Enem começa hoje com 5,3 milhões de candidatos; 46% têm mais de 21 anos

Cerca de 14% dos inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio - em sua terceira edição após a reforma empreendida pelo MEC - têm mais de 30 anos

Paulo Saldaña, de O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2011 | 00h01

A terceira edição do novo modelo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) começa neste sábado, 22, às 13 horas, horário de Brasília. Com histórico de vazamento, erros de impressão, brigas na Justiça e transtornos para os estudantes, a edição 2011 do Enem é mais uma chance de o governo federal consolidar o exame como substituto do vestibular. Em todo o Brasil, são esperados 5.366.780 inscritos.

 

Os candidatos enfrentam neste sábado 90 questões das áreas de ciências da natureza e ciências humanas. No domingo, 23, é hora de linguagens, matemática e redação.

 

Adotado como processo seletivo por dezenas de universidades - algumas de modo exclusivo, outras como parte do processo -, os mais de 5 milhões de inscritos representam um recorde para o exame. Não por acaso, tem merecido crescente atenção específica em escolas e cursinhos pré-vestibulares.

 

Mapeamento dos inscritos mostra que 46% - o equivalente a 2,4 milhões de pessoas - têm mais de 21 anos. Dessas, 771 mil têm mais de 30 anos - o que responde a 14% do total.

 

 

É o caso do bancário e vestibulando Williams Reis Antunes, de 45 anos. Morador de Santo André, no ABC paulista, Antunes vai tentar uma “nova jornada” na vida. “Como o Enem substituiu vestibulares nas unidade federais, eu me inscrevi. Fiz um simulado e dei uma olhada nas provas anteriores. Estou apostando nas atualidades e na interpretação para me sair bem”, conta ele.

 

A chance de Antunes se dar bem não é pouca, uma vez que a prova favorece a interpretação de texto.

A também vestibulanda Carina Bezerra, de 38 anos, decidiu voltar ao cursinho para correr atrás de um sonho antigo: ser médica. “Eu me formei ano passado em Biomedicina, mas sempre quis Medicina. Comecei em março o cursinho, parei de trabalhar e estou me dedicando só para isso”, diz ela, aluna do Cursinho da Poli.

 

Interessada em uma vaga na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que usa a nota do Enem como primeira fase, Carina tem uma ajuda especial. “Meus estudos são em família. Converso muito com meu filho, que também vai fazer a prova, e com a minha filha, que vai fazer no ano que vem.”

 

No Estado de São Paulo, que têm o maior número de inscritos no Enem, 13,4% deles têm mais de 30 anos.

 

Adultos. Se o recorte por idade mostra a grande participação de candidatos com mais de 21 anos, há participação também grande de alunos procedentes do sistema de Educação para Jovens e Adultos (EJA). São 463 mil inscritos com essa características.

 

A participação desse público no total de inscritos em cada Estado varia, em geral, entre 6% e 10%. Mas dois Estados têm mais de 20% dos inscritos vindos do EJA: Rondônia e Roraima, ambos na Região Norte do País.

 

O vigia Marco Aurélio Matos, de 29 anos, morador de Boa Vista, capital de Roraima, conseguiu no ano passado, via Enem, o certificado de conclusão do ensino médio.

 

Matos havia abandonado os estudos antes de completar o segundo ano do ensino médio. Então ele recorreu ao sistema EJA para se formar. Agora, quer a universidade. “Acho que ainda estou com as coisas frescas na cabeça. Vou me esforçar, quero ser o último a sair e realizar o sonho de fazer uma faculdade”, afirma o vigia, que vai tentar usar a nota do exame para uma vaga no curso de Direito. “Se conseguir em outro Estado, eu mudo e me arrisco. O importante é que seja uma escola pública.”

 

Maior interesse. O diretor do Centro de Ensino Supletivo Asa Sul de Brasília, Wilson Araújo do Prado, diz ter visto um aumento grande no interesse pelo exame. Tanto pela possibilidade de certificação do ensino médio quanto pela chance de uma vaga na universidade. “Não temos um planejamento direcionado para o Enem. Procuramos fazer a educação de uma forma que possa contemplar o que também é pedido na prova”, explica ele.

 

 

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