:

Esqueça as comparações clichê do vestibular como maratonas ou corridas de obstáculos. O novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está mais para prova de salto em altura. Remodelado em 2009 para ser o grande vestibular nacional, ele tem como espinha dorsal a sigla TRI (Teoria da Resposta ao Item), conjunto de modelos matemáticos já usado em exames internacionais como o Pisa. Um efeito prático da TRI é que um candidato pode ter pontuação mais alta acertando menos questões que outro.

A explicação disso passa pela comparação com o salto. “Pus o sarrafo dez vezes. Um cara passou por ele dez vezes, o outro em oito. Quem é o melhor? Depende da altura do sarrafo”, explicou Reynaldo Fernandes, então presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC responsável pelo Enem.

Em qualquer exame, há questões mais complicadas do que outras. A diferença com a TRI é que os itens mais difíceis valem mais pontos que os demais. “Todas as questões são pré-testadas para a gente calibrar esse grau de dificuldade”, disse Fernandes.

Alunos do ensino médio fazem os pré-testes. O Inep cruza a performance desses estudantes para avaliar o grau de dificuldade de um conjunto de questões. Depois de selecionar os itens que mais bem avaliam desempenhos, descartando os que têm enunciado ruim, por exemplo, os técnicos montam uma régua para determinar o peso de cada uma das questões. 

Os candidatos não sabem, na prova, qual questão vale mais pontos. O Inep agrupa os itens em três conjuntos – fáceis, médias e difíceis –, distribuídos numa escala crescente.

Outra consequência prática do uso da TRI é que o candidato não tem nota, mas pontuação. Mesmo que o gabarito indique 20 acertos num conjunto de 40 itens, isso não significa 50% de aproveitamento. Tudo por causa dos pesos diferentes de cada questão. Só um especialista consegue calcular a pontuação final do aluno.

Assim como as questões estarão dispostas em uma escala de dificuldades, o desempenho dos alunos também será colocado em uma régua. “Quem estiver na posição 600, por exemplo, saberá exatamente quais conhecimentos domina e quais não domina em cada área”, afirmou Dalton de Andrade, professor do Departamento de Informática e Estatística da Universidade Federal de Santa Catarina. 

O novo Enem recorre a termos matemáticos, como eixos e matrizes, para definir essa nova proposta de vestibular. A prova será baseada em cinco eixos, comuns a todas as áreas de conhecimento: domínio de linguagens, compreensão de fenômenos, enfrentamento de situações-problema, construção de argumentos e elaboração de propostas de intervenção na sociedade. 

A prova não se estrutura apenas em disciplinas. Cada eixo está diluído nas quatro matrizes que agrupam matérias tradicionais, como biologia e português: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; e Ciências Humanas e suas Tecnologias. Em cada matriz, há 30 habilidades, conhecimentos esperados de um estudante no fim do ensino médio.

Assim, o Inep atende a uma das razões para a remodelação do Enem: a necessidade de enxugar o currículo das escolas. Na preparação dos alunos para vestibulares cada vez mais abrangentes, elas ampliaram o programa do ensino médio. Na corrida para dominar tudo o que pode cair na prova, os estudantes deixaram de se concentrar em habilidades básicas.

Outra vantagem do novo Enem para as escolas é a de permitir comparar o desempenho dos alunos ao longo do tempo. A TRI torna isso possível porque a régua que mede o grau de dificuldade das questões não varia de uma prova para outra.

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