Enem foi exigente e criativo, avaliam professores

A quinta edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), feita hoje, em 600 municípios do País,foi elogiada por professores. "Foi mais exigente, mais bem elaborada e mais criativa do que os anos anteriores", disse o coordenador de Português do curso e colégio Objetivo, Francisco Achcar. A última prova elaborada pela equipe do ministro Paulo Renato Souza teve recorde de inscritos. Foram 1,8 milhão de estudantes, mas o número dos que realmente participaram do exame só deve ser divulgado em dois dias.Achcar destacou uma questão em que os alunos precisavam perceber uma sutil ironia no texto do enunciado para responder corretamente. "A capacidade de leitura foi muito exigida", dizo professor do colégio Etapa Élio Mega. Temas como meio ambiente violência e mercado financeiro foram discutidos nas 63 questões de múltipla escolha. Na redação, o estudante precisou dissertar sobre o direito de votar e como isso pode promover transformações sociais no Brasil.O Enem recebe raras críticas de educadores por inovar na maneira de avaliar os formando do ensino médio. Sua intenção é medir competências e habilidades do estudante e não conteúdosescolares. Por causa disso, a quatro meses do fim de gestão, o ministro Paulo Renato disse hoje - em coletiva à imprensa em São Paulo - não se preocupar com uma eventual suspensão do Enem nopróximo governo. Segundo ele, a prova está consolidada entre os estudantes.Vestibular - Sabe-se que muitos deles fazem o exame, que não é obrigatório, porque mais de 300 faculdades e universidades utilizam sua nota nos seus vestibulares. As inscrições cresceram cerca de 1.100% desde a sua criação. A nota é sempre aproveitada para melhorar o resultado do vestibulando. O ministro PauloRenato sempre acreditou que o exame pudesse um dia substituir totalmente o vestibular no País.Paulo Renato disse que o ministério vai apresentar à Casa Civil até o fim de setembro um documento com sugestões de medidas para o próximo governo. Serão indicações para o novo ministro, nos primeiros 100 dias de gestão, caso deseje manter a aplicação do Enem, do Provão e da avaliação do curso superior.Entre as medidas estão providências para a realização da licitação da empresa que coordenaria os exames. Paulo Renato disse que a "logística" para aplicar os exames é complexa eque o próximo ministro da Educação deve tratar com urgência as regras para as licitações.Tranqüilidade - Paulo Renato disse que o exame aconteceu em clima de tranqüilidade em todo o País. Um das poucas exceções foi um congestionamento inesperado em São Paulo, que provocou o atraso de alguns alunos. O problema ocorreu na Avenida Rubem Berta, onde funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfegofecharam três pistas para remoção de árvores. Houve lentidão em um trecho de três quilômetros."Meu marido teve de tirar um cone do meio da rua para passarmos e mesmo assim chegamos cinco minutos atrasados", disse Eunice do Amaral. No entanto, a filha Juliana conseguiu fazer a prova porque os portões da Faculdade de Tecnologia(Fatec), na zona norte, só foram fechados às 13h15. O exame estava marcado para as 13 horas e durou cinco horas.

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