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Ensino a distância ganha prestígio

Antes da pandemia, o EaD era considerado um “plano B”, menos eficaz que as aulas presenciais

Media Lab Estadão, O Estado de S.Paulo
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31 de janeiro de 2021 | 08h00

A ampla disseminação do ensino a distância por força da pandemia contribuiu para elevá-lo de patamar na visão do grande público – e também de muitos especialistas em educação. Até então, o EaD era em geral visto com reserva, como uma alternativa que invariavelmente envolvia certa perda de qualidade do ensino. Agora, muita gente passou a considerar que o aprendizado remoto pode ser tão bom ou ainda melhor do que o presencial.

“Imagine um estudante que trabalha durante o dia e precisaria pegar uma hora ou mais de transporte para estudar à noite. Se esse curso for realizado a distância, ainda que parcialmente, o desempenho dele certamente será melhor, pois parte do tempo gasto no transporte poderia ser aplicada no estudo”, pondera Antonio Freitas, pró-reitor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Freitas considera que ninguém está mais interessado em aprimorar a qualidade do ensino a distância do que as próprias universidades, pois essas instituições dependem diretamente do bom desempenho e da satisfação dos alunos para continuar sendo relevantes. “EaD não significa afrouxar as exigências nem facilitar a vida dos estudantes. Ao contrário, é uma convocação para que se dediquem mais e assumam com mais empenho as rédeas do próprio aprendizado”, diz o pró-reitor da FGV.

Online em alta

Antes da crise da covid-19, a ESPM já vinha apostando em cursos híbridos (ou blended, no termo em inglês utilizado internamente), que misturam aulas presenciais com atividades a distância. Iniciada na pós-graduação, a prática já vinha sendo preparada para chegar à graduação – o que acabou ocorrendo de vez por causa da pandemia.

“O fato de termos uma experiência sólida já em andamento acabou nos dando uma vantagem quando chegou a necessidade do isolamento social, pois já dispúnhamos de infraestrutura, de uma plataforma de EaD rodando e de uma equipe bem treinada”, afirma Alexandre Gracioso, vice-presidente acadêmico da instituição. “Tanto que fechamos o campus no dia 12 de março e no dia 26 já estávamos com tudo funcionando remotamente.”

Ele lembra que, nos contatos da instituição com as empresas, muitas já vinham solicitando cursos em formato híbrido ou até mesmo 100% online. Algumas ainda resistiam, no entanto, por considerar o presencial “obrigatório” para o melhor aprendizado. Com a pandemia, essa visão também mudou.

Um equívoco comum quando se pensa em ensino remoto, observam os representantes da ESPM e da FGV, é pensar que os custos das instituições caem drasticamente. “Isso não é verdade, tanto que os valores das nossas mensalidades e de outras instituições do mesmo patamar não foram reduzidos”, diz Freitas, da FGV.

Isso ocorre porque os eventuais ganhos nos custos fixos da estrutura física, como energia, água e material de limpeza, são compensados – e frequentemente superados – pelos investimentos adicionais em tecnologia e infraestrutura.

Vestibular tende a mudar

Os processos seletivos das universidades privadas tiveram de passar por grandes adaptações por causa da pandemia. Diante da necessidade de evitar aglomerações, as provas precisaram ser feitas de forma remota. Com isso, uma das grandes preocupações passou a ser evitar fraudes, como a possibilidade de realização de pesquisas na internet para responder a questões ou até mesmo ter outra pessoa fazendo a prova em nome do candidato.

Cada instituição criou sua estratégia para lidar com a impossibilidade de realizar provas presenciais. Algumas estão considerando os resultados tão positivos que as mudanças poderão ser adotadas em definitivo.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) adotou uma tecnologia importada que monitora o candidato em tempo real durante a prova, estruturada de forma semelhante à que seria realizada presencialmente. Informações como a velocidade ao digitar e a direção do olhar são vigiadas pela câmera do notebook e também por fiscais contratados para acompanhar as imagens e desencorajar atitudes que podem levar à eliminação do candidato.

“O índice de situações suspeitas não foi maior do que ocorre presencialmente”, explica Antonio Freitas, pró-reitor da FGV, referindo-se ao processo seletivo realizado em novembro. “Poucos candidatos demandaram um nível de investigação mais aprofundado. E sempre que for necessário temos ferramentas à disposição para isso, com a vantagem de que fica tudo registrado.”

Se adotado em definitivo, destaca Freitas, o método permitirá que candidatos de todos os cantos do País – e mesmo que estejam em outros países – concorram a uma vaga na instituição sem precisar fazer o investimento de tempo e de dinheiro para comparecer ao local da prova. “Imagine o quanto isso aproxima a FGV de estudantes de grande potencial que estão em lugares como o interior da Paraíba ou do Piauí, pródigos em campeões das Olimpíadas de Matemática. Será um grande incentivo à diversidade”, prevê o pró-reitor.

Os educadores da ESPM também estão entusiasmados com as novas possibilidades que se abriram com o processo seletivo remoto. “Vamos aguardar para ver o desempenho acadêmico dos alunos que estão entrando este ano. Se for compatível com o desempenho dos anos anteriores, será a comprovação de que o novo processo seletivo foi muito bem-sucedido, como é a sensação que temos”, diz Alexandre Gracioso, vice-presidente acadêmico da ESPM.

A instituição decidiu abrir mão da possibilidade de realizar de forma remota a tradicional prova com questões de múltipla escolha. A solução foi adotar um processo totalmente diferente, composto por três etapas, cada uma delas gerando parte da nota final.

O candidato precisou fazer uma redação e mandar um vídeo, de até três minutos, explicando a escolha do tema e a lógica de encadeamento das ideias – processo que, na avaliação da ESPM, evidencia eventuais inconsistências em relação à autoria. Outra etapa foi uma entrevista por videoconferência, conduzida por um professor ou uma professora do curso desejado, a partir de uma relação indicada de livros e trabalhos audiovisuais.

“Os professores passaram por um treinamento sobre como conduzir essas conversas e como padronizar os critérios em relação aos outros avaliadores”, diz o vice-presidente acadêmico da ESPM. Ele aposta que ao menos essa etapa da entrevista – muito comum no exterior – será adotada em definitivo pela instituição, mesmo no pós-pandemia.

 

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