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'Ensino médio precisa levar em conta projeto de vida dos jovens'

Para Priscila Cruz, presidente do Movimento Todos pela Educação, outro problema é a pouca atratividade da carreira docente

Entrevista com

Priscila Cruz

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2016 | 23h07

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) dos alunos brasileiros do ensino médio está estagnado desde 2011 e abaixo da média estipulada pelo Ministério da Educação (MEC). Dados divulgados nesta quinta-feira, 8, pelo ministro Mendonça Filho revelam, ainda, que o ensino médio da rede privada teve o pior desempenho desde o início da série histórica do indicador, iniciada em 2005.

A presidente do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, avalia os desafios da educação básica. 

1. Por que há tanta dificuldade de avançar no ensino médio no Brasil?

Basicamente por duas razões. O desenho do ensino médio é ineficiente, com 13 disciplinas obrigatórias. Não dá para ter bom aprendizado com esse modelo. É preciso ter ênfase por áreas e levar em conta o projeto de vida dos jovens. Outro problema é a carreira docente, que não tem atratividade. Não estamos conseguindo atrair o bom aluno do ensino médio para dar aulas. E o curso superior e as formações continuadas não preparam bem. 

2. E por que a rede privada também não melhora? 

Há uma noção distorcida sobre a rede particular, que não é tão superior à pública. A carreira docente também não é atrativa no colégio privado. 

3. E qual é o desafio para o ensino fundamental 2? 

Essa etapa fica no meio e não é pauta dos secretários municipais nem dos estaduais. O aluno sai daquela configuração de um professor apenas e começa a ter um professor por disciplina. Além disso, a adolescência é a fase em que se vivem mudanças físicas e psicológicas. Isso exige do poder público políticas específicas para essa fase. Seria melhor equilibrar a divisão entre Estados e municípios nessa fase (ambos costumam ofertar o fundamental 2). A prefeitura deveria cuidar só da criança: creche, pré-escola e fundamental 1. Já o Estado deveria cuidar do adolescente e do jovem, o que corresponde ao fundamental 2 e ao médio. 

 

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