Enem reúne 1,8 milhão no domingo

Grande parte do 1,8 milhão de jovens brasileiros que participa neste domingo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está de olho, mesmo, no vestibular. A idéia de uma auto-avaliação do estudante ou o propósito maior, de mudar o ensino médio no País, ainda caminham lentamente. Em cinco anos de prova, funcionou de fato a estratégia do Ministério da Educação de incentivar a utilização da nota do Enem nos vestibulares, para que o exame passasse a ser parte da vida dos estudantes. Atualmente, 338 universidades e faculdades usam o resultado de alguma maneira. A nota do candidato sempre sobe. O vestibulando que deixa de fazer o Enem já entra perdendo na disputa.Prova disso é que, todo ano, mais de 30% dos inscritos no exame já terminaram o ensino médio ? o antigo colegial ? há algum tempo. Segundo dados do governo, a maior parte deles tem 19 anos. A prova, que não é obrigatória, foi programada para avaliar os concluintes naquele ano, mas não impede a participação de qualquer estudante. ?Estou fazendo o Enem de novo para tentar conseguir uma nota melhor?, diz Helber Peixoto Covre, que no ano passado passou para a segunda fase da Fuvest graças aos seis pontos a mais, vindos da nota do Enem. Os vestibulares consideram sempre o melhor resultado do aluno no exame federal nos últimos dois anos. Acordo ? Em São Paulo, as três universidades estaduais ? que fazem os mais concorridos vestibulares do País ? fecharam acordo para que o resultado do Enem represente 20% da primeira etapa. Isso significa um acréscimo que varia de 0,5 a 6 ou 7 pontos na nota final. Fora isso, mais e mais faculdades particulares passaram a usar o Enem, às vezes até substituindo todo o processo seletivo.O impacto foi enorme. O Estado, que em 1998 registrou apenas 9.065 inscritos no Enem (um dos menores índices), bateu este ano o recorde de participantes no País. Foram mais de meio milhão de estudantes, quase a totalidade dos formandos do ensino médio paulista.O que ocorre nos grandes vestibulares é que a nota de quase todo mundo acaba aumentando com a ajuda do Enem e por isso não há muitas mudanças na lista de aprovados. Só se prejudica quem não tem nota alguma para acrescentar. ?Quem faz o Enem dá um passo para a frente, mas atualmente a grande maioria está dando esse passo?, diz o diretor da Fuvest, Roberto Costa. Além disso, quem se sai bem nos maiores vestibulares também tira uma boa nota no Enem. Influência ? Cerca de 5%, ou seja, por volta de 6 mil alunos, sofreram influências significativas nos resultados da Fuvest por causa do exame. Na Universidade Estadual Paulista (Unesp) houve 172 trocas na lista final. Isso quer dizer que 3,1% dos estudantes não seriam, mas foram convocados por causa do Enem. ?Mesmo assim, nos cursos mais concorridos, a diferença na classificação chega a ser de décimos. Um ponto a mais pode mudar tudo?, explica o diretor da Vunesp, que realiza o vestibular da Unesp e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Fernando Prado. ?Eu não faria o Enem se não fosse o vestibular?, diz a vestibulanda Patrícia Hirata, que também integra a parcela de inscritos que já se formou no ensino médio há um ano e faz pela segunda vez o exame. Para o professor da Universidade de São Paulo (USP), Nilson Machado, a preocupação dos estudantes em realizar o exame para facilitar o ingresso na faculdade descaracteriza totalmente o Enem. ?A intenção era sinalizar que o foco do ensino médio não pode ser nas matérias e sim nas pessoas?, diz. A forma e o conteúdo da prova recebem raras críticas de alunos e educadores. Ela foi elaborada sob as novas diretrizes do ensino médio brasileiro, que prevêem um estudo focado nas competências e habilidades do jovem e não no contéudo escolar. Foram determinadas cinco competências. Uma delas é a compreensão de fenômenos, que inclui as habilidades de entender a relevância da água ou da energia, por exemplo. Daí surgem as perguntas, que não são divididas em disciplinas. Toda prova do Enem, portanto, vai sempre ter questões sobre a água, seja com o enfoque da geografia, da história ou mesmo da literatura. ?É uma prova de raciocínio, que pede conceitos que vão ajudar na sua vida?, resume Ricardo Lerner Castro, primeiro colocado no Enem do ano passado. Ele acertou 61 das 63 questões e tirou nota dez na redação, mas fez a prova quando estava no 2.º ano e por isso não pôde usar o resultado no vestibular.Mais informações no site: www.inep.gov.br/enem/ ou pelo telefone 0800-616161

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.