Ensino médio precisa dobrar recursos para resolver problemas

Grupo de trabalho do governo conclui que reforma desse nível de ensino demanda gastos de R$ 2 mil por aluno

Lisandra Paraguassú, de O Estado de S. Paulo,

16 de dezembro de 2008 | 21h28

As propostas do governo federal para resolver o nó do ensino médio vão precisar de um investimento quase duas vezes maior do que se gasta hoje. Os resultados do grupo de trabalho formado pelo Ministério da Educação e a Secretária Extraordinária de Assuntos Estratégicos para uma reforma na escola apontam para um gasto mínimo, por aluno, de R$ 2 mil. São recursos necessários para formar professores, mudar currículos, incrementar o atendimento de jovens e adultos que deixaram de estudar e alterar o ensino técnico.  Veja também: As melhores escolas públicas e privadas do País   O investimento por aluno em 2006, dado mais recente existente, foi de R$ 1,4 mil. "O maior crescimento de recursos que já ocorreu no ensino médio foi de 2005 para 2006, cerca de 35%. Não temos os dados de 2007 ainda, mas sabemos que a tendência é de manutenção desse crescimento", disse o ministro da Educação, Fernando Haddad. "Eu estou completamente de acordo com o relatório do GT. Hoje os recursos são muito insuficientes para que se ofereçam as perspectivas de desenvolvimento necessárias aos jovens".  Criar alternativas ao ensino médio regular existente hoje é o foco principal do relatório do GT apresentado ontem, especialmente no atual ensino técnico de nível médio. "Uma escola que ofereça o ensino geral e o técnico terá que oferecer uma capacitação flexível, adequada à economia contemporânea, não ofícios rígidos", disse o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger. A idéia, segundo o ministro, é que o estudante não seja ensinado a operar determinados tipos de máquina mas, por exemplo, tenha aulas de física de uma maneira que possa acompanhar o desenvolvimento de máquinas e se adaptar às mudanças exigidas pelas novas tecnologias. O currículo também seria mais flexível, permitindo ao estudante uma formação diferenciada, que lhe autorizasse escolher disciplinas mais adequadas ao seu perfil.  Outra idéia apresentada pelo grupo é a criação de escolas de ensino médio com currículo adequado ao ensino de jovens acima de 17 anos e adultos, mas que não necessariamente sejam os cursos atuais, reduzidos, apenas para obter o certificado de conclusão. Ainda não há uma proposta fechada, mas algumas idéias circulam no ministério. Poderia, por exemplo, ser criada uma escola que dispensasse as férias de verão e inverno para que os estudantes acelerassem os estudos. Outra alteração - que já é autorizada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, mas raramente posta em prática - é a que permitiria o estudo em módulos de disciplinas. Assim, em caso de repetência, o estudante teria que refazer apenas o módulo em que não teve sucesso.  Outra proposta, que deve ficar pronta em janeiro, é a de alteração o currículo do ensino médio regular. A intenção é aproximar mais as disciplinas da vida real dos estudantes - nada de novo até aí -, incluir laboratórios de informática, ciência, biologia, salas de arte e outras que permitam os alunos fazer pesquisa e experimentar dentro das escolas. "Hoje não há uma ponte entre o aprendido na escola e o mundo real. Os alunos ficam apenas na teoria. É a política do quadro negro e giz", disse Carlos Artexes Simões, coordenador de ensino médio da Secretária de Educação Básica do Ministério da Educação.  O problema da alteração do currículo é que o MEC pode ser apenas indutor. São as redes de ensino, estaduais e municipais, que têm o poder de definir suas disciplinas. "Não haverá um padrão nacional. São saberes e valores que estarão previstos nas diretrizes que serão refeitas pelo Conselho Nacional de Educação", explicou o coordenador.

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