Ensino superior ganhou seis novos cursos por dia em 2002

No último ano do governo Fernando Henrique Cardoso foram criados em média seis cursos de ensino superior por dia. A explosão confirma uma tendência que vem sendo registrada há alguns anos. De 1998 para cá, o número de cursos de graduação cresceu 107%, passando de 6.950 para 14.399.O aumento no período ocorreu principalmente na rede particular. Em 1998, eram 3.980 os cursos oferecidos. No ano passado, esse número subiu para 9.147. Os dados são do Censo de Educação Superior de 2002, divulgado nesta sexta-feira pelo Ministério da Educação."Herdamos um passivo de descontrole", criticou o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), Luiz Araújo. "Houve um crescimento desordenado do setor, o que potencialmente leva a uma queda de qualidade do ensino."Mais particularesA última edição do Censo de Educação Superior revela ainda o quanto aumentou a participação das instituições particulares de ensino superior no mercado. Em 1991, elas representavam 75,1% do total. Em 2000, esse porcentual subiu para 85,1% e agora alcança 88,1%.Das cinco maiores instituições do País em número de alunos, quatro são privadas. A Universidade Paulista (Unip) lidera, com mais de 88 mil alunos.Disputa diminuiuO maior número de cursos de instituições particulares trouxe duas conseqüências imediatas. A relação candidato-vaga nos cursos privados diminuiu e o número de alunos matriculados cresceu. Em 1998, a média de estudantes que disputavam a mesma vaga em cursos particulares era de 2,2. Em 2002, o índice caiu para 1,6.No ensino público, porém, ocorreu fenômeno oposto. Desde a década de 1990, a relação candidato-vaga vem crescendo e em 2002, alcançou 8,9.Instituições falindoO número de matrículas de todo o setor de ensino subiu em cinco anos 64%, o que representa uma média anual de aproximadamente 13%. Pelas projeções feitas pelo Inep, se o ritmo de crescimento se mantiver, em 2007 haverá cerca de 6,4 milhões de alunos.De qualquer forma, pela situação do mercado, a expansão deve diminuir nos próximos anos. "Chegamos a um ponto em que a oferta de vagas já é maior do que a procura", diz o diretor da CM Consultoria Educacional, Ryon Braga. "Há muitas instituições pequenas falindo e outras que não conseguem preencher nenhuma turma." A média de vagas ociosas já chega a 37%. leia também Para MEC, desafio é ampliar vagas públicas com qualidade Porcentual de universitários ainda é baixo Falta de dinheiro obriga estudante a adiar graduação

Agencia Estado,

18 de outubro de 2003 | 01h11

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.