Roberta Abrahão
Roberta Abrahão

Guilherme Guerra, especial para o Estado

25 Setembro 2018 | 04h30

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é a maior prova do Brasil e dá acesso a uma centena de universidades federais, estaduais e privadas que usam o exame como forma de seleção. Já a Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), que classifica para a Universidade de São Paulo (USP), é a prova mais concorrida do País, chegando a 135 candidatos por vaga. Os dois exames levam ao ensino superior, mas têm as suas peculiaridades.

Historicamente, o Enem cobra do candidato o que será usado ao longo da vida; tende a ser mais interpretativo. Já a prova da USP exige o conteúdo do ensino médio e pode pedir, por exemplo, que o vestibulando relacione uma charge com um contexto histórico. “Antigamente, as provas eram mais diretas”, afirma a coordenadora pedagógica do Objetivo, Vera Antunes. Era dada uma pergunta, e o candidato raciocinava. Hoje, segundo ela, o aluno pode ter dificuldade de entender a pergunta ou perder uma questão se uma palavra do enunciado passar despercebida. “Você está sendo avaliado em conhecimentos, mas tem de ler bem.” E lidar com o cansaço.

Características

A Fuvest tem primeira fase (um dia com cinco horas) e segunda (três dias de provas dissertativas). O Enem, após reclamações de alunos e professores, passou a ser feito em dois dias, mas ainda com textos maiores do que os de outros exames. No fim do processo, quem fez Enem pleiteia uma vaga por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), pelo qual as universidades de todo o País oferecem suas vagas. Com sua pontuação em mãos, o aluno escolhe o curso e a universidade; se tiver o total necessário, está dentro.

Na Fuvest, o curso e a faculdade são definidos no ato da inscrição. O exame era a prioridade de Victor Miachon Magnien, aos 23 anos, no 2.º semestre de Medicina na USP. “No geral, se você se preparar para a Fuvest, tem chance de ir muito bem no Enem”, acredita Victor, que fez três anos de cursinho no Poliedro. O aluno, no entanto, admite que vestibulares têm perfis distintos: “Cada pessoa tem um estilo de prova. No meu caso, era a Fuvest.”

Enquanto o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pensa no que poderia ser útil ao estudante saber a longo prazo, a Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) busca nos seus candidatos um aprofundamento dos conteúdos cobrados no ensino médio.

Nas palavras de Márcio Castelan, coordenador do Poliedro, a Fuvest é um vestibular “tradicional”. Conteudista é a palavra para melhor definir o estilo da prova, tanto que o manual do candidato traz um detalhamento do que pode ser cobrado em cada disciplina, item por item. E esse formato de prova é assim desde 1976, quando a “decoreba” estava em alta. Hoje, o exame seletivo da Universidade de São Paulo (USP) pede relações entre a teoria escolar e o mundo.

Um exemplo dado por Castelan é uma questão de 2014 sobre a crise hídrica de São Paulo. O teste apresentava um excerto comparando a seca daquele período com a de 1953, considerado o ano com maior falta de água na região metropolitana de São Paulo. Para fazer a questão, era preciso conhecer não só geografia, mas saber estabelecer conexões entre os livros com a contemporaneidade. “A Fuvest mudou. Desde que surgiu é conteudista, mas hoje o conteúdo vem inserido na contextualização.”

Mesmo com a mudança, o nível de exigência é alto, por causa da concorrência. E, segundo Castelan, alunos dos cursos mais concorridos da USP, como Engenharia e Medicina, fizeram um ano ou mais de pré-vestibular. Do contrário, a caminhada ao ensino superior pode ser mais difícil. “O aluno de Medicina precisa entender de transferência de calor, da Física, e de sistema nervoso, da Biologia. São conteúdos necessários para aprofundar o estudo na universidade”, diz.

Se a Fuvest é inteiramente focada no ensino médio, o Enem pode pedir em torno de 60% de conteúdos de Matemática ensinados no ensino fundamental, segundo o diretor de ensino do Sistema Ari de Sá (SAS), Ademar Celodônio. Razão e proporção, geometria e porcentagem são do cotidiano de qualquer pessoa. Para ele, isso faz parte do caráter da prova, caracterizada por ele como “de contexto”.

No caso do Enem, contexto pode significar tanto questões com trechos de livros, notícias, tirinhas ou tabelas antecipando o enunciado (como faz a Fuvest, mas em menor escala), quanto se aproveitar da realidade do candidato para cobrar uma competência e habilidade. Entre os exemplos citados por ele está a ênfase das áreas de Geografia e Biologia sobre questões ambientais, assunto que figura entre os mais cobrados pelo exame.

“Quando você vai para a universidade, vai encontrar problemas específicos e não vai ser cobrado por nenhum desses conteúdos que aprendeu (para o vestibular). Por que precisa ter um nível de aprofundamento tão grande se na vida não vai usar isso?”, questiona Celodônio. “O Enem quer um cidadão preparado para tudo, mas não necessariamente em nível de profundidade. A prova traz um ensaio do que você vai precisar no futuro.”

Questões sobre função seno

- Enem

Apresenta uma situação-problema na qual o estudante precisa usar seus conhecimentos nesse tipo de função para resolver o exercício. É, portanto, uma questão em que se dá a aplicação, na prática, da função.

- Fuvest

Baseia-se nas propriedades da função seno. O aluno não aplica a função em alguma situação-problema. A questão trabalha o conhecimento do estudante sobre o conteúdo, ou seja, apenas busca verificar o que ele sabe do assunto.

Correção da prova também muda

A correção das provas, segundo o diretor de ensino do Sistema Ari de Sá (SAS), Ademar Celodônio, é a principal diferença entre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest). Na Fuvest, o aluno tem de acertar o gabarito e chutes não são detectados na correção da primeira fase. Já o sistema do Enem consegue saber se há chute por meio da Teoria da Resposta ao Item (TRI), com questões divididas entre fáceis, médias e difíceis. Quem acerta uma questão difícil, mas erra uma fácil, sai em desvantagem. “O Enem leva em conta o desempenho do candidato de acordo com a coerência dos acertos. É uma teoria usada em larga escala porque é mais justa e moderna”, diz Celodônio.

Fique atento ao que mais cai nas provas

Fuvest

- Biologia

1. Bioenergética e genética

2. Ecologia, reino e fisiologia animal e reino vegetal

3. Fisiologia vegetal, estrutura e fisiologia celular e origem da vida

4. Evolução, parasitoses e vírus, biotecnologia e histologia

5. Divisão celular, embriologia e gametogênese

- Química

1. Estados físicos, sistemas e misturas, cálculos estequiométricos e equilíbrios químicos

2. Reações orgânicas, soluções, coloides, hidrólise e solubilidade

3. Termoquímica e ligações intermoleculares

4. Eletroquímica e gases

5. Funções inorgânicas e cinética química

- Física

1. Leis de Newton, resultante centrípeta, trabalho e energia e Física Moderna

2. Dinâmica e cinemática

3. Ondulatória e eletrodinâmica (circuitos elétricos)

4. Estática e hidrostática, termodinâmica e calorimetria

5. Óptica geométrica, gravitação e cinemática angular

- Geografia

1. Espaço urbano, agricultura e pecuária

2. Questões ambientais e da natureza (clima, solo, relevo)

3. População e processos econômicos

4. Exploração de recursos naturais

5. Conflitos e tensões mundiais e Atualidades

- História

1. História do Brasil Colônia

2. História Geral (contemporânea e antiga)

3. História Antiga e Medieval

4. Brasil República

5. História Moderna

- Português

1. Aspectos do texto, variação linguística e figuras de linguagem

2. Obras literárias obrigatórias

3. Semântica

4. Escolas literárias

5. Norma culta, coesão e coerência e gêneros textuais

- Matemática

1. Funções, estatística, razão e proporção

2. Geometria plana e espacial e porcentagem

3. PA e PG e trigonometria, sistemas lineares

4. Contagens e conjuntos

5. Funções exponenciais e logaritmos

Enem

- Biologia

1. Genética

2. Conceitos Básicos e Níveis Gerais

3. Organização Celular

4. Dinâmica de Populações

5. Bioenergética

- Química

1. Polaridade das Moléculas e Forças Inter-Moleculares

2. Estequiometria

3. Estados Físicos da Matéria

4. Reações Orgânicas

5. Eletroquímica

- Física

1. Ondas

2. Corrente Elétrica, Resistência, DDP. 1ª e 2ª Leis de Ohm

3. Óptica Geométrica

4. Aparelhos de Medição Elétrica e Leis de Kirchhoff

5. Acústica

- Geografia

1. Urbanização

2. Globalização

3. Clima

4. Meio Ambiente

5. Agricultura e Pecuária

- História

1. 2º Reinado

2. Sistema e Economia Colonial

3. A República Velha

4. O Estado Novo

5. Estruturação do Feudalismo e a Igreja Medieval

- Português

1. Implícitos

2. Variantes linguísticas

3. Funções da linguagem

4. Argumentação

5. Fases do Modernismo

- Matemática

1. Razões e proporções

2. Estatística

3. Análise combinatória

4. Geometria espacial

5. Probabilidade

 

 

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Guilherme Guerra, especial para o Estado

25 Setembro 2018 | 05h30

SÃO PAULO - “A redação é o retrato do aluno”, assim caracteriza a coordenadora de Português do cursinho Etapa, Simone Motta. Segundo ela, o texto dissertativo-argumentativo, como é cobrado na maioria dos vestibulares, leva o corretor a perceber uma série de informações sobre o candidato, como repertório cultural, poder de argumentação, vocabulário e organização mental.

No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), obrigatória a todos os candidatos, a Redação é feita no mesmo dia das 90 questões de Linguagens e Ciências Humanas, em cinco horas e meia de prova. O candidato precisa se organizar com o tempo curto para preencher as 30 linhas de texto, apresentando uma solução ao tema-proposta. “O Enem mensura o que os outros vestibulares não fazem”, afirma Simone.

De etapa única, o exame do Ministério da Educação (MEC) tem alto número de redações nota zero, aquelas que desobedecem a um dos principais critérios mínimos de proposta. Na maior parte das vezes, de acordo com o MEC, os zeros vêm de fuga ao tema.

Em uma segunda fase, segundo Simone, os candidatos são mais homogêneos porque já passaram pelo filtro de uma etapa anterior. Isso ocorre na Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest). A seleção para a Universidade de São Paulo (USP) cobra a Redação na segunda fase, no mesmo dia em que aplica dez questões dissertativas sobre Língua Portuguesa, em quatro horas totais de exame.

Fundamental

Tanto o Enem quanto a Fuvest têm critérios básicos para um texto de excelência: respeito ao tema, à proposta, à norma culta, à coerência e à coesão. Esses elementos são trabalhados no Etapa por Simone e outros professores, que propõem quinzenalmente redações com temas tirados de jornais e revistas. Os próprios alunos leem e corrigem o texto do colega. Há ainda aulas com conteúdos especiais para o texto, como filosofia, sociologia e atualidades. “O aluno que realmente quiser treinar tem três a quatro redações em cinco dias de aula”, afirma a coordenadora.

Para estudantes em busca de referências para usar no texto da Fuvest - em citações ou conceitos que ajudem a explicar o mundo contemporâneo -, o professor de Português Francisco Gonçalves Lima Júnior recomenda os livros Sociedade do Cansaço (2010), Hipermodernidade (2004), Modernidade Líquida (1999) e Convite à Filosofia (1994).

Em relação ao Enem, Lima Júnior, professor do 3.º ano do ensino médio na Escola Móbile, lembra que a prova é rigorosa com as referências externas durante o texto. Segundo ele, a boa execução de dois aspectos - o repertório legitimado (se existe aquela pessoa citada) e repertório pertinente ao tema e produtivo (se a citação fez sentido no texto) - já pode somar 200 pontos.

Na intervenção, que é quando o Enem avalia a solução que o candidato oferece para a resolução do problema, o professor divide a conclusão em cinco itens obrigatórios: especificar o agente da intervenção, ação a ser feita, finalidade, meio e detalhamento.

“Cada elemento vale 40 pontos; então são 200”, explica Lima Júnior. “A prova é a soma estratégica do conteúdo e só dá pra fazer um bom texto com a união de elementos.” Para ele, cabe ao professor mostrar como o estudante pode ir melhor na Redação. “O aluno tem história, filosofia, ética. Ele só não sabe usar esse repertório”, diz o professor. 

Leitura melhora informação e argumentação

Jornais e livros contribuem com conhecimento e melhora da estrutura geral da redação

Gabriela Akemi Hirata passou de primeira em Engenharia de Produção na Universidade de São Paulo (USP) e tirou nota 960 na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Como considerava seu desempenho ruim em Redação, Gabriela decidiu treinar a escrita ao menos uma vez por semana ao longo do 3.º ano do ensino médio, no Etapa.

“Eu não conseguia fazer uma introdução direito”, diz. “Lendo mais e sabendo como estruturar, você consegue contextualizar uma matéria.”

Outra dica de Gabriela é fazer um “brainstorm” depois de ler a coletânea de textos da redação. “Às vezes você tem uma ideia complexa, que pode ser muito boa, mas é difícil de argumentar.” Por fim, ela sugere aplicativos de jornais e revistas para se manter a par das notícias em tempo real.

Graduanda em Teatro pela Universidade de Nova York (Estados Unidos), Ana Santana Moioli também recomenda acompanhar os jornais se for para fazer uma prova atualizada como o Enem. Já para a Fuvest, Ana indica a leitura de livros filosóficos, como ocorria na Escola Móbile, onde ela fez o ensino médio em São Paulo.

Para Ana, a leitura é parte essencial para se fazer um bom texto. “Como o tamanho da redação é muito restrito, e a estrutura, muito rígida, é mais importante ter conhecimento raso de vários temas do que se aprofundar em cada um.”

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Guilherme Guerra, especial para o Estado

25 Setembro 2018 | 06h30

SÃO PAULO - A rotina é similar para muitos vestibulandos: acordar cedo, estudar de manhã, almoçar, voltar aos livros à tarde, chegar em casa à noite e, se houver tempo, novamente estudar até a hora de dormir. E a prática costuma ser a mesma também: ler a teoria, fazer exercícios, refazer provas antigas e tirar dúvidas com professores e colegas. O que diferencia um aluno aprovado é, muitas vezes, o equilíbrio entre treinar o que o candidato tem afinidade ou dificuldade. Em suma, o desafio é priorizar o conteúdo.

“O candidato precisa saber que ninguém sabe tudo. Se estudou intensamente e acertar tudo o que sabe, ele vai bem”, diz o coordenador do Anglo Vestibulares, Daniel Perry. Na sua experiência, os candidatos têm ótima preparação, mas pecam no exagero do conteúdo. Para o professor, ter estratégia é essencial para um bom desempenho no vestibular.

Perry recomenda que, no estudo, o aluno não deixe de lado o seu “diferencial”: as disciplinas em que tem facilidade. “O vestibulando precisa fazer manutenção do que sabe”, afirma. “E, claro, estudar com intensidade os assuntos com mais dificuldade para preencher lacunas e suprir defasagens”.

Nessa estratégia, ele indica fazer simulados em casa, com duração similar ao Enem e à Fuvest, para definir um plano e saber como começar uma prova. Dificilmente o estudante conseguirá correr atrás de um conteúdo que perdeu. Por isso, o mais importante é ligar o cronômetro e fazer o simulado analisando o desempenho dentro do tempo estipulado.

Outra dica é estudar no fim de semana. Victoria Riva, aluna do Anglo, faz isso aos sábados, mas descansa aos domingos. No terceiro ano do cursinho, quer entrar para Medicina em uma universidade pública. Ela acredita que melhorou, principalmente em relação ao fator emocional. “No ano passado, o que mais me prejudicou foi o nervosismo. Não passei na Unesp (Universidade Estadual Paulista) por dois pontos. São coisas mínimas que fazem diferença. Um ponto a menos e você desce 200 posições (na classificação)”, diz a aluna.

Tentativa

O coordenador do Anglo aconselha que o candidato não tente passar para só uma universidade, mesmo que seja o sonho do estudante. Perry frisa que dominar a técnica de fazer provas é primordial para pegar o jeito. “Vestibular é mais rotina do que evento.”

E o resultado pode não ser o esperado, o que nem sempre é ruim. “Nunca me planejei para o Enem, meu foco era Fuvest”, lembra Luca Rodrigues Miguel, calouro de Engenharia Mecatrônica na Universidade de São Paulo (USP). Ex-aluno do Objetivo, o estudante de 18 anos encarava os livros das 7 às 20 horas. “Eu me surpreendi quando passei pelo Enem na Fuvest.” Desde 2015, a USP reserva uma parte das vagas para o Enem. “Valeu a pena. Se não tivesse passado, ainda iria querer ir para o mesmo lugar.”

Valorização excessiva leva à frustração

Vestibular é apenas uma etapa, lembra diretor do Porto Seguro. Aprimoramento é constante

Diretor pedagógico do Colégio Porto Seguro, Carlston Luís Pires de Toledo afirma que o vestibular no Brasil ganhou uma aura mística, atribuindo a conquista a um marco de felicidade e comemoração. E isso pode ser ruim tanto para quem é aprovado quanto para quem não é. Seja por uma possível frustração com a graduação, seja pelo fato de não ter passado na prova, o candidato precisa saber dosar os sentimentos para não se desapontar no final.

Para evitar surpresas ao longo do curso, o calouro deve entender que a carreira começa no primeiro dia da universidade, diz Toledo. Ele recomenda que toda a graduação seja planejada, com palestras e aulas escolhidas a dedo. “No primeiro dia, o estudante começa a traçar o seu destino”, afirma. Aos poucos, com a rotina universitária, vai se profissionalizando. “Ele não se torna médico de uma noite para outra. Estudar é contínuo.”

Além disso, a jornada só está começando com a peneira do vestibular. 

“Existem boas empresas com funil ainda mais estreito para o processo seletivo para trainee”, diz. E o diploma tem pouca garantia de estabilidade em um mercado de trabalho cada vez mais exigente. Para Toledo, é necessário sempre estar em busca de aprimorar a formação profissional.

À frente

Já aqueles que não foram aprovados no vestibular têm de usar a oportunidade para aprender com os erros cometidos e de notar que se tornaram pessoas melhores do que eram no início do ano letivo. “Seu ponto de partida não é o mesmo das semanas anteriores. Não é estaca zero, vai ter uma nova tentativa.”

Focar em si depois de uma reprovação é uma tarefa solitária, mesmo que a escola, família e amigos ajudem. “Não pode se permitir o derrotismo. Essa não vai ser a única vez que ele vai falhar na vida”. 

‘Medo de reprovação pode causar branco’

Entrevista: Neide Noffs, psicopedagoga e professora da PUC-SP

Uma rotina muito intensa de estudo e a cobrança para passar no vestibular podem ser prejudiciais ao aluno, afirma a psicopedagoga Neide Noffs, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Para aprender, precisamos de tempo de concentração e foco juntamente com a assimilação do conteúdo”, explica. Na hora da prova, o medo de reprovação pode levar ao esquecimento e à famosa frase “Me deu um branco”. 

Leia abaixo o que a professora da PUC-SP recomenda a vestibulandos durante a preparação e a realização dos exames e também às famílias para estimularem os estudantes.

Em uma rotina diária de estudos, qual é a importância de descansar?

O momento de descanso se apresenta como relevante porque o estudo deve possibilitar o aprender. E, para aprender, precisamos de um tempo de concentração e foco juntamente com a assimilação do conteúdo. O descanso propicia a elaboração do aprendido para que a nossa cognição processe o que foi estudado.

Como o estudante pode diminuir a cobrança, seja dele mesmo ou externa, da família ou da escola?

O vestibular é um momento de ansiedade e tensões que podem ser suavizadas se você acreditar que o processo de estudo começou meses antes da prova final.

Como os pais podem ajudar?

Os pais podem colaborar estimulando o estudo. Isso ao facilitar a organização do espaço e acolhendo o filho. Eles devem evitar, neste momento, depositar no filho suas frustrações e os problemas vividos em relação a experiências escolares. O tempo que antecede o vestibular é sempre permeado de dúvidas sobre o potencial de aprendizagem exigido.

O que uma pressão muito forte pode causar no aluno?

A pressão próxima do vestibular pode desencadear baixa autoestima. Na hora da prova, um medo da reprovação pode levar a esquecer as informações adquiridas, àquela frase “Me deu um branco”.

 

 

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