Enem deste ano estava mais difícil, dizem professores

A redação, outra vez sobre meio ambiente, exigia mais; questões também estavam complicadas

da Redação, estadao.com.br

31 de agosto de 2008 | 20h10

A décima edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizada durante a tarde deste domingo, 31, em 1.418 municípios, estava mais difícil do que as versões anteriores, disseram professores de cursinhos pré-vestibulares. O que também aumentou neste ano, além da dificuldade, foi o número de participantes: segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mais de 4 milhões de estudantes se inscreveram - um recorde desde quando a prova é realizada.   Veja também: Confira o gabarito das provas  Estudantes têm opiniões diferentes sobre o Enem   O meio ambiente foi tema da redação - como em outras sete vezes - e de muitas das 63 questões de múltipla escolha. Os estudantes que fizeram a prova tiveram de dissertar sobre o desmatamento na Amazônia, escolhendo entre três medidas sugeridas para interferência no ciclo de chuvas na floresta.   Segundo a professora do Curso Objetivo Elizabeth de Melo Massaramduba, a redação foi difícil. "O tema exigia que o estudante estivesse muito bem informado sobre o assunto. Isso elevou o nível de exigência. Nos outros anos, tinha apenas de ler um texto e se posicionar sobre o assunto." O coordenador do Curso Etapa, Edmilson Motta, classificou a prova como cansativa por causa dos textos longos, cheios de gráficos e tabelas.   "Dificilmente um estudante da rede pública conseguiu acertar 50% das questões", completa o coordenador do Cursinho da Poli, Edson Futema. Segundo ele, muitos dos conteúdos da prova não são abordados nas escolas da rede estadual, que também não estimulam a leitura.   Alguns estudantes concordam com os professores, outros nem tanto. No maior centro de provas do Rio, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), houve tolerância de 20 minutos para o fechamento dos portões por causa do mau tempo. Na avaliação de candidatos ouvidos pelo Estado, a prova foi fácil, sem grandes surpresas.   O estudante Luiz Paulo do Amaral Matos, de 18 anos, elogiou a elaboração do exame, que trouxe "questões claras e bem formuladas". "Foi uma prova legal de fazer, nada chata", afirmou ele, que cursa o 3.º ano do ensino médio público no Rio. "É um tema atual que facilita a dissertação", disse a aluna Amanda Romero, de 18 anos, ao deixar o local de prova em São Paulo.   O sonho de uma bolsa de estudos em uma universidade particular para cursar Arquitetura foi um dos incentivos para Felipe Moura, de 17 anos, fazer o Enem também na capital fluminense. "É uma preparação para o vestibular", disse.   Regiany Nunes, de 19 anos, que fez a prova em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, considerou o exame "muito cansativo, com questões muito longas". "Acho que não fui bem, vou estudar mais para a próxima", disse ela. O Enem pode ser feito mais de uma vez pelo estudante. Outros alunos da Cidade acharam que a prova exigiu muita leitura e interpretação de texto.   Faculdade    O Enem é um exame voluntário, mas bate recordes de inscrições desde a sua criação. Isso porque sua nota atualmente é aproveitada em centenas de vestibulares do País - em São Paulo, ele adiciona pontos ao candidato nos exames das três universidades públicas.   Além disso, a nota no Enem é essencial para que o estudante participe do Programa Universidade para Todos (ProUni), do governo federal, que dá bolsas em faculdades privadas para alunos de escolas públicas. O Ministério da Educação (MEC) também passou a divulgar as notas do Enem por escola, aumentando a concorrência entre instituições particulares que lutam para ficar no topo do ranking.   Podem participar do Enem estudantes que terminam o ensino médio em 2008 ou que já concluíram em anos anteriores. Segundo o MEC, os boletins com os resultados das provas serão enviados aos participantes a partir da segunda quinzena de novembro.   (Com Aline Nunes, Brás Henrique, Daniele Carvalho e Rodrigo Martins)

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