TABA BENEDICTO/ ESTADAO
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Enem tem escola cheia e candidatos com medo de contaminação

Nem os 30 minutos de antecedência na abertura dos portões foram suficientes para conter as aglomerações de candidatos

Ilana Cardial e Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2021 | 14h28
Atualizado 18 de janeiro de 2021 | 11h44

Nem os 30 minutos de antecedência na abertura dos portões foram suficientes para conter as aglomerações de candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A prova, aplicada neste domingo, 17, e no próximo, 24, tem 5,7 milhões de inscritos pelo País. 

Na Unip da Avenida Paulista, muitos candidatos chegaram antes de meio-dia, mas preferiram esperar do lado de fora sentados em uma escadaria ou na praça de alimentação do prédio para evitar mais tempo de permanência nas salas fechadas. O mesmo ocorreu na Universidade do Vale do Paraíba (Univap), em São José dos Campos, interior paulista. 

"Aqui tomo um ar e relaxo. Tenho medo de ficar em ambiente pequeno com muitas pessoas", disse Alice Ferreira, de 18 anos. Ela só entrou na sala de aplicação às 12h30. Nesse horário, era grande a movimentação de estudantes que passavam pelas catracas do prédio em direção às suas salas. Não houve tumulto na Unip Paulista. 

Dentro da Unip, fiscais ajudavam os estudantes a localizar as salas onde fariam as provas. "Estou muito preocupada. Vi em um grupo no Facebook que as pessoas, mesmo infectadas com o coronavírus, fariam a prova", diz Alice, que carregava uma máscara extra e álcool em gel na bolsa. A estudante pretende conseguir uma bolsa com a nota do Enem para cursar Psicologia. Ela espera salas vazias e que os colegas de classe sigam os protocolos sanitários.

O Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) antecipou nesta semana o horário de abertura dos portões para as 11h30, depois que as medidas de segurança do exame contra a covid-19 foram questionadas na Justiça. Às 13 horas os portões foram fechados e a prova teve início às 13h30.

"Minha preocupação é a entrada e a saída. Nas salas acredito que vai ter separação", disse Jennifer Moreira, de 18 anos. A jovem gastou duas horas de Pirituba até o local de prova na Avenida Paulista, em uma viagem de trem e metrô. Em dezembro, conta, acabou infectada pelo coronavírus após ir a uma celebração em uma igreja, recuperou-se em casa, mas passou momentos difíceis. "Fico preocupada de pegar de novo." Jennifer tenta uma vaga em Medicina. 

Para se proteger, Beatriz Emiko, de 19 anos, levava consigo uma face shield, além de usar máscara profissional. De volta para casa, deve seguir o protocolo que começou a adotar desde que a maratona de vestibulares teve início: usar máscara em casa, para proteger o pai.

Em São José dos Campos, Melissa Isabele, de 18 anos, preferiu manter distância dos outros participantes e ficou do outro lado da rua com o pai, Adelmo Santos Cabral. Esta é a primeira em que faz a prova como concorrente. Melissa busca uma vaga em Nutrição e ficou preocupada com a transmissão de covid-19 durante o exame.

“Fiquei duas semanas sem sair de casa. Eu estava só vendo pessoas da minha família e agora a gente vai ter muito contato com pessoas de fora. Dá medo." Ela teme principalmente por morar com seus pais, que são fumantes. Adelmo tem 50 anos, é motorista e operador de empilhadeira. Não pôde fazer faculdade e agora alegra-se ao ver a filha tentando ingressar no ensino superior.

“Eu achei que não ia ter a prova, mas como vai, a gente acredita que vai ter segurança para ela e os colegas”, diz. Sem a mesma confiança do pai, Melissa levava duas máscaras, álcool em gel e lenços umedecidos com álcool 70%. Apesar dos protocolos prometidos pelo Inep, ela diz que “no papel é bonito, mas é difícil as coisas acontecerem na prática”. 

“Tive o azar de ser em plena pandemia”, diz Gabriel Sanefuje, de 17 anos.  Ele estudou durante o ano com o cursinho online Descomplica e busca uma vaga em Ciências Biológicas. Não estava nervoso em relação ao conteúdo da prova, mas com o contexto na qual ela ocorre. “Minha preocupação mesmo é dentro da sala, por conta da covid-19, e na hora de sair. Espero ver que o Inep está mesmo seguindo as medidas de segurança”.

Hesitante, Ana Carolina Fernandes, de 17 anos, nem queria prestar o Enem por medo da covid-19 e de obter notas ruins. A mãe e a madrinha, de 65 anos, deram um empurrão. "Não me sinto preparada, a verdade é que não tive terceiro ano", disse a jovem, aluna de uma escola pública. A idosa acompanhou a afilhada até a entrada das salas, mas pretendia deixar o espaço em seguida e procurar um ambiente mais arejado.

Estudantes criticam ensino durante a pandemia

Para Alice, aluna de uma escola estadual de São Paulo, o jeito foi procurar vídeos no YouTube para tentar aprender as matérias do 3° ano. Segundo conta, não houve aulas remotas durante a maior parte do ano no colégio - de março a outubro, os estudantes receberam roteiros para estudar por conta própria. As aulas remotas só ocorreram de outubro a dezembro, segundo conta.

Ela aposta no primeiro domingo, com as matérias de Humanas, para alavancar a nota, uma vez que tem mais dificuldades em Exatas. Neste domingo, os candidatos resolveram as 90 questões de Ciências Humanas e Linguagens, além da Redação.

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