Marília Assunção/ESTADAO
Marília Assunção/ESTADAO

Ensino público de SP só fica entre melhores no 5º ano do fundamental

O Saeb é a mais importante avaliação brasileira. Ele mede a aprendizagem dos alunos do 5º ano e 9º ano do fundamental e do 3º do médio, desde 1995, nas escolas públicas

Renata Cafardo, Victor Vieira, Cecília do Lago e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 11h00
Atualizado 30 Agosto 2018 | 23h27

SÃO PAULO - O Estado de São Paulo, o mais rico do País, não ficou nem entre os cinco melhores do 6.º ano ao 3.º médio público no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017. Os paulistas só estão no topo do ranking nacional do 1.º ao 5.º ano do fundamental em Português - etapa em que a maioria das escolas é gerida pelos municípios. No ensino médio, as notas são as piores pelo menos desde 2011.

O líder no ensino médio é o Espírito Santo, que fez recentes políticas de gestão escolar e combate à evasão. “O comprometimento da alta liderança, como governadores e secretários, para uma mudança na educação é muito importante”, afirma o superintendente do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques.

O ensino médio público paulista aparece apenas na 7.ª e na 11.ª posições no ranking de Português e Matemática, respectivamente. Fica abaixo de Estados com menor nível socioeconômico, como Rondônia e Mato Grosso do Sul. Cerca de 85% das matrículas são de responsabilidade dos Estados. 

Em 2015, edição anterior do Saeb, as posições eram 5.ª e 7.ª no ranking nacional. Procurada pelo Estado, a equipe do ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à Presidência da República, disse que os dados mostram que o “modelo atual do ensino médio” está falido, mas não comentou especificamente o resultado da educação pública paulista. 

Para Monica Gardelli, superintendente da organização sem fins lucrativos Cenpec, a oferta de ensino integral na rede ainda é restrita, o que compromete o avanço. De mais de 5 mil escolas estaduais, menos de 600 têm jornada ampliada. Além disso, ela acredita que a reação contrária à proposta de reorganizar a rede paulista, proposta e abandonada pelo governo em 2015, também pode ter produzido efeito negativo. “Essa insatisfação dos jovens tem reflexo no desempenho.”

O problema também se repete do 6.º ao 9.º ano, em que São Paulo fica na 8.ª posição em Português e na 10.ª em Matemática. “O fracasso no ensino médio revela a defasagem que vem do fundamental”, diz João Cardoso Palma Filho, especialista em política educacional da Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Não se ensina Física para quem não sabe Matemática.”

Problema

A Escola Estadual Almirante Marquês de Tamandaré, na Freguesia do Ó, zona norte, não tem biblioteca nem laboratório de informática. Os professores pedem aos estudantes para usarem os próprios celulares em pesquisas online. Segundo pais e alunos, além disso parte das turmas do 9.º ano não tem professor de Português desde 2016. “Complica fazer vestibular com isso que temos hoje. Poucos conseguem passar”, comenta a veterinária Lenice Rocha, de 56 anos, mãe de uma aluna do 9.º ano. 

Em nota oficial, a Secretaria da Educação do Estado informou que os resultados “evidenciam a necessidade de melhora tanto no ensino fundamental quanto no médio”. E diz que para avançar são necessárias “ações, como a valorização do professor e o investimento em tecnologia”. O governo também afirmou que não faltam docentes na escola visitada pela reportagem e ressaltou que os computadores estavam sendo atualizados. 

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