Ensino médio particular bate meta do Ideb em apenas um Estado

Apenas Roraima alcança nota estimada pelo governo federal; nas séries iniciais, 12 UFs não chegam ao índice estabelecido

Guilherme Soares Dias , Especial para O Estado

05 Setembro 2014 | 22h46

A rede particular teve piora na nota do ensino médio avaliada pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Dos 27 Estados, apenas Roraima atingiu a meta estabelecida pelo governo federal. Além disso, 18 Estados tiveram nota menor em 2013 ante 2011. 

Nas séries finais do ensino fundamental (6.º ao 9.º ano), 24 Estados não alcançaram ao patamar previsto para 2013. As notas cresceram em dez Estados, caíram em 11e ficaram estáveis em seis. No primeiro ciclo do Ensino Fundamental (1.º ao 5.º ano), a situação melhora. Quinze Estados conseguiram atingir a meta e 22 apresentaram crescimento na nota.

Para o psicólogo e especialista em Educação João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, a piora das notas da rede pode ser resultado do aumento de matrículas. “Com a melhora socioeconômica, mais pessoas tiveram acesso a escola particular”, diz. Oliveira critica, no entanto, o método de avaliação do Ideb que mistura nota com índice de reprovação. “O método de estabelecer a meta do Ideb ninguém sabe direito como é”, diz.

Com resultados aquém do esperado, a professora do curso de pós-graduação de Educação: Currículo da PUC-SP Regina Luz de Brito considera que os desafios da rede privada são semelhantes ao da pública. “Precisa valorizar os profissionais da área, melhorar o currículo do Ensino Médio e aproveitar as experiências positivas”, defende.

Amostra. Em 2012, o então ministro da Educação Aloizio Mercadante declarou que todas as escolas privadas seriam obrigadas a fazer em 2013 a Prova Brasil, avaliação usada para calcular o Ideb e calcular o desempenho do sistema. A promessa, no entanto, não foi cumprida e somente uma amostra da rede particular faz parte da avaliação. 

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) diz que, apesar do desejo de que toda a rede participe da avaliação, não há como obrigá-la. Dessa forma, há tentativa de fazer acordo, mas não há previsão de quando haverá participação de toda a rede particular.

Com apenas uma parte das escolas avaliadas, a presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Amábile Pácios, diz que os dados não frustram. “Está dentro da expectativa e da variação estatística. É apenas um retrato de mostra da rede. O MEC escolhe escolas e, se pegarmos amostragem diferente, podemos estourar a meta”, afirma.

Apesar de ver avaliação positivamente, Amábile reconhece que, para melhorar o desempenho, as escolas têm desafios como capacitar professores, ter boa conexão de internet e garantir sobrevivência como empresa. “O MEC não tem diálogo nesse aspecto, perseguimos resultados por conta própria”, diz. 

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