Ensino a distância é uma das prioridades no plano do governo para universidades

Quatro anos, 250 mil novas vagas no ensino superior gratuito. Essa é a meta do governo comandado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Só há uma forma de transformá-la em realidade: investir em educação a distância. "É nossa prioridade para garantir o acesso de mais estudantes à universidade pública", destaca João Teatini, secretário de Educação a Distância do Ministério da Educação (MEC). Teatini lembra que apenas 8% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos freqüentam um curso superior. "Na América Latina, só estamos atrás do Haiti. Na Argentina, por exemplo, esse índice é de 30%." Inicialmente, o objetivo do trabalho é cumprir as determinações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) - ou seja, garantir que até 2006 todos os professores dos ensinos Fundamental e Médio tenham licenciatura. "Hoje, cerca de 800 mil professores em exercício (quase 50% do total de profissionais que exercem a função) não têm essa qualificação. Por isso, a ênfase nesse projeto." Um consórcio que reúne 70 instituições públicas de ensino superior formou a Universidade Virtual Pública do Brasil, a UniRede (www.unirede.br), para oferecer online cursos de graduação, pós-graduação, extensão e educação continuada. Essa iniciativa evita que as escolas participantes atuem isoladamente e que sejam criados cursos em duplicidade. Esse consórcio foi o primeiro a oferecer cursos a distância que atendem à demanda por programas de licenciatura. Os especialistas do MEC enfatizam que, independentemente do método usado no ensino, a figura central do processo é o professor. Ambicioso, o projeto prevê a inclusão até de quem não tem computador próprio. "O aluno poderá tirar dúvidas por telefone - 0800, sem custos - ou mesmo por correio", conta Teatini. Para garantir a interação entre os colegas de turma e transportar a relação virtual para um cenário real, haverá pólos para as atividades presenciais. "Serão centros regionais com tutores e equipamento e material de apoio complementares às tarefas." Essas atividades serão periódicas e sua freqüência vai depender do curso escolhido e da necessidade de aplicações práticas. Uma universidade instalada numa capital - a Universidade de São Paulo (USP), por exemplo - pode oferecer um desses cursos e ter, no interior do Estado, centros especiais para que os alunos matriculados nessa modalidade usem sua estrutura no desenvolvimento das atividades propostas. "Nem sempre um aluno do interior aprovado numa universidade pública da capital pode freqüentar o curso. Há despesas com as quais alguns deles não podem arcar. Com esse modelo, levamos os cursos a mais estudantes", completa Teatini.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.