Enem teve perguntas mais objetivas este ano, dizem professores

Segundo docentes, prova deste sábado foi menos interdisciplinar que a do ano passado

Estadão.edu

22 Outubro 2011 | 21h53

A primeira prova do Enem 2011 foi marcada pela atualidade e contextualização dos assuntos abordados e pela maior objetividade das perguntas em relação ao ano passado. A avaliação é de professores de cursinhos de São Paulo que comentaram a prova logo após o fim do exame.

Neste sábado foram aplicadas as provas de Ciências Humanas e de Ciências da Natureza. O exame trouxe 90 questões de múltipla escolha que em sua maioria exigiam dos candidatos a interpretação de informações, imagens e gráficos, além de relacionar temas atuais aos conceitos estudados em sala de aula.

Para o professor de biologia do cursinho Objetivo Constantino Carnelos, ao contrário das primeiras edições, o Enem deste ano teve um perfil mais objetivo e menos interpretativo. "Isso reforça a tendência de validar o exame como um vestibular, no sentido de averiguar os conteúdos de forma mais objetiva, aliando aos acontecimentos cotidianos. Foi uma prova bem elaborada e com nível médio de dificuldade”, avaliou.

Ciências da Natureza

Na área de Ciências da Natureza, algumas questões abordavam a temática ambiental, como o uso de energia nuclear, aquecimento global, lixo, devastação de biomas e impactos ambientais relacionados à agricultura.

Química foi a disciplina que contou com mais questões de cálculos, o que tornou a prova trabalhosa e díficil, na avaliação de Édison de Barros, professor do Etapa. "Em vários quesitos, a prova é comparável à Fuvest. Exigiu química de verdade, com viés ambiental claríssimo, mas com um perfil muito longe do que se aprende nas escolas públicas brasileiras", avaliou. Entre os conteúdos abordados estavam estequiometria, soluções e concentração de soluções, combustíveis, tratamento de água e lixo.

Já os itens de física exigiam a interpretação de fenômenos menos presentes no conteúdo trabalhado em sala de aula, embora tenha requisitado poucos cálculos dos alunos. "Foi uma prova em que a disciplina esteve mais identificável, menos relacionada de forma interdisciplinar às demais disciplinas. Foram elaborados enunciados sem clichês, com abordagens interessantes mas que exigiam leitura minuciosa dos candidatos", opinou o professor Ricardo Doca, do Objetivo.

O mesmo não vale para as questões de biologia, segundo o professor do Anglo Sezar Sasson. “Este ano, por exemplo, a questão 48 da prova azul trouxe um longo enunciado sobre soro antiofídico, quando o importante mesmo era apenas saber a importância das hemácias.” Sasson também constatou enunciados imprecisos, como o da questão 61 da mesma prova. “O melhor seria dizer ‘molécula’ em vez de ‘fita’ dupla filha. Ficou confuso.”

Ciências Humanas

A prova de Ciências Humanas, que reunia conhecimentos de história e geografia, também seguiu a tendência de relacionar temas atuais com os conceitos trabalhados nas aulas, a exemplo das revoltas do mundo árabe, à revolução tecnológica, aos movimentos sociais e cidadania e à história contemporânea do País.

O meio ambiente também foi uma temática forte, presente em 14 das 22 questões de geografia. Tom Carvalho, professor do Objetivo, disse que as questões ligavam os aspectos físicos e geográficos à vertente ambiental. "Elas tinham foco nas atualidades, mas dentro do conhecimento esperado dos alunos.”

Já nas perguntas de história, apenas quatro quesitos não se referiam ao Brasil. As temáticas questionaram aspectos do coronelismo, controle do voto na Primeira República, Revolta da Vacina e resistência à ditadura militar de 1964. O professor Egberto Rodrigues destacou que houve imprecisão e preciosismo em algumas questões, embora o nível geral das perguntas tenha sido mediano. “Os estudantes tinham que identificar em uma foto que um casal de afrodescendentes não eram mais escravos pois estavam com sapatos. Isso é um detalhe que prejudica a obtenção da resposta por parte do aluno”, afirmou.

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